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Dólar fecha a R$ 5,31, com recuo superior a 2%; Bolsa tem ganho de 1%

Dados econômicos favoráveis vindos do exterior animaram o mercado local e a B3, que teve alta mesmo com o clima misto das principais Bolsas do mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2020 | 09h08
Atualizado 01 de julho de 2020 | 18h07

Após fechar o mês de junho em queda, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3teve um pregão positivo nesta quarta-feira, 1, e fechou com alta de 1,21%, aos 96.203,20 pontos.  O bom humor também sentido no dólar, que terminou o dia com recuo expressivo de 2,24%, a R$ 5,3181. Hoje, foi o clima mais favorável do exterior, com indicadores positivos de algumas das maiores economias do mundo, que favoreceu os ganhos do mercado local, apesar do encerramento misto dos índices do exterior.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), voltou a influenciar positivamente o mercado, após a divulgação da ata de sua reunião passada. No documento, a entidade monetária disse que irá usar todas as ferramentas para apoiar a economia americana. Por lá, também foram criados 2,3 milhões de postos de trabalho no setor privado em junho, número que anima, mas ficou abaixo da previsão de 3 milhões.

Resultados positivos vieram ainda de outros mercados pelo mundo. Na China, o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) subiu no maior nível em seis meses e alcançou a marca de 51,2 em junho, apontando para uma recuperação da manufatura brasileira. Já o PMI industrial da zona do euro saltou de 39,4 para 47,4 no período.

O cenário mais favorável no exterior renovou o ânimo da B3, que teve um pregão majoritariamente positivo após encerrar o mês de junho em queda, aos 95 mil pontos. Nesta quarta, na máxima do dia, a Bolsa subia aos 96.851,75 pontos. Com os resultados de hoje, o índice tem ganho de 2,25% na semana e cede apenas 16,81% no ano.

Ainda nesta quarta, boa parte das blue chips (ações de grandes empresas da Bolsa), tiveram resultados positivos. Banco do Brasil subiu 2,86%, enquanto Petrobrás PN e ON tiveram ganhos de 0,74% e 0,09%. Também subiram Cyrela e Cosan, com 7,35% e 5,67%.

Câmbio

O dólar deu fôlego ao real nesta quarta, em parte pelos ajustes após as últimas altas e também em sintonia com o enfraquecimento da moeda no exterior. Além disso, o avanço no desenvolvimento de uma vacina entre a Pfizer e a BioNTech contra o coronavírus ajudou no aumento do otimismo, o que estabilizou os preços da moeda.

A esse cenário, também se somam os indicadores positivos, que colaboraram para que a moeda caísse mesmo perante outras divisas fortes, como é o caso do euro e da libra. Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é negociado próximo de R$ 5,70. Já o dólar futuro para agosto encerrou com queda de 2,54%, a R$ 5,3245.

Contexto local

No Brasil, o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, José Salim Mattar, afirmou há pouco que dívida pública bruta pode chegar a 100% do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, alertou que aumento de impostos não é solução.

E mesmo com os efeitos do coronavírus na economia, a balança comercial brasileira registrou saldo positivo de US$ 7,463 bilhões em junho. O número também superou a mediana das expectativas coletadas pelo Projeções Broadcast, de US$ 7,100 bilhões, mas ficou dentro do intervalo, de superávit de US$ 6,100 bilhões a US$ 7,600 bilhões.

Mercados internacionais 

Frente a uma rápida recuperação da economia chinesa, as Bolsas da Ásia fecharam sem sinal único, ainda de olho no aumento das tensões entre EUA-China. Os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto subiram 1,38% e 0,79% cada, enquanto o Taiex subiu 0,71% em TaiwanJá o japonês Nikkei caiu 0,75% e o sul-coreano Kospi recuou 0,08%. A Hong Kong não operou devido a um feriado local. Na Oceania, a Bolsa australiana ficou no azul e avançou 0,62%.

Já na Europa, nem mesmo os indicadores positivos sustentaram as Bolsas, que tiveram queda generalizada de olho no aumento de casos da covid-19. O Stoxx 600 ainda achou fôlego para fechar com alta de 0,24%, após resultados positivos de uma vacina contra o vírus. Londres Frankfurt caíram 0,19% e 0,41% cada, enquanto Paris recuou 0,18%. MilãoMadri Lisboa cederam 0,23%, 0,06% e 0,89%, respectivamente.

Cenário parecido foi visto em Nova York, com os investidores ainda atentos ao aumento de casos do coronavírus. Com isso, o Nasdaq subiu 0,95% e o S&P 500 avançou 0,50%, mas o Dow Jones recuou 0,30%.

Petróleo

O mercado de petróleo foi beneficiado nesta quarta pelos indicadores econômicos positivos vindos do exterior, mas também refletiram o otimismo frente uma diminuição nos estoques dos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Energia americano (DoE, na sigla em inglês), os estoques da commodity caíram em 7,195 milhões de barris na semana passada e as reservas no centro de distribuição também baixaram.

Com isso, o barril do petróleo WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou em alta de 1,40%, a US$ 39,82. Já o Brent para setembro, referência no mercado europeu, caiu 1,84%, a US$ 42,03 o barril./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MARIA REGINA SILVA

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