Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Cenário político segura os ganhos da Bolsa, que fecha com leve alta; dólar fica a R$ 5,37

Prisão de Fabrício Queiroz, saída de Weintraub da Educação e corte da taxa Selic ficaram no radar do mercado nesta quinta, que acompanhou de perto o noticiário do País

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 09h06
Atualizado 18 de junho de 2020 | 18h30

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou apenas com alta marginal de 0,60%, aos 96.125,24 pontos, nesta quinta-feira, 18, em um dia marcado pelo conturbado cenário político do País, com a prisão do policial militar aposentado Fabrício Queiroz e a saída de Abraham Weintraub do governo. O cenário local de incerteza, somado ao recente corte da Selic, afetou ainda mais o dólar, que subiu pelo sétimo dia consecutivo e encerrou cotado a R$ 5,3708, uma valorização de 2,09%.

Hoje, o mercado acompanha tenso a prisão de Queiroz, ex-assessor do gabinete de Flávio Bolsonaro e homem próximo da família Bolsonaro. A esse cenário, se soma agora a saída de Weintraub do Ministério da Economia, após ficar 14 meses no governo e acumular polêmicas no comando da pasta. A expectativa é que o atual secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, nome ligado ao guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho. % (aon

Com isso, os ganhos do Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, foram mais enxutos nesta quinta, após o movimento de alta visto no pregão anterior, quando encerrou com alta de 2%. Nem mesmo o corte da Selic para 2,25%, já esperado pelo mercado, conseguiu fortalecer a Bolsa, que ainda viu a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do País despencar para 9,73% em abril, segundo apontou o Banco Central.

Contudo, apesar da alta marginal, o índice conseguiu reverter o movimento de queda visto pela manhã, logo após a prisão de Queiroz, quando a B3 cedia 1%, aos 94.697,53 pontos. Na máxima, apoiada pela alta de algumas ações, ela subia aos 97.109,54 pontos. COm os resultados de hoje, o Ibovespa acumula ganho de 3,59% na semana e de 9,98% no mês. No ano, ainda cede 16,88%.

Entre as maiores altas desta quinta, está Itaú Unibanco, com 3,29% - um dos únicos bancos a fechar em alta, ao lado do BTG, que teve alta de 9,12%. Também subiram Cielo, com 8,69% (ainda beneficiada pela parceria com o WhatsApp) e SulAmerica, com 4,55%.

Câmbio

As incertezas do cenário político local pressionam o dólar nesta quinta, que ao contrário da B3, não é favorecido pelo corte da Selic. Com a redução da taxa para 2,25% ao ano, o País se torna menos atrativo para os investidores estrangeiros, o que diminui a circulação da moeda em solo brasileiro.

Na máxima do dia, em sintonia com a saída de Weintrauba moeda subia a R$ 5,3843, uma alta de 2,35%. Em apenas sete dias, a moeda já acumula alta de 10% no Brasil. Países emergentes da América da Latina, como Chile e México, também foram pressionados pela divisa.

O dólar futuro para julho também fechou em alta de 2,91% nesta quinta, cotado a R$ 5,3840.

Petróleo

O dia foi favorável para a commodity nesta quinta, que terminou o dia com ganhos. Nesta quinta, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), destacou a importância do acordo de corte na produção de petróleo, alcançado em abril, para a estabilização do ativo e recuperação econômica. A isso, se soma a declaração do ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak, que traça um equilíbrio para o mercado ainda no final deste ano. 

Em resposta, o barril do WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou com alta de 2,20%, a US$ 39,05. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, encerrou com ganho de 1,97%, a US$ 41,51 o barril.

Contexto internacional

O dia foi de medidas de incentivo na China. Pela manhã, no horário local, o Banco do Povo (PBoC, o banco central chinês) informou que reduziu a taxa de juros de contratos de recompra de títulos (repos) reversa de 14 dias, de 2,55% para 2,35%. O PBoC também injetou 70 bilhões de yuans (US$ 9,88 bilhões) no mercado monetário, com o objetivo de manter a liquidez estável no fim do primeiro semestre do ano. 

Já o Banco Central Europeu (BoE, na sigla em inglês), decidiu manter a taxa básica de juros do País em 0,1%, mas aumentou o volume de compra de ativos em 100 bilhões de libras, a 750 bilhões de libras. Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel disse que um acordo sobre o Fundo de Recuperação de 750 bilhões proposto pela Comissão Europeia não deve sair amanhã.

Porém, o clima ainda é de preocupação com o coronavírus no exterior. Em Pequim, voos foram cancelados, escolas precisaram ser fechadas e bairros já estão sendo isolados, devido ao aumento de novos casos na região. Já nos EUA, Estados como Arizona, Texas e Flórida registraram aumento de casos em meio ao processo de reversão das medidas de isolamento.

Bolsas do exterior

As medidas de incentivo da China ajudaram as Bolsas da Ásiamas elas ainda fecharam sem sinal único. Os chineses Xangai Composto Shenzhen Composto subiram 0,12% e 0,24%, respectivamente, mas o japonês Nikkei caiu 0,45%. O Hang Seng cedeu 0,07% em Hong Kong e o sul-coreano Kospi recuou 0,35%, já o Taiex ganhou 0,12% em Taiwan. Na Oceania, a bolsa australiana caiu 0,92%.

Resultado similar foi visto na Europa, onde o temor com o coronavírus segurou o mercado e o índice Stoxx 600 encerrou em baixa de 0,71%. A Bolsa de Londres também cedeu e fechou com queda de 0,47%, assim como a de Paris, que recuou 0,75%. Frankfurt, Milão Madri  caíram 0,81%, 0,51% e 1,18%, cada. Já Lisboa teve queda de 0,50%.    

Nova York também ficou sem direção, com o aumento de casos da covid-19. Porém, ainda deu fôlego para as Bolsas, a possibilidade de novos pacotes fiscais serem aprovados pelos deputados. Com isso, o Dow Jones fechou em baixa de 0,15%, o Nasdaq subiu 0,33% e o S&P 500 teve ganho de 0,06%./MAIARA SANTIAGO, LUÍSA LAVAL, LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.