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ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Bolsa amplia perdas e fecha com queda superior a 5%; dólar fica em R$ 5,13

Queda no índice é resposta à MP do governo, que permitia a suspensão não remunerada de trabalhadores; moeda americana tem se mantido acima de R$ 5 desde a semana passada

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2020 | 09h03
Atualizado 23 de março de 2020 | 19h08

Após abrir de maneira estável, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, ampliou as perdas e fechou nesta segunda-feira, 23, aos 63.569,62 pontos, uma queda de 5,22%. Já o dólar continua valorizado e terminou o dia cotado a R$ 5,13. Desde a semana passada, a moeda tem se mantido acima dos R$ 5.

O índice da B3 caiu aos 62 mil pontos por volta das 12h26, influenciado pela MP editada pelo governo - já revogada -, que permitia a suspensão não-remunerada por até quatro meses de contratos de trabalhadores, como forma de combate aos impactos causados pelo novo coronavírus na economia. Às 16h35, o Ibovespa, principal índice brasileiro, caía mais de 6,65%, aos 62.611,72 pontos - uma de suas maiores baixas no dia.

Já o dólar abriu as negociações desta segunda com uma alta de cerca de 1%, em meio ao cenário caótico dos mercados financeiros ao redor do mundo. Pela manhã, a moeda flutuava na casa dos R$ 5,06 e continuou subindo ao longo do dia. A moeda para abril também fechou em alta de 1,68%, a R$ 5,1500. Desde a semana passada, o dólar tem se mantido acima dos R$ 5 - na sexta-feira, 20, ele fechou cotado a R$5,02.

Quase que diariamente, o Banco Central vem tentando conter a alta da moeda. Apenas nesta segunda, a entidade realizou três leilões à vista de dólares - no último, a taxa de venda era de R$ 5,1170. Ao todo, as três operações somam US$ 739 milhões. No entanto, a medida tem oferecido apenas uma alívio imediato na cotação. 

Vale lembrar que a Bolsa brasileira também vem sofrendo grandes perdas desde o agravamento da crise do novo coronavírus, assim como tem acontecido com os mercados europeus, asiáticos e americano. Apenas neste mês de março, a B3 já precisou acionar por seis vezes o 'circuit breaker', mecanismo que paralisa as negociações quando o Ibovespa tem quedas superiores a 10%. Antes da crise mundial causada pelo vírus, em janeiro deste ano, o índice chegou a ficar na casa dos 119 mil pontos.  

Contexto nacional

O mercado começou a enfrentar instabilidade logo após a MP editada por Jair Bolsonaroque foi posteriormente contestada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Em entrevista, ele classificou a medida como capenga e cobrou uma solução. Pressionado por diferentes setores, o governo voltou atrás e revogou o trecho que falava diretamente sobre a suspensão de contratos por até quatro meses

No âmbito federal, ainda há outros fatores que continuam influenciando o mercado. Entre eles, estão o frágil ambiente político-fiscal, o IPCA-15 e o Relatório Trimestral de Inflação, além da ata do Copom, com decisão sobre redução da Selic, a 3,75%.

Porém, as questões locais também pesam. No sábado, 21, São Paulo, o maior Estado do País, decretou o fechamento de estabelecimentos até o dia 7 de abril: funcionam apenas os serviços essenciais, como mercados, padarias e farmácias. Além disso, vários governos têm tomado ações individuais para proteger a população local. Entre elas, está o fechamento de fronteiras - decisão que foi duramente criticada pelo ministro da Infraestrutura, Bento Albuquerque

Nesse sentido, Bolsonaro divulgou na tarde desta segunda, que pretende ajudar os Estados e municípios com recursos federais. Segundo informou em seu perfil oficial no Twitter, o pacote de ajudas envolve medidas como o acesso a novos empréstimos, suspensão de dívidas e transferências adicionais de recursos. Conforme o presidente, serão direcionados R$ 85,8 bilhões em recursos.

No entanto, o Banco Central anunciou também nesta segunda, que a possibilidade dos bancos quebrarem - da mesma forma como aconteceu durante a crise mundial de 2008 -, já foi descartada. O presidente da entidade, Roberto Campos Neto, disse que atualmente as instituições financeiras do Brasil possuem "bastante folga", além de um "sistema bem provisionado".

Contexto internacional

O mercado segue rodeado de incertezas, devido às novas medidas que têm sido anunciadas pelos países para conter a disseminação do novo coronavírus, causador da covid-19. À medida que governos fecham suas fronteiras, restringem comércios e reduzem a circulação de pessoas para tentar conter a disseminação, as economias começam a sentir diretamente o impacto por meio da redução da demanda. 

Como ainda não se sabe até onde essas consequências vão, os investidores estão com grau de insegurança muito grande. Em meio a esse caos, governos do mundo inteiro tentam aprovar medidas para blindar suas economias. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump, tenta passar no Senado, uma medida que deve injetar cerca de US$ 1,5 trilhão na economia. No entanto, na noite do último domingo, 22, não houve acordo. São necessários 60 votos favoráveis, mas a discussão ficou apenas no empate, com 47 a 47. 

Já na Europa, para tentar atenuar a crise, os governos continuaram a anunciar estímulos fiscais. Nesta segunda, a Alemanha apresentou um pacote de 750 bilhões de euros, sustentado por um aumento na emissão de títulos de dívida. No entanto, o impasse no Congresso americano causou um mau humor generalizado nos investidores americanos, que se estendeu para o mercado europeu.

Como resultado, as Bolsas de Nova York somaram perdas: o Dow Jones fechou em queda de 3,04%, aos 18.591,3 pontos, o S&P 500 teve baixa de 2,93%, aos 2.237,40 pontos e o Nasdaq recuou 0,27%, aos 6.860,67 pontos.

Bolsas do exterior

Após experimentar uma alta repentina na última sexta-feira, 20, as Bolsas da Ásia fecharam em queda generalizada. A única exceção foi o Japão, que não teve negociações sexa-feira, 20. Para se ter uma ideia do tombo, o índice da Coreia do Sul, o Kospi, chegou a paralisar as negociações no pregão, acionando seu 'circuit breaker'

O mesmo aconteceu com as bolsas da Europa, que terminaram o dia em forte baixa. A Bolsa de Londres recuou a 3,79%, aos 4.993,89 pontos. Em Frankfurt, o índice terminou em baixa de 2,10%, aos 8.741,15 pontos. Milão, cedeu a 1,09% e ficou nos 15.559,80 pontos. Madri, teve queda de 3,31%, a 6.230,20 pontos e Lisboa caiu para 1,91%, a 3.600 pontos. Nem mesmo a Bolsa de Paris escapou dos resultados negativos, terminando o dia com queda de 3,32%, a 3.914,31 pontos.

No entanto, alguns resultados desta segunda ainda foram positivos. O petróleo para maio do tipo WTI, que é referência para o mercado americano, fechou em alta de 3,23%, a US$ 23,36 o barril. Já o Brent, referência no mercado europeu, também para o mesmo mês, teve ganho de 0,19%, a US$ 27,03 o barril./ SILVANA ROCHA, LUCIANA XAVIER, FABRÍCIO DE CASTRO, ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO.

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