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Carolina Bartunek no E-Investidor: 5 tendências prejudiciais para quem investe em ações

Após ganhos, Bolsa fecha com queda superior a 2%; dólar fica em R$ 5,19

Apesar do resultado negativo, B3 conseguiu ter um pregão de estabilidade; moeda americana tem nova escalada e chegou a ser cotada a R$ 5,21 na máxima do dia

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2020 | 09h08
Atualizado 01 de abril de 2020 | 00h25

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, teve um pregão de estabilidade nesta terça-feira, 31, apesar de ter fechado com perda de 2,17%, aos 73.019,76 pontos. Já o dólar manteve a escalada dos últimos dias e tornou a subir, terminando o dia cotado a R$ 5,19, uma alta de 0,31%.

O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, abriu de maneira estável, aos 74 mil pontos. Na maior alta do dia, às 12h44, a Bolsa bateu nos 75.486,55 pontos. Apesar de não ter continuado com o movimento de alta da última segunda-feira, 30, a B3 conseguiu evitar maiores perdas - mesmo ficando no negativo. Vale lembrar que na semana passada, a Bolsa brasileira ficou a 5% de perder os 60 mil pontos. A situação no mercado brasileiro começou a se deteriorar com o crise mundial causada pelo novo coronavírus, cujos números continuam alarmantes em todo o mundo.

Já o dólar iniciou as negociações em alta. Nos primeiros minutos do pregão, a moeda americana voltou a atingir o patamar de R$ 5,20, valor que não era alcançado desde o dia 19 de março. Na parte da tarde, às 15h23, ela atingiu sua cotação máxima, sendo negociada a R$ 5,21.

Vale lembrar que o mercado chegou a ficar otimista na última quinta-feira, 26, quando a moeda americana fechou cotada a R$ 4,99 - um alívio no patamar dos R$ 5. No entanto, já na sexta-feira, 27, a moeda tornou a subir e desde então tem tido uma nova escalada. Na última segunda-feira, 30, ela terminou o dia sendo negociada a R$ 5,18.

Cenário local

O mercado brasileiro ainda espera que Jair Bolsonaro sancione o auxílio de R$ 600 que será dado a trabalhadores informais, intermitentes e MEIs. Segundo o presidente, o benefício deve ser aprovado nesta terça. Na noite da última segunda, a hashtag #PagaLogoBolsonaro ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter.

A pressão também continua por parte da Câmara dos Deputados, que deu até quarta-feira, 01, para que o governo envie ao Congresso, as propostas para evitar demissões em massa diante da crise provocada pelos efeitos financeiros da covid-19. Quem já se moveu nesse sentido foi o Banco Central, que trabalha em uma MP para amparar os lojistas que trabalham com cartões, para garantir que eles recebam os dinheiros das vendas, mesmo em caso de paralisação.

Outro foco de atenção é o perceptível incômodo de Bolsonaro com o protagonismo de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que voltou a mandar a população seguir as orientações dos Estados na condução das ações de combate ao coronavírus, contrariando o discurso do presidente que rejeita as quarentenas. À noite, o presidente reafirmou em entrevista à Rede TV! que "não pode impor isolamento, como alguns Estados fizeram" e que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem a expectativa de que a economia brasileira se recupere da crise em até um ano.

Já o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, pediu à Procuradoria-Geral da República que se manifeste sobre uma ação movida pelo deputado federal petista Reginaldo Lopes. O parlamentar quer enquadrar o presidente no artigo 268 do Código Penal, que consiste em infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa. O crime tem pena de um mês a um ano.

Contexto internacional

O dia começou com dados positivos relacionados à China. Números oficiais mostraram que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial subiu de 35,7 em fevereiro, para 52 em março, superando a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta a 51,5. Já o PMI de serviços chinês avançou de 29,6 para 52,3 no mesmo período - o que indica uma nova expansão do mercado, no 'pós-coronavírus'. Também ajudou no humor do mercado, as novas medidas em estudo pelo país, que incluem o corte de impostos, para ajudar as exportadoras.

Já nos Estados Unidos, a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, disse que deve ser elaborada em breve, uma nova legislação com "apoio substancial" aos governos estaduais e municipais, que poderá ser votada depois da Páscoa. Já o presidente Donald Trump anunciou possíveis novas medidas para a da infraestrutura, o que ajudou a valorizar papéis de construtoras e empresas do setor aéreo. Vale lembrar que na noite da última segunda, 30, o governo dos EUA disse que concederá subsídios e empréstimos às companhias aéreas que estiverem sendo afetadas pelo vírus.

Ações parecidas também serão tomadas na França. O país já está permitindo que companhias aéreas adiem o pagamento de impostos com vencimento até dezembro deste ano, para 2021. As medidas vem no momento certo, já que o continente europeu começa a dar sinais de desaceleração. Segundo dados preliminares da União Europeia, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), subiu 0,7% na comparação anual de março, desacelerando fortemente em relação ao aumento de 1,2% observado em fevereiro. 

Nesse cenário, o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido ficou estável do terceiro para o quarto trimestre de 2019 e subiu 1,1% na comparação anual. O resultado, no entanto, ainda não leva em consideração os efeitos do novo coronavírus na economia local. Já na Espanha, o crescimento foi de 0,4% na margem e de 1,8% de outubro a dezembro do ano passado, ante os mesmos meses de 2018.

Petróleo

Em meio ao caos causado pelo novo coronavírus - e também pela guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita, a commodity fechou sem direção única nesta terça. O WTI para maio, referência no mercado americano, fechou em alta de 1,94%, a US$ 20,48 o barril. Já o Brent para junho, referência no mercado europeu, recuou 0,26%, a US$ 26,35 o barril.

Com os resultados, o petróleo teve seu pior trimestre da história. No acumulado, o WTI perdeu mais de 54% de seu valor ao longo de março e mais de 66% neste trimestre. O mesmo aconteceu com o Brent, que recuou 66% no trimestre e mais 55% em março. Vale lembrar que na segunda, os contratos haviam atingido mínimas desde 2002, com o WTI chegando a ser negociado abaixo de US$ 20 o barril.

Bolsas do exterior

Na Ásia, o dia foi de ganhos - e também de recuperação. Na China, o Xangai Composto teve leve alta de 0,11% e o Shenzhen Composto subiu 0,51%. Em outras partes do continente, o Hang Seng avançou 1,85% em Hong Kong, enquanto o sul-coreano Kospi subiu 2,19% em Seul. Já o Taiex registrou ganho de 0,82% em TaiwanA exceção foi o mercado japonês. O índice Nikkei caiu 0,88% em Tóquio, pressionado por papéis financeiros e de montadoras. Na Oceania, a Bolsa australiana também ficou no vermelho, perdendo força nas duas últimas horas do pregão depois de subir 3,3%. Como consequência, o índice S&P/ASX 200 recuou 2,02% em Sydney.

A Bolsa de Londres subiu 1,95%, enquanto em Frankfurt, os ganhos foram de 1,90%. A Bolsa de Madri encerrou o dia em alta de 1,88%, assim como Paris, que teve ganhos mais modestos, de 0,40%. A Bolsa de Milão avançou 1,06% e Lisboa terminou com ganhos de 2,17%.

No entanto, o dia foi de perdas para as Bolsas de Nova York. O Dow Jones recuou 1,84%, o S&P 500 teve perdas de 1,60% e o Nasdaq caiu 0,95%. Com os resultados desta terça, o Dow Jones bateu um novo recorde negativo e registrou seu pior trimestre desde 1987 - neste ano, o índice registrou uma queda de 22,6%, uma das maiores da história dos Estados Unidos./ SILVANA ROCHA, LUCIANA XAVIER, SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO.

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