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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Após ganhos, Bolsa fecha com queda superior a 5%; dólar volta ao patamar de R$ 5

No pregão da última quinta, B3 chegou a bater na casa dos 79 mil pontos; moeda americana também tinha apresentado sinais de alívio e fechado em R$ 4,99

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2020 | 09h07
Atualizado 27 de março de 2020 | 20h46

A Bolsa de Valores de São Paulo iniciou as negociações desta sexta-feira, 27, em forte queda, superior aos 5%. O resultado se manteve e a B3 fechou o dia com perda de 5,51%, aos 73.428,78 pontos. Já o dólar terminou o dia com alta de 2,11%, cotado a R$ 5,1025.

Os resultados negativos desta sexta vem após uma melhora significativa da B3 no pregão anterior. Na quinta-feira, 26, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações do brasileiro, havia voltado aos 79 mil pontos. E com as indas e vindas do mercado, a Bolsa brasileira teve ganhos de apenas 15,86% na semana. Essa volatilidade se deve ao incerto cenário internacional, provocado pelo novo coronavírus, causador da covid-19.

Já o dólar iniciou as negociações desta sexta em alta superior a 1,5% e voltou ao patamar dos R$ 5, após ter fechado em R$ 4,99 no pregão anterior. Na mínima do dia, o valor chegou a ficar em R$ 4,97. Para se ter uma ideia da valorização que acontece no câmbio frente ao real, no início do ano, a moeda americana custava R$ 4. Essa valorização, que já supera os 30% é uma resposta dos investidores frente às incertezas econômicas do cenário atual.

Contexto local

A expectativa desta sexta, era a reação do mercado em torno do auxílio de R$ 600,00 a trabalhadores informais e pessoas carentes, aprovado pela Câmara dos Deputados na noite da última quinta. No entanto, à medida, que faz parte do pacote de ações do governo contra a crise do novo coronavírus, não surtiu os efeitos desejados no mercado. 

No final da manhã, o presidente Jair Bolsonaro anunciou uma linha de crédito de R$ 40 bilhões, voltada às pequenas e médias empresas, para que elas tenham condições de pagar até dois meses de salários para seus funcionários - porém, a reação dos investidores continuou sendo tímida e Bolsa se manteve em queda.

Uma possibilidade que explica a 'frieza' do mercado frente às ações propostas pelo governo, pode ser o fato de que a cada R$ 100 em medidas prometidas até agora, apenas R$ 36 saíram do papel. Além disso, o investidor também pode ter ficado incomodado com a campanha lançada pelo Planalto: 'O Brasil não pode parar', contra as medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos em todo o País.

Nesse cenário, as desavenças entre os Estados e o governo, tem colocado o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em um cabo de guerra sem fim. Enquanto o governo o pressiona a aderir ao isolamento vertical - colocando em quarentena apenas pessoas do grupo de risco -. prefeitos ameaçam entrar na justiça contra Bolsonaro, se for decretado o fim do isolamento social.

Contexto internacional

O dia começou com notícias alarmantes sobre o novo coronavírus. Enquanto em Londres, o primeiro ministro-britânico Boris Johnson testou positivo para covid-19, a Itália bateu um novo recorde - 912 pessoas morreram pelo vírus em apenas 24 horas, o que aumentou os temores do mundo frente a gravidade da doença.

Nesse cenário, nem mesmo a aprovação na Câmara dos Representantes, do pacote histórico de quase US$ 2 trilhões dos Estados Unidos, conseguiu dar novo fôlego ao mercado, que teve um dia misto de perdas e ganhos. A expectativa agora, é se a iniciativa será capaz de conter a recessão do país americano.

Situação essa que já é sentida na China. Segundo informações divulgadas logo pela manhã, o lucro das grandes empresas industriais do país asiático sofreu um tombo de 38,3% no primeiro bimestre de 2020, em relação a igual período do ano passado. A notícia deixou o mercado alarmado, porém, em um cenário de tamanha volatilidade, ainda é difícil calcular as perdas.

No entanto, países ao redor do mundo continuam dando exemplos de solidariedade em meio a crise. Nesta madrugada, o presidente chinês, Xi Jinping, prometeu ajudar os EUA a combater a doença numa ligação telefônica com o presidente americano, Donald Trump, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua. No Twitter, Trump confirmou a conversa e disse que os dois países "estão trabalhando juntos".

Petróleo 

petróleo também sentiu nesta sexta os impactos do novo coronavírus e continuou sendo pressionado pelo conflito de preços entre Rússia e Arábia Saudita. Assim como na última quinta, a commodity fechou em queda, com o WTI para maio, que é referência no mercado americano, encerrando em baixa de 4,82%, a US$ 21,51 o barril. O mesmo aconteceu com o Brent para o mesmo mês, que é referência no mercado no europeu - o barril caiu  5,35%, a US$ 24,93.

Como consequência, a o barril do Brent fechou com perdas de 7,60% na semana, enquanto o WTI teve recuo de 4,95%. Atenta às incertezas do mercado internacional, a Petrobrás voltou a cortar em 5% o preço da gasolina, e em 3% o diesel. Esta é a quarta redução no preço do combustível, apenas para março.

Bolsas do exterior

Apesar da aprovação do tão esperado pacote trilionário dos Estados Unidos, as Bolsas de Nova York fecharam em queda nesta sexta. O Dow Jones teve recuo de 4,06%, enquanto o S&P 500 caiu 3,37%. Já o Nasdaq fechou em queda de 3,79%. O mercado americano segue ansioso, em meio às incertezas causadas pelo novo coronavírus.

As Bolsas da Ásia tiveram um dia ganhos e perdas nesta sextaNo Japão, o índice Nikkei subiu 3,88% em Tóquio, enquanto o principal índice acionário da China, o Xangai Composto, apresentou modesto ganho de 0,26%. O sul-coreano Kospi se valorizou 1,87% hoje e o Hang Seng avançou 0,56% em Hong Kong - mas o Taiex caiu 0,38% em Taiwan, assim como o Shenzhen Composto, índice chinês formado por empresas com menor valor de mercado, que recuou 0,46%, a 1.693,35 pontos. Na Oceania, a Bolsa australiana ficou no vermelho, interrompendo uma sequência de três pregões de altas, com o S&P/ASX 200 fechando em queda de 5,30% em Sydney.

Já as Bolsas da Europa tiveram um dia de baixas. Londres caiu 5,25%, enquanto Frankfurt fechou em queda de 3,68%. A Bolsa de Paris recuou 4,23% assim como Milão, que registrou baixa de 3,15%. A Bolsa de Madri, encerrou o dia em queda de 3,63% e Lisboa teve perdas de 1,76%./ SILVANA ROCHA, LUCIANA XAVIER, SERGIO CALDAS, EDUARDO GAYER, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO.

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