Dois diretores do FGC renunciam após denúncias de favorecimento de empresa

Executivos do Fundo Garantidor de Créditos teriam contratado uma companhia para verificar os empréstimos do Banco Cruzeiro do Sul sem nenhum tipo de concorrência para favorecer amigos 

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

23 de agosto de 2013 | 19h46

Os diretores do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Celso Antunes e José Lattaro renunciaram a seus cargos de acordo com informação da assessoria de imprensa do FGC. No site do FGC há comunicado, com data desta sexta-feira, informando a renúncia, "em caráter pessoal e irrevogável", de Antunes, que havia assumido em janeiro a diretoria executiva da entidade. O diretor Fabio Mentone irá assumir as funções de Celso Antunes na diretoria executiva, principal cargo do FGC.

O FGC não comentou o motivo da saída de ambos executivos. No entanto, na carta de renúncia endereçada ao conselho de administração do FGC, a qual o Broadcast teve acesso, Antunes diz que "as denúncias totalmente infundadas publicadas na imprensa nos últimos dias são dirigidas a mim e tentam atingir o FGC e o Banco Central do Brasil" e que dessa forma "não é justo para essas instituições e, por extensão aos seus administradores, os quais manifestaram tanta confiança à minha pessoa" terem sua imagem prejudicada. O executivo encerra a carta dizendo que "assim, seguro de ter conduzido os trabalhos que me foram confiados no mais alto grau de correção concluo que, em benefício de todos, o melhor a ser feito é me desligar do FGC". A carta é datada de terça-feira, dia 20.

A revista Época da semana passada trouxe reportagem sugerindo favorecimento na contratação da IMS Tech para prestação de serviços ao FGC durante o período de intervenção no Banco Cruzeiro do Sul, do qual Celso Antunes esteve à frente. Segundo a revista, Antunes contratou uma empresa para verificar a consistência de 3 milhões de empréstimos consignados do banco. A empresa IMS foi escolhida, mas de acordo com a Época, ela ainda não existia na data. Existia, no entanto, com outro nome: M7. A contratação foi feita sem nenhum tipo de concorrência, segundo a reportagem. Depois de ganhar o contrato - onze dias depois - a M7 mudou de nome e ganhou um sócio: Carlos Cesarini, que era parceiro de Antunes na Interbank.

A revista diz que os problemas do banco cresceram e não melhoraram, como era o esperado após a intervenção. A reportagem também diz que o filho de José Lattaro, Rafael Lattaro, foi contratado pela IMS para prestar serviços ao Cruzeiro do Sul.

No sábado, dia 17, o FGC divulgou comunicado para esclarecer pontos levantados pela revista Época, dizendo que "um dos dirigentes da IMS foi sócio do atual diretor executivo do FGC, Sr. Celso Antunes, em outra empresa chamada Interbank", da qual o executivo desligou-se em 1º de dezembro de 2011, "como forma de desincompatibilizar-se para assumir cargo de direção no FGC, o que veio a ocorrer em 5 de janeiro de 2012, não mais mantendo qualquer vínculo com a mesma ou seus sócios".

O FGC destaca no mesmo comunicado que a entidade é privada e "a contratação de serviços é feita exclusivamente por decisão dos seus órgãos diretivos". A nota diz ainda que "o Banco Cruzeiro do Sul, mesmo no RAET (Regime de Administração Especial Temporário), continuava funcionando normalmente e submetido às regras do direito privado".

O FGC explica também que, com o objetivo de sanear o banco e promover a alienação de seu controle acionário para evitar turbulência no sistema financeiro, "contratou empresas de reconhecida capacitação técnica, aptas a realizar os trabalhos no curto prazo de que dispunha na ocasião". "Entre essas empresas contratadas estava a IMS, que foi designada para depurar os sistemas do banco em razão das insubsistências contábeis, nas carteiras de consignado, que haviam sido detectadas pela fiscalização do Banco Central do Brasil", diz o comunicado.  

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