Dois mil tratores tomarão a Esplanada dos Ministérios

A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, será tomada entre amanhã e quarta-feira por 2 mil máquinas e tratores agrícolas e cerca de 15 mil produtores rurais, em um protesto contra as perdas acumuladas com a valorização da taxa de câmbio e a impossibilidade de acesso dos produtores às linhas de financiamento previstas no Plano de Safra. Os manifestantes chegaram ontem a Brasília, trazendo os tratores sobre caminhões, e se instalaram no Parque de Exposições da Granja do Torto, próximo à atual residência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Organizado pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), o "tratoraço" tentará chamar a atenção do governo para a "pior crise de todos os tempos", refletida na perda de 18,2 milhões de toneladas na safra agrícola deste ano e na estimativa de redução de 10,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor - de R$ 95,4 bilhões, em 2004, para R$ 85,4 bilhões. Representantes do "tratoraço" participarão amanhã de uma audiência pública das comissões de Agricultura da Câmara dos Deputados e do Senado. Na quarta-feira, deverão ser recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Homero Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Mato Grosso e organizador da manifestação, o setor reivindicará ao governo a liberação de uma linha de financiamento, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).Esse crédito, com custos mais baixos, teria o objetivo de cobrir uma parcela do endividamento dos produtores rurais com os fornecedores de defensivos, de fertilizantes e de outros insumos, resultante da valorização do real em relação ao dólar. O setor se comprometeria a renegociar essa dívida com os credores. Outra reivindicação é a suspensão de uma regra do Plano de Safra, que prevê o acesso dos produtores agropecuários ao crédito apenas se estiver adimplente e apresentar garantias."O governo não tomou nenhuma medida para mitigar a situação da agropecuária, apesar de o setor ser o principal responsável pelo superávit na balança comercial", afirmou Pereira. "Os assuntos políticos tomaram conta da agenda do governo. Mas é preciso que saibam que temos um calendário. Nos preferíamos estar preparando a terra para o plantio neste momento que nesse tratoraço", completou.Os segmentos mais afetados pela crise, de acordo com a CNA, são de soja, arroz, milho, algodão, trigo, feijão, vinho e gado de corte. Os manifestantes tentarão sensibilizar as autoridades do Executivo e parlamentares para os efeitos da crise na agropecuária sobre a atividade econômica, a geração de emprego e de renda, as exportações e a arrecadação de tributos e também para seus impactos sobre outras cadeias produtivas, como a de insumos e maquinários. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego reproduzidos pela CNA mostraram que, de janeiro a maio, o setor rural contratou 30,6 mil trabalhadores menos que em igual período de 2004.

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