JF Diorio/ Estadão
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Bolsa inverte sinal e fecha com alta de 1%; dólar fica a R$ 5,38

Mercado observa com atenção os desdobramentos dos atos pró-Bolsonaro e pró-democracia do último fim de semana; ações do setor bancário ajudaram a B3 a subir

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2020 | 09h10
Atualizado 02 de junho de 2020 | 10h15

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, inverteu o sinal e fechou em alta nesta segunda-feira, 1º de junho, após ser beneficiada pelos ganhos das ações do varejo e setor bancário. O índice encerrou o dia com alta de 1,39%, aos 88,620,10 pontos. Já o dólar diminuiu o ritmo de valorização e fechou com leve alta de 0,93%, cotado a R$ 5,3834, após o Banco Central intervir pela segunda vez no câmbio.

O mercado observa atento nesta segunda, as consequências dos protestos do último fim de semana no País, que se dividiram entre atos pró-Bolsonaro e pró-democracia. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, chegou a comparar o Brasil à Alemanha de Hitler. O líder da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, também criticou o que chamou de "ataques à democracia", em referência aos movimentos em prol do presidente.

A alta do Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, veio descolada de Nova York, que teve apenas ganhos marginais. Por lá, os desdobramentos em torno da morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos por Derek Chauvin, um policial branco, continua no radar do investidor, que observa o avanço dos protestos nos Estados Unidos.

Aqui, a B3 foi favorecida pela alta das ações do setor bancário, após a votação para o estabelecimento de uma possível taxa fixa para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ficar de fora da pauta do Senado. Caso aprovada, a medida pode reduzir o lucro do setor bancário. Bradesco fechou com alta de 4,49% e Santander com ganho de 4,08%. 

Também subiram Gol, com 8,56% e Via Varejo, com 8,31%. Na mínima do dia, a B3 era caía aos 86.836,57 pontos e na máxima, subia aos 89.019,37 pontos - maior nível para um dia desde 11 de março. Com os resultados de hoje, o Ibovespa cede agora 23,37% ao ano.

Câmbio

Na máxima do dia, nesta segunda, o dólar era cotado a R$ 5,4194. A disparada da moeda foi uma consequência dos últimos protestos no Brasil e do instável cenário político.  Para evitar a alta da moeda, que terminou maio com queda de 1,82%, o BC realizou dois leilões à vista de dólares, totalizados em US$ 530 milhões.

Leilões desse tipo não aconteciam desde o dia 14 de maio - desde então os acordos de swap (venda de dólares no mercado futuro), vinham sendo os mais utilizados. Hoje, em audiência pública virtual, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, voltou a afirmar que o câmbio é flutuante e que a autarquia realiza intervenções quando necessário.

O dólar junho terminou o dia cotado a R$ 5,3750, uma alta de 0,59%. No ano, o dólar à vista ainda acumula valorização superior a 33%

Cenário local

Para além do cenário político, o mercado financeiro prevê um recuo de 6,25% no Produto Interno Bruto de 2020. A projeção veio após a queda de 1,5% para o PIB no primeiro trimestre de 2020.

Já o resultado positivo da balança comercial para o mês de maio, de US$ 4,548 bilhões, veio acima da mediana das projeções (US$ 4,4 bi) feitas pelo Estadão/Broadcast. Apesar de positivo, o número representa uma queda de 19,1% na comparação com o mesmo período de 2019.

No entanto, a suspensão da China para as importações agrícolas vindas dos Estados Unidos, incluindo a soja, pode favorecer o País neste aspecto, já que deve resultar em um possível aumento de fluxo comercial para o Brasil.

Ainda causa preocupação, o avanço do coronavírus no Brasil, que bateu a marca de meio milhão de infectados. Com o número, o País se tornou o segundo no mundo com o maior número de contaminações, atrás apenas dos Estados Unidos, com 1,7 milhão. Segundo dados do último domingo, 31, já são mais de 29 mil óbitos.

Cenário internacional

O dia foi de indicadores em todo o mercado internacional. Na zona do euro, o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial de maio subiu a 39,4 em maio na leitura final, mas ficou abaixo da prévia. Já na Alemanha e no Reino Unido, os PMI  industriais para maio tiverem leve revisão para baixo, a 36,6 e 39,4, respectivamente. Com os dados, o Stoxx 600 fechou com ganho de 1,10% na Europa.

Nos Estados Unidos, o PMI industrial subiu da mínima histórica de 36,1 em abril para 39,8 na leitura final de maio. Já os investimentos em construção caíram 2,3% no país americano em abril, mas o mercado esperava um recuo maior.

Na China, o PMI industrial do país asiático subiu de 49,4 em abril para 50,7 em maio, atingindo o maior nível em quatro meses e com a leitura acima da barreira de 50, indicando que o setor voltou a se expandir após o violento impacto do coronavírus.

Petróleo

A commodity fechou sem direção única nesta segunda, após as novas restrições impostas pela China aos Estados Unidos. O mercado também ficou mais instável, após boatos de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+), pode antecipar a próxima reunião. Ao que tudo indica, alguns integrantes do cartel não estão cumprindo as metas de redução da oferta estabelecidos em acordo anunciado em abril.

Além disso, o encontro também pode estender os cortes na produção do petróleo para até 1º de setembro. Em meio às incertezas, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em queda de 0,14%, a US$ 35,44o barril. Já o Brent para agosto, referência no mercado americano, subiu 1,27%, a US$ 38,32 o barril.

Bolsas do exterior

Na Ásia, as Bolsas fecharam em alta. Na China continental, o Xangai Composto subiu 2,21% e o Shenzhen Composto avançou 3,16%. Em Hong Kong, o Hang Seng encerrou o pregão em alta de 3,36%. O japonês Nikkei se valorizou 0,84%, enquanto o sul-coreano Kospi teve ganho de 1,75% e o Taiex registrou alta de 1,25% em Taiwan. Na Oceania, o S&P/ASX 200 avançou 1,10% em Sydney.

Com apetite por riscos, as Bolsas da Europa fecharam em alta. Em Londres, a Bolsa fechou em alta de 1,48% e em Paris, o ganho foi de 1,43%. Em MilãoMadriLisboa, os ganhos foram de 1,79%, 1,76% e 2,20%, respectivamente. A Bolsa de Frankfurt não funcionou devido a um feriado na Alemanha.

Em Nova York, os dados do PMI aliviaram as preocupações com os protestos e também com o aumento das tensões entre EUA-China. Os índices viraram na parte da tarde e o Dow Jones registrou alta de 0,36%, o S&P 500 subiu 0,38% e o Nasdaq avançou 0,66%./LUÍSA LAVALLUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, IANDER PORCELLA, MARCELA GUIMARÃES e MAIARA SANTIAGO

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