Dólar à vista sobe e contrato para abril 2012 reage a Tesouro

Cenário:

SILVANA ROCHA , O Estado de S.Paulo

20 de março de 2012 | 03h07

Em dia de poucos negócios no mercado doméstico, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, deu fôlego extra ao dólar futuro ontem, após reafirmar que o Tesouro poderá comprar moeda à vista, via Banco Central (BC), a fim de antecipar o pagamento de dívida externa e para o Fundo Soberano, sem limites. Segundo Augustin, o governo já negocia o pagamento antecipado em breve de US$ 2,9 bilhões de dívida externa junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mas o potencial de quitação antecipada é superior a US$ 15 bilhões. O aviso recolocou o dólar abril de 2012 acima de R$ 1,82, com alta de mais de 1%. O dólar à vista fechou antes das declarações de Augustin. Mesmo assim, manteve-se acima de R$ 1,80 durante toda a sessão, após duas quedas consecutivas, fechando a R$ 1,8060 no balcão, com valorização de 0,22%. O avanço de preço da moeda norte-americana ante o real destoou do recuo do dólar no mercado externo e foi amparado também pelo sentimento de que o Banco Central e o governo brasileiro vão retomar os leilões de compra e anunciar novas medidas cambiais, caso a moeda norte-americana ameace furar o novo suporte psicológico de preço, de R$ 1,80.

No mercado de juros, a indicação do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC sobre redução da taxa básica de juros, a Selic, para níveis historicamente baixos voltou a ditar o rumo das taxas futuras, que acumularam prêmios praticamente em toda a curva a termo, com os investidores demonstrando preocupação sobre o rumo futuro da inflação no País.

O ajuste de alta das taxas foi maior ao final da sessão, reagindo também às declarações do secretário do Tesouro de que a política fiscal será administrada para permitir a retomada do crescimento econômico e a recuperação industrial sem abandonar as condições para que o BC continue na trajetória de queda da taxa básica de juros. As taxas futuras longas ainda não refletem como viável a permanência da Selic em um nível considerado baixo por muito tempo, sinalizando elevação do juro básico a partir do fim deste ano e tomando corpo em 2013.

Na Bovespa, o vencimento de opções sobre ações sustentou a volatilidade pela manhã e, passada a disputa, o Ibovespa fechou com leve alta, de 0,07%, aos 67.730,31 pontos, acompanhando o desempenho positivo de Vale e Petrobrás. As ações ordinárias da Vale subiram 0,70% e as preferenciais, 0,12%. Os papéis ON da Petrobrás ganharam 0,20% e os PN, 0,66%.

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