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De olho no exterior, Bolsa fecha com queda de quase 1%; dólar sobe e fica a R$ 4,88

Agenda econômica esvaziada segurou os ganhos do Ibovespa, que já acumulava sete altas seguidas; moeda americana também sentiu a pressão do exterior e voltou a subir

Redação, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2020 | 09h11
Atualizado 09 de junho de 2020 | 18h11

A sensação de realização de lucros vindos da Europa e dos Estados Unidos nesta terça-feira, 9, seguraram os ganhos da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3que fechou com baixa marginal de 0,92%, aos 96.746,55 pontos, após sete pregões seguidos de alta. O dólar também foi pressionado pelo clima misto vindo do exterior e voltou a subir, fechando com alta de 0,70%, cotado a R$ 4,883.

As Bolsas do velho continente e os índices de Nova York caíram nesta terça, com os investidores esperando para somar os lucros. Além disso, dados econômicos desanimadores da Europa, somados a expectativa em torno da decisão de amanhã do Fed (Federal Reserve, o banco central americano)sobre novos pacotes de ajuda e um possível corte da taxa básica de juros americana, deixou o mercado à espera do que virá.

O cenário misto no exterior e a agenda econômica esvaziada do País seguraram os ganhos do Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, que chegou a cair aos 95.385,81 pontos na mínima do dia. Apenas no final do pregão, a B3 ensaiou uma recuperação e voltou aos 97 mil pontos. 

O recuo, porém, não apagou os ganhos de 10,69% já registrados neste mês e nem a alta de 2,23% da semana. Agora, no ano, a B3 cede apenas 16,34%. Entre os destaques do pregão, está a IRB, com ganho de 12,51% e Iguatemi, com 4,86%.

Câmbio

Na máxima do dia, o dólar chegou a R$ 4,9358, uma valorização de 1,68% frente ao real. A alta decepcionou quem vinha acompanhando o recuo da moeda - vale lembrar que na última segunda-feira, 8, ela fechou cotada a R$ 4,8544 - menor valor em quase três meses. 

Apesar do resultado, o dólar ainda cede 9% em junho e está longe da máxima de R$ 5,97 atingida em maio. E o real não foi único a perder nesta terça, já que moeda americana também subiu frente às principais moedas emergentes, com os investidores à espera da decisão do Fed.

O dólar para julho também fechou com alta de 1,59%, cotado a R$ 4,9050.

Cenário local

No noticiário doméstico, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), o governo revogou portaria do Ministério da Economia que tirou R$ 83,9 milhões do orçamento do Bolsa Família e transferiu o valor para a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência (Secom), que usaria a verba para ampliar gastos com publicidade.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que o governo pode renovar o auxílio emergencial no mesmo valor, de R$ 600, mas que, para reduzi-lo, é preciso passar pelo Congresso. Maia ainda aproveitou para cobrar do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, a transparência na divulgação dos dados do coronavírus.

Cenário internacional

O dia foi de indicadores negativos para a Europa. Na Alemanha, dados divulgados durante a madrugada indicaram que as importações tiveram tombo histórico de 24% no país na passagem de março para abril, enquanto as exportações despencaram 16,15% na mesma comparação.

Já o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro encolheu 3,6% no primeiro trimestre, de acordo com a terceira leitura do indicador, divulgada nesta terça. No entanto, as previsões ainda não são positivas. Segundo a Oxford Economics, o PIB da região ainda registrará retração de mais de 8% este ano e só deve retornar aos níveis anteriores à crise no fim de 2021. Neste cenário, o Stoxx 600 encerrou com perda de 1,22%.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta terça, apesar das incertezas sobre o prolongamento de cortes na produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+). O mercado melhorou somente após o relatório do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês), apontar perspectivas para a estabilização do setor. 

WTI para julho, referência no mercado americano, fechou com alta de 1,96%, a US$ 38,94 o barril. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, avançou 0,93%, a US$ 41,18 o barril.

Bolsas do exterior

No exterior, as Bolsas da Ásia somaram ganhos, ainda que singelos, nesta terça. Os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto subiram 0,62% e 0,67%, respectivamente. O Hang Seng se valorizou 1,13% em Hong Kongo sul-coreano Kospi subiu 0,21% e o Taiex avançou 0,23% em TaiwanJá o japonês Nikkei foi na contramão e fechou com baixa de 0,38%. Na Oceania, o S&P/ASX subiu 2,44% em Sydney.

O bom humor asiático não atingiu a Europa, que teve queda generalizada. Em Londres, a queda foi de 2,11% e em Frankfurt, de 1,57%. A Bolsa de Paris caiu 1,55% e a de Milão, 1,49%. Os índices de Madri e Lisboa caíram 1,82% e 1,63%, respectivamente.

As Bolsas de Nova York também caíram, com o investidor à espera dos lucros. O Dow Jones encerrou em baixa de 1,09% e o S&P 500 recuou 0,78%. O Nasdaq, no entanto, subiu 0,29% e voltou a bater recordes, ao ultrapassar os 10 mil pontos durante o pregão./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, ANDRÉ MARINHO E MAIARA SANTIAGO

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