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E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Bolsa fecha com leve queda, em sintonia com Nova York; dólar fica estável a R$ 5,15

Espera por decisão do Fed, somada decepção dos investidores dos EUA com pacote de estímulos trilionário do governo americano, afetou o mercado brasileiro nesta terça

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2020 | 09h05
Atualizado 28 de julho de 2020 | 18h40

Em um dia misto para os índices do exterior, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou nesta terça-feira, 28, com queda de 0,35%, aos 104.109,07 pontos. Com as atenções voltadas para o novo pacote de estímulos fiscais apresentado pelos Estados Unidos e às vésperas da decisão do Fed, o dólar também zerou as perdas da sessão de ontem para fechar praticamente estável, com leve queda de 0,02%, a R$ 5,1572.

Nenhuma grande decisão deverá ser tomada pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano), na próxima quarta-feira, 28. No entanto, o mercado aguarda para ver se a entidade monetária irá ao menos pavimentar o caminho para novas medidas. Também chamou a atenção do mercado acionário de Nova York o pacote de US$ 1 trilhão anunciado na última segunda-feira, 27, pelo governo, que veio menor que o esperado pelos analistas e promete um debate caloroso entre republicanos e democratas.

Por aqui, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, refletiu também um certo clima de cautela, à espera dos balanços de Vale, na próxima quarta, e de Petrobrás, na próxima quinta-feira, 29. Apesar disso, um tom favorável predominou entre as ações das varejistas, com destaque para alta de 7,93% da Via Varejo, após o balanço do Carrefour apontar lucro líquido em expansão de 74,9% no segundo trimestre. As ações da rede de supermercados teve ganho de 5,34% na sessão.

"Desde o meio-dia de ontem, o gráfico do Ibovespa mostra um padrão de correção lateralizada, permanecendo na faixa de 103,5 mil a 104,5 mil pontos. É bom que se tenha um padrão mais cadenciado para que o índice ganhe força", observa Rodrigo Barreto, analista da Necton.

Com os resultados de hoje, a B3 acumula alta de ganho de 1,69% na semana e sustenta avanço de 9,52% no mês, restando três sessões para o fechamento de julho - no ano, cede apenas 9,98%. Nesta terça, o cenário local teve pouco impacto nas negociações. Entre os destaques, estão os dados melhores que o previsto sobre fechamento de vagas do Caged em junho e o novo superávit na conta corrente, de US$ 2,2 bilhões em junho, o terceiro seguido. 

Câmbio

Em pregão de baixa liquidez e volatilidade alta, o dólar à vista acabou fechando praticamente estável, com o real em linha com o movimento de outras moedas emergentes, como o peso mexicano. Assim como a Bolsa, a divisa americana segue atenta ao final da reunião do Fed, o que deixou os investidores mais cautelosos e sem disposição para tomarem posições mais firmes quanto aos ativos e moedas. A esse cenário, também se soma as definições do novo pacote fiscal americano, que precisa ser feita até a quinta, e a segunda onda de casos do coronavírus na Europa.

No mercado internacional, após dias de queda, e voltar ao menor patamar em dois anos, o dólar operou hoje praticamente estável ante moedas fortes, contribuindo também para ter movimento contido nos emergentes. "A cautela antes da reunião do Fed abateu o rali do euro", ressalta o analista de moedas do banco Western Union, Joe Manimbo.

Na máxima do dia, o dólar à vista subia ao patamar de R$ 5,20. Já o dólar turismo, segundo levantamento do Estadão/Broadcast, é cotado a R$ 5,40 nas casas de câmbio. O dólar para agosto fechou com leve alta de 0,06%, a R$ 5,1500.

Mercados internacionais 

O clima foi misto no exterior, com as Bolsas da Ásia registrando alguma alta, apoiadas pelo anúncio na segunda do novo pacote de estímulos fiscais trilionário dos Estados Unidos. Na Europa, o clima também foi de tensão, após a Espanha anunciar um novo aumento de casos de coronavírus - entre ontem e hoje, foram 6,3 mil novos pacientes, maior avanço diário desde 4 de abril. Já em Nova York, o tom negativo também predominou, com os balanços de McDonald's e 3M vindo piores que o esperado.

No continente asiático, os índices chineses Xangai Composto Shenzhen Composto subiram 0,71% e 1,37% cada, enquanto o sul-coreano Kospi se valorizou 1,76% e o Hang Seng teve alta de 0,69% em Hong Kong. Por outro lado, o japonês Nikkei caiu 0,26%, o Taiex teve baixa marginal de 0,01% em Taiwan e a Bolsa da Oceania cedeu 0,39%. 

No velho continente, os únicos ganhos foram os do Stoxx 600, que subiu 0,42%, da Bolsa de Londres, que avançou 0,40% e a de Madri, com alta de 1,06%. Na ponta negativa, a Bolsa de Frankfurt perdeu 0,03%, a de Paris cedeu 0,22%, a de Milão recuou 0,59% e a de Lisboa teve baixa de 1,01%.

Já os índices americanos terminaram o dia sem nenhum ganho. O Dow Jones recuou 0,77%, o S&P 500 caiu 0,65% e o Nasdaq perdeu 1,27%. Por lá, também pesou a queda do índice de confiança do consumidor americano, divulgado hoje pelo Conference Board, que caiu de 98,3 em junho para 92,6 em julho. O mercado esperava uma queda menor, a 94,3 pontos. 

Petróleo e ouro

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa hoje, com investidores atentos ao quadro para a demanda, em meio a dificuldades na retomada econômica, diante de novas ondas da covid-19 em vários países. Com isso, o WTI para setembro, referência no mercado americano fechou em queda de 1,35%, a US$ 41,04 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). Já o Brent para outubro, referência no mercado europeu, caiu 0,66%, a US$ 43,61 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE)

O ouro, por outro lado, teve um dia mais que favorável. Na Comex, divisão de metais da Nymex, a onça-troy com entrega para agosto encerrou em 0,70%, a US$ 1.944,60. As incertezas a respeito da trajetória da economia global, em meio ao persistente avanço do coronavírus, e o dólar fraco ofereceram suporte ao metal precioso e elevaram os preços./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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