Marcos Santos/USP Imagens
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Dois meses após norma do CMN, juro do rotativo regular volta a subir no Brasil

Apenas em junho, a taxa avançou 18,1 pontos porcentuais, para 261,1% ao ano

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2018 | 16h34

Dois meses após o governo proibir os bancos de cobrarem juros diferentes de quem paga a fatura mínima do cartão de crédito e de quem não paga, os juros subiram justamente para os clientes que fizeram o pagamento mínimo e financiaram o restante da fatura – o chamado “rotativo regular”. 

Apenas em junho, essa taxa avançou 18,1 pontos porcentuais, para 261,1% ao ano. No fim de abril, quando a norma foi editada, o Banco Central havia descartado a possibilidade de a taxa do rotativo regular subir.

Já para quem não paga o mínimo da fatura (o chamado não regular), o juro cobrado continuaria sendo o do rotativo acrescido de 2% de multa e 1% ao mês de mora. Até então, instituições cobravam mais de clientes inadimplentes. Além disso, a medida previa que os próprios bancos poderiam fixar o porcentual mínimo a ser pago em cada fatura. Antes, este porcentual mínimo era de 15%.

Os dados do BC mostram que, desde abril, a taxa de juros do rotativo não regular caiu 71,9 pontos porcentuais, para 313,3% ao ano em junho. No entanto, a taxa do rotativo regular subiu 13 pontos porcentuais no período, para os 261,1% ao ano de junho. Na prática, a taxa do rotativo não regular caiu, como esperado, mas a do regular aumentou – ao contrário do indicado pelo BC no momento em que a norma foi editada.

Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 27, o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, afirmou que o aumento da taxa média do rotativo regular em junho, de 18,1 pontos porcentuais, ocorreu em função de altas promovidas por duas instituições financeiras. Ele não citou quais foram os bancos. 

Dados disponíveis no site do Banco Central, a respeito de taxas cobradas por cada instituição financeira, mostram que, desde a edição da resolução, em abril, três dos cinco maiores bancos do País elevaram o juro do rotativo regular. O Santander é o campeão de reajustes, mas a Caixa também subiu.

Outro lado

O diretor de cartões do Bradesco, Francisco Terra, disse que a rubrica Bradesco S.A se refere aos plásticos emitidos por meio de parcerias com redes de varejo, em operações que têm maior risco. Já a rubrica Bradesco Cartões S.A se refere aos correntistas do banco, que pagam taxas na média das demais instituições

“Para comparar com os demais bancos, é preciso considerar as taxas pagas pelos correntistas. Outros cartões de redes de varejo também têm juros mais altos que os dos bancos”, alegou. 

O Itaú Unibanco, única instituição que manteve as taxas estáveis, não quis comentar. 

Em nota, o BB afirmou que não altera suas taxas de juros do cartão de crédito para os clientes que utilizam o rotativo desde 11 de janeiro de 2018. “Qualquer aumento ou redução dessas taxas foram ocasionados por alteração no mix de clientes/produtos em uso do rotativo no mês”, afirmou. 

A Caixa informou que as taxas de juros do rotativo dos cartões de crédito do banco não aumentam desde setembro de 2017. “As pequenas oscilações verificadas no site do Banco Central são decorrentes da apresentação da taxa média de concessão de crédito de todo o portfólio de cartões da Caixa”, informou o banco.

Também procurado pela reportagem, o Santander não respondeu até a publicação deste texto. 

 

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