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Bolsa volta a fechar no azul e, em dois dias, acumula recuperação de 17,9%

Mercado continua sendo mais impactado pelo que acontece lá fora, sobretudo nos EUA, e poderia ter conseguido até uma alta maior caso passasse o pacote trilionário de socorro à economia americana

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2020 | 09h05
Atualizado 26 de março de 2020 | 13h14

Pelo segundo dia consecutivo a Bolsa de Valores fechou no azul, em um movimento que não se via no mercado de capitais desde o começo de março, quando os investidores (os brasileiros e principalmente os estrangeiros), empreenderam fuga da renda variável com medo dos impactos da pandemia do coronavírus na saúde financeira das empresas listadas.

Ontem, o Ibovespa, cesta com as principais ações negociadas na B3, fechou em alta de 7,50%, ficando bem próximo dos 75 mil pontos (74.955) – o patamar de 15 dias e de dois circuit breakers atrás.

Em dois dias, o índice acumulou alta de 17,9%, maior ganho para o mercado acionário desde 29 de outubro de 2008, segundo levantamento realizado pela Economática. O valor de mercado das empresas brasileiras listadas na B3 subiu R$ 388,2 bilhões nesse período. 

O giro financeiro de ontem foi de R$ 28,6 bilhões, quase R$ 10 bilhões a mais do que o da última segunda-feira, quando o Ibovespa ficou a 5% de perder o patamar dos 60 mil pontos.

Isso posto, para os analistas, ontem foi um bom dia para o investidor, mas que poderia ser ainda melhor. Ao longo da quarta-feira a bolsa chegou a subir acima dos 9% – lembra o economista-chefe do banco Modalmais, Alvaro Bandeira –, mas perdeu fôlego na reta final depois que chegou dos Estados Unidos a notícia de que, na última hora, um impasse entre democratas e republicanos travou as negociações para o megapacote de estímulos de US$ 2 trilhões. Os democratas querem um aumento no valor do seguro-desemprego, mas os republicanos são contra. Foi o que bastou para limitar o otimismo dos agentes. O S&P 500 reduziu o avanço para pouco mais de 1%, enquanto o Dow Jones, favorecido pela disparada dos papéis da Boeing, subiu mais, 2,39%.

Mas como a Bolsa local vem sendo muito mais impactada pelo que acontece fora do Brasil do que propriamente pelo noticiário local, os analisas afirma que um ânimo extra foi dado ontem pela Alemanha, que aprovou um programa de estímulos sem precedentes para o país, de ¤750 bilhões, encarado como um sinal de que os países da zona do euro podem recorrer ao Mecanismo Europeu de Estabilidade para combater as consequências do coronavírus. “Foram dois dias de notícias bem positivas”, diz o analista de ações da Rico Investimentos, Thiago Salomão. “Há muita coisa positiva acontecendo no exterior, o que contribui para minimizar os ruídos por aqui”, diz Victor Lima, economista da Toro Investimentos, referindo-se à crise cada dia mais profunda entre o presidente Jair Bolsonaro, Congresso e governadores, na estratégia para enfrentar a escalada do novo coronavírus no Brasil.

“Bolsonaro buscou marcar posição, dissociando a imagem pessoal de problemas sobre os quais não terá como agir individualmente”, observa Marcel Zambello, analista da Necton, chamando atenção para o desgaste político que tende a emergir de uma prolongada paralisia econômica, que afetará a renda e o emprego da população. “O ruído político existe, e será preciso observar agora como evoluirá: se permanecerá na retórica ou se terá efeitos concretos”, diz Lima, da Toro.

Com os desempenhos positivos nessas duas últimas sessões, o Ibovespa amplia os ganhos a 11,76% na semana, após uma sequência negativa de cinco semanas. No mês, as perdas seguem agora em 28,05% e, no ano, em 35,18%.

Dólar. No mercado de câmbio, a moeda americana chegou a cair abaixo de R$ 5,00 no período da tarde, mas o movimento perdeu força na hora final do pregão, no mercado à vista, o dólar fechou cotado a R$ 5,0326, em baixa de 0,97%. / COLABOROU LUIZ EDUARO LEAL

 

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