Dólar a R$ 3,00 aumenta preocupação em Wall Street

Ao atingir a barreira psicológica de R$ 3 por dólar, o câmbio acendeu a luz amarela para os analistas em Wall Street em relação à economia brasileira. "A situação é muito preocupante", disse à Agência Estado o economista para Brasil do banco Lehman Brothers, Paulo Vieira da Cunha. Para ele, é preciso mais de um fator positivo para deflagrar uma recuperação do real. "Uma melhoria dos mercados acionários dos Estados Unidos e um retorno ao acesso de financiamento de curto prazo para as empresas brasileiras são dois requisitos fundamentais para ajudar ao câmbio no Brasil neste momento", explicou Vieira da Cunha. Ele não acha que o real possa suportar um nível ainda mais baixo, o que exigirá uma mudança na política de intervenção do Banco Central. "Um nível mais desvalorizado do real é insustentável", afirmou. Na opinião do economista para América Latina da The Economist Inteligence Unit (EIU), Francis Freisinger, o nível de R$ 3 por dólar é uma barreira psicológica importante, agravada por um cenário externo desfavorável. "Com a superação desse nível de R$ 3 por dólar, poderemos observar uma nova onde vendedora de reais, depreciando ainda mais o câmbio", disse Freisinger. Mesmo considerando que o real está subvalorizado e que boa parte das notícias negativas em termos do risco político já está precificada no câmbio, Freisinger acredita que o movimento de aversão ao risco gerado pela turbulência nas bolsas norte-americanas é um grande obstáculo à recuperação do real. "Em outra situação, talvez os fundos internacionais pudessem investir no Brasil, uma vez que a Bovespa está muito barata em dólar. Mas o ambiente externo não é favorável para a tomada de riscos", explicou. Na opinião do diretor de pesquisa econômica para mercados emergentes do WestLB, John Welch, uma ajuda financeira por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) poderia servir de choque positivo. "Mas uma melhora consistente precisaria de notícias positivas no aspecto eleitoral, ou seja, uma subida forte de José Serra (PSDB) nas pesquisas eleitorais", afirmou Welch. Ele não acredita que o dólar possa subir para um patamar muito além de R$ 3. "As pressões são grandes sobre o câmbio, agora também por causa das obrigações externas. Quando o volume de pagamentos da dívida de empresas diminuir no final de agosto, as pressões sobre o câmbio vão ceder mais um pouco", disse.

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