Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsa perde ritmo, mas fecha acima dos 77 mil pontos; dólar fica em R$ 4,99

Esta é a primeira vez nos últimos dias que a moeda americana fecha abaixo de R$ 5; mercado continuou reagindo positivamente a aprovação do pacote econômico de US$ 2 trilhões dos Estados Unidos

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2020 | 09h05
Atualizado 27 de março de 2020 | 00h09

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, iniciou as negociações desta quinta-feira, 26, de maneira estável, com uma leve alta. E apesar de algumas instabilidades ao longo d0 dia, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, terminou o dia com ganho de 3,67% aos 77.709,66 pontos. O dólar também sinais de alívio e fechou em R$ 4,99 - um recuo do tradicional patamar de R$ 5.

O pregão desta quinta foi acompanhando de altos e baixos - em alguns momentos, a B3 chegou a desacelerar os ganhos, mas nada que preocupasse o mercado, que viveu dias de pânico quando a Bolsa brasileira ficou a 5% de perder os 60 mil pontos. Em uma de suas maiores altas do dia, o Ibovespa bateu nos 79 mil pontos.

Já o dólar continuou valorizado nesta quinta, sendo negociado, em boa parte do dia, acima dos R$ 5. No entanto, no final da tarde, a moeda perdeu levemente o fôlego e fechou cotada abaixo dos R$ 5 - algo que não se via já há algum tempo. Vale lembrar que na passada, a moeda chegou a ficar acima dos R$ 5,20.

Contexto local

No Brasil, as expectativas foram mistas. Na parte da manhã, o Banco Central (BC) informou que a economia brasileira iniciou o ano de 2020 com crescimento de 0,24%, na comparação com dezembro do ano passado. No entanto, o resultado do Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), ainda não levou em consideração os impactos do novo coronavírus na economia.

Além dos números do BC, o Safra também divulgou suas expectativas na parte da tarde desta quinta. O banco cortou a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, de -0,3% para -2,8% em 2020, e reduziu o número para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - responsável por medir a inflação -, de 2,5% para 2,2%. A instituição também projeta déficit primário de R$ 298 bilhões em 2020 e que a dívida bruta deve superar em 80% o valor do PIB.

O mercado também foi embalado nesta quinta pelas notícias de cortes de gastos e indecisões do Congresso. A Petrobrás informou que vai reduzir investimentos e adiar o pagamento de 30% da remuneração de diretores e gerentes. Já o governo anunciou que vai reduzir taxas para a importação de 61 produtos, incluindo a cloroquina, medicamento que tem sido testado contra a covid-19. Ainda nesse cenários, os deputados querem que empresas com patrimônio superior a R$ 1 bilhão, sejam obrigadas a fazer 'empréstimos compulsórios' ao País, que serão ressarcidos no futuro, para ajudar no combate contra o coronavírus.

Contexto internacional

Na quarta-feira, 25, houve um certo otimismo generalizado, com todos os mercados reagindo positivamente ao acordo fechado entre o governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump. As boas notícias continuaram nesta quinta, com a aprovação do pacote pelo Senado americano. No entanto, o cenário ainda é preocupante nos EUA. Quase 3,3 milhões de pessoas deram entradas em pedidos de auxílio-desemprego no País, o maior desde outubro de 1982.

Outra notícia que também movimentou o mercado foi a notícia de que o G-20 vai expandir a capacidade de produção de remédios do grupo - do qual o Brasil faz parte -, a um preço acessível e mantendo o custo baixo. A iniciativa faz parte de um esforço coletivo para combater a pandemia do novo coronavírus, que desde o começo do ano tem trazido instabilidade para as economias globais. 

Porém, o fato dos líderes do G-20 terem ignorado a guerra dos preços de petróleo - que ainda continua entre Rússia e Arábia Saudita -, desagradou o mercado. Em resposta, o barril da commodity, que vinha acumulando altas nas últimas três sessões, fechou em queda nesta quinta. O WTI para maio, que é referência para o mercado americano, teve baixa de 7,71, a US$ 22,60 o barril%. Já o Brent para o mesmo mês, que é referência no mercado europeu, teve de 3,83%, a US$ 26,34 o barril.

Bolsas do exterior

As Bolsas de Nova York continuaram com o bom desempenho da última quarta. O Dow Jones teve alta de 6,38%, o Nasdaq avançou 5,60% - após ter sido o único índice a fechar em baixa no pregão anterior -, e o S&P 500 teve ganhos de 6,24%. Os resultados positivos mostram a confiança do mercado americano no acordo trilionário proposto por Trump.

Já o mercado asiático fechou de forma contraditória nesta quinta. O Nikkei, no Japão, liderou as perdas, com queda de 4,51%Na China continental, o Xangai Composto recuou 0,60% e o menos abrangente Shenzhen Composto, recuou 0,80%. Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi teve queda de 1,09%, e o Hang Seng caiu 0,74% em Hong Kong - mas o Taiex contrariou o tom negativo da região e subiu 0,95% em TaiwanNa Oceania, a Bolsa australiana também ignorou o mau humor predominante na Ásia e se valorizou pela terceira sessão consecutiva, com o S&P/ASX 200 registrando ganhos de 2,30%.

E apesar das perdas no mercado asiático, a Europa manteve o bom humor da última quarta-feira, 25. A Bolsa de Londres encerrou o dia em alta de 2,24%, enquanto Frankfurt teve alta de 1,28%. Em Paris, a Bolsa avançou 2,51%, e em Milão, os ganhos foram tímidos, de 0,73%. Já Madri teve alta de 1,31%, e Lisboa avançou 1,47%./ KARLA SPOTORNO, LUCIANA XAVIER, SILVANA ROCHA, SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.