Dólar abre com leve alta, mas vira para o lado negativo

Ajuste de baixa está ligado a fatores técnicos internos relacionados à proximidade da virada de mês e de semestre

26 de junho de 2013 | 10h56

O dólar começou a sessão no Brasil com sinais mistos. O dólar futuro oscila em queda desde a abertura. Mas a moeda norte-americana no mercado à vista de balcão começou o dia com uma leve alta e rapidamente virou para o lado negativo.

O ajuste de baixa da moeda norte-americana está diretamente ligado a fatores técnicos internos relacionados à proximidade da virada de mês e de semestre e à desaceleração da projeção de crescimento dos Estados Unidos, divulgada mais cedo.

Do lado interno, os bancos e investidores estrangeiros estão carregando exposições vendidas líquidas em derivativos cambiais superiores a US$ 20 bilhões e US$ 2 bilhões, respectivamente. Por isso, esses agentes devem defender a queda da moeda norte-americana até sexta-feira, 28, a fim de enfraquecer a taxa Ptax do fim de junho e de maximizar ganhos na liquidação de suas posições.

Já nos Estados Unidos, o Departamento de Comércio informou que a terceira leitura do PIB do 1º trimestre de 2013 foi revisada para +1,8%, ante previsão +2,4%, equivalente ao resultado da segunda leitura do indicador. O dado levou o dólar a cair ante moedas correlacionadas a commodities no exterior, num movimento que também afeta o Brasil.

Paralelamente, o mercado monitora a audiência pública do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na comissão de Finanças e Tributação da Câmara. Segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Mantega deve reforçar no audiência o discurso de responsabilidade fiscal para recuperar a credibilidade da política fiscal.

Às 10h07, o dólar à vista no balcão estava cotado a R$ 2,1980, depois de testar mais cedo uma mínima de R$ 2,1970 (-0,59%). A abertura foi a R$ 2,2120 (+0,09%). A máxima até o momento ficou em R$ 2,2140 (+0,18%).

No mercado futuro, no mesmo horário, o dólar para julho de 2013 recuava a R$ 2,1995 (-0,77%). Esse vencimento abriu a R$ 2,2130 (-0,14%) e já oscilou de R$ 2,1975 (-0,83%) a R$ 2,2155 (-0,02%).

Operadores de câmbio ouvidos pelo Broadcast afirmam que o fim do recolhimento compulsório sobre posições vendidas de bancos no mercado à vista, anunciado na terça-feira, 25, à noite pelo Banco Central, não tem efeito imediato sobre a formação de preço do dólar, embora psicologicamente seja positivo por representar uma amarra a menos no controle do cambio pelo governo. Desde dezembro de 2012, o BC recolhe 60% sobre a posição vendida de bancos que ultrapassasse US$ 3 bilhões.

Atualmente, os bancos mantêm posição comprada - e não vendida - no mercado à vista. No dia 19 de junho, os bancos tinham posição comprada em US$ 4,473 bilhões, segundo informou na semana passada o BC. O operador de tesouraria explicou que para inverterem suas posições compradas em dólar à vista será necessário que o fluxo cambial seja negativo. Segundo ele, até 14 de junho, o fluxo cambial do País ficou praticamente zerado e isso significa que os bancos podem continuar carregando no curto prazo uma posição comprada líquida em dólar à vista. Para se tornarem vendidos em dólar à vista será preciso que ocorra um aumento das saídas de recursos do País em junho, afirmou.

Os dados atualizados sobre o fluxo cambial mensal serão divulgados hoje, às 12h30, pelo Banco Central. Neste momento, o mercado monitora a participação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em uma audiência pública na Câmara dos Deputados. Apenas há pouco, Mantega fez menção ao câmbio. Ele disse que "implementamos uma taxa de câmbio mais competitiva". Em relação à inflação, o ministro reafirmou que a alta dos índices de preços está sob controle e que a inflação está há anos sob controle no País.

Quanto à mobilização política em Brasília a fim de buscar respostas às demandas populares, na terça-feira, 25, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, em primeiro turno, o projeto de redução de tarifa de transporte. Já a Câmara dos deputados rejeitou a PEC 37 por 430 votos contra, 9 votos a favor e duas abstenções. Também ontem à noite, o ministro da educação, Aloízio Mercadante, disse que a presidente Dilma Rousseff se reunirá nesta semana com os líderes da Câmara e do Senado para definir as questões a serem incluídas no plebiscito sobre a reforma política.

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