Dois jovens no comando de aeroporto de R$ 1 bi

Sócios de projeto em SP têm sobrenomes conhecidos no mercado: um é filho do presidente da Fiesp e outro herdeiro da Camargo Corrêa

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2013 | 02h06

A Harpia Logística, empresa controlada pelos empresários André Skaf e Fernando Augusto Botelho, recebeu oficialmente ontem a autorização da Secretaria de Aviação Civil (SAC) para construir no bairro Parelheiros, em São Paulo, o primeiro aeroporto privado do País focado em operações de aviação executiva. A empresa pretende investir R$ 1 bilhão no projeto nos próximos dez anos e iniciar as operações em 18 meses.

A companhia nasceu há dois anos com a intenção de construir um aeroporto para aviação executiva em São Paulo. Hoje, seu único projeto é o aeroporto de Parelheiros, batizado de Aeródromo Privado Rodoanel. "Os aeroportos na capital estão lotados e a aviação executiva não para de crescer. Sentimos que havia demanda para um novo aeroporto", disse Skaf. "Podemos olhar novos projetos", completou, sem dar detalhes.

Os dois sócios controladores da Harpia têm em comum a idade - 32 anos - e o fato de carregarem sobrenomes conhecidos no mercado empresarial brasileiro. André Skaf é filho do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Ele também é sócio de outras empresas, como a produtora Filmland, a empresa de planejamento de mídia OH Mídia e a Biodal, de biotecnologia.

Já Botelho é filho do empresário Fernando de Arruda Botelho, acionista do grupo Camargo Corrêa, que faleceu no ano passado em um acidente aéreo. Fernando Augusto deixou a carreira de executivo no grupo para se dedicar ao projeto do novo aeroporto, sua estreia como empreendedor. "Enxerguei uma oportunidade", disse Botelho, que também é piloto.

Ao lado de Botelho e Skaf estão dois sócios minoritários: os consultores Oswaldo Sansone e Silvio Pereira, especializados em infraestrutura aeroportuária. "Não somos dois meninos que se juntaram para montar um negócio. Temos sócios com grande conhecimento no setor", ressalta Skaf.

Projeto. O primeiro passo para tirar o projeto do papel foi procurar um terreno para receber o empreendimento. Ao todo, nove aéreas foram avaliadas antes de a empresa se decidir por um terreno de 4 milhões de metros quadrados em Parelheiros, na zona sul de São Paulo. Mesmo com a autorização da SAC, o projeto ainda terá de enfrentar obstáculos. O novo aeroporto ainda não tem licença ambiental nem acesso ao Rodoanel. "Já fizemos os pedidos para o governo do Estado", disse Skaf.

O empresário afirma que a companhia iniciou os estudos para solicitar o licenciamento ambiental há um ano e aguarda o aval da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Segundo ele, o projeto do aeroporto ocupará 20% do terreno e o restante será preservado. "O espaço para a construção tem apenas eucalipto."

A Harpia também está na fase de captação de recursos para o projeto com investidores. Segundo Skaf, a empresa está negociando a venda de participações a fundos de private equity estrangeiros, que teriam interesse em investir em aeroportos no Brasil.

Novos aeroportos. O projeto da Harpia é o primeiro aeroporto de aviação executiva a se enquadrar nas regras que permitem a exploração comercial de aeroportos privados, criadas no ano passado pela presidente Dilma Rousseff.

Segundo o ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, outros dois projetos devem receber a mesma autorização nos próximos dias: o de São Roque, da JHSF, e o heliporto no bairro paulistano Jaguaré, do Helicidade. Empresários do Rio e de Minas Gerais já procuraram a SAC com propostas similares.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.