Dólar a R$ 2,40 não resolve Custo Brasil, diz Abimaq

Entidade admite que o câmbio ‘melhorou muito’, mas diz que a perda de competitividade do setor persiste

Gustavo Porto, da Agência Estado,

28 de agosto de 2013 | 13h49

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, afirmou que o dólar em R$ 2,40 "não está resolvido" para o setor de bens de capital. Aubert admitiu que o dólar "melhorou muito", mas que a desvalorização das moedas emergentes ocorreu no mundo inteiro, o que não ajudaria na competitividade em dólar do setor.

"No Brasil, a valorização (do dólar) foi um pouquinho maior que em outros país, porque a desvalorização aqui também foi maior no passado", disse. Aubert repetiu que o câmbio segue como o pior fator de perda de competitividade da indústria brasileira e avaliou que se a moeda americana estivesse em R$ 2,60 ou R$ 2,70, parte da competitividade seria resolvida. "Com o câmbio entre R$ 2,60 e R$ 2,70, recuperaríamos a competitividade com Estados Unidos e Alemanha, apesar de ainda não recuperarmos com a China", disse.

O presidente da Abimaq estimou ainda que o déficit comercial em toda a indústria de transformação, na qual o setor de bens de capital se inclui, deve ficar em US$ 100 bilhões este ano. Aubert avaliou ainda esperar um segundo semestre um pouco melhor que o primeiro, apesar da queda no faturamento de julho, já que os números de consultas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) têm tendência de alta. No entanto, 2013 deve registrar um desempenho pior que o ano passado para o setor. "Achávamos que 2012 foi ruim, mas 2013 caminha para ser ainda pior que no ano passado".

Faturamento. A indústria de máquinas e equipamentos fechou o mês de julho com faturamento bruto real de R$ 6,639 bilhões, o que representa uma queda de 1,4% ante junho, segundo a Abimaq. Essa foi a segunda queda mensal e consecutiva registrada neste ano, aponta a associação.

Na comparação com julho de 2012, o faturamento bruto real registrou recuo de 3,2%. Segundo a Abimaq, nos primeiros sete meses de 2013, o setor faturou R$ 44,516 bilhões, o que representa uma baixa de 7,7% ante igual período do ano passado.

O consumo aparente de máquinas e equipamentos atingiu R$ 10,561 bilhões em julho, uma baixa de 2% ante junho. Em relação a julho de 2012, houve um crescimento de 14,7%. Nos sete meses deste ano, o consumo aparente totalizou R$ 69,162 bilhões, alta de 5% em relação a igual período de 2012. Segundo a entidade, se for eliminado o efeito cambial, o resultado torna-se negativo em 0,6% com relação a 2012.

As exportações somaram US$ 1,118 bilhão em julho, alta de 2,9% ante junho e leve aumento de 0,5% ante o mesmo mês do ano passado. Já as importações totalizaram US$ 2,853 bilhões no mês passado, baixa de 3,6% ante junho e aumento de 20,5% ante julho de 2012.

No acumulado do ano, até julho, as exportações totalizaram US$ 6,648 bilhões, com baixa de 11,6% ante o mesmo período do ano passado, enquanto as importações alcançaram US$ 19,027 bilhões, que corresponde a um avanço de 7% entre os períodos.

O déficit comercial do setor apresentou redução de 7,4% de junho para julho, para US$ 1,735 bilhão. Ante julho de 2012, houve uma alta de 38,1%. No acumulado do ano, o déficit chegou a US$ 12,379 bilhões, elevação de 20,6% em relação a igual período do ano passado.

Os dados da Abimaq mostram ainda que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor fechou o mês de julho em 74,2%, enquanto o resultado de junho foi de 73,9%. Em julho, o setor somou 258.386 empregados, queda de 0,3% na força de trabalho em relação ao mês anterior.

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