JF Diorio/Estadão
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Bolsa fecha com queda de quase 2% após piora em NY; dólar sobe e fica a R$ 5,21

Queda das ações de tecnologia afetam os índices americanos e pesaram tanto no Ibovespa quanto na moeda americana, que saltou quase 2% nesta quinta

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 09h20
Atualizado 23 de julho de 2020 | 18h16

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em queda de 1,91%, aos 102.293,31 pontos, após ser fortemente impactada nesta quinta-feira, 23, pelo ritmo acelerado de queda do mercado acionário de Nova York, que se intensificou com o recuo das ações de tecnologia. A aversão ao risco no exterior também aumentou a pressão sobre o dólar e fez a moeda quebrar com um ciclo de três quedas seguidas, para encerrar com valorização de 1,92%, a R$ 5,2138.

O clima ficou tenso em Nova York nesta quinta, após vários Estados americanos começarem a investigar a Apple por supostamente "enganar" consumidores, segundo informações do site Axios. Além disso, o Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA confirmou que um painel antitruste vai ouvir os depoimentos de executivos de gigantes da tecnologia, como Amazon, Facebook e também a companhia da maçã. Em resposta, os papéis das três caíram 3,66%, 30,3% e 4,55%, respectivamente.

Com a agenda econômica local esvaziada,  Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, ficou sem suporte para conseguir manter os 104 mil pontos e cedeu, apoiado também por uma sensação de realização de lucros no pós-entrega da reforma tributária. Em resposta, a Bolsa recuou dois mil pontos e fechou perto da mínima do dia, de 102.118,54 pontos.

Após o pregão de hoje, a B3 passa a acumular perda de 0,58% na semana, mas ainda sobe 7,61% no mês. No ano, as perdas voltaram aos dois dígitos, para 11,55%. Já as perdas foram bem distribuídas no pregão, com destaque para a baixa da Tim, de 8,43%, após a Highline do Brasil entrar com uma oferta melhor pela Oi Móvel. Via Varejo, Cielo e Magazine Luiza também tiveram baixas expressivas, de 7%, 5,43% e 5,02% cada.

Câmbio

Além das ações de tecnologia, uma série de acontecimentos nos Estados Unidos colaboraram para que o preço da moeda disparasse nesta quinta. Entre eles, está o aumento das tensões EUA-China, após Donald Trump anunciar que pode fechar outros consulados chineses no território americano. Por lá, também chamou a atenção o crescimento para 1,4 milhão no número de pedidos do auxílio-desemprego e o avanço da covid-19, que já chega a marca de 4 milhões de infectados.

Os recentes acontecimentos, somados a agenda econômica esvaziada do Brasil, colaboraram para que o dólar subisse frente ao real, apesar da moeda recuar perante outras divisas fortes para o menor patamar em dois anos. Na máxima do dia, o dólar à vista subia 2,09%, a R$ 5,2250. Já o dólar para agosto fechou com alta de 1,80%, a R4 5,2130.

Bolsas do exterior

Os principais índices internacionais fecharam sem sentido único nesta quinta, ainda sob o efeito do recente aumento das tensões Estados Unidos e China. Além disso, os investidores também acompanharam atentos a divulgação de alguns indicadores econômicos, como o índice de confiança da zona do euro, que renovou baixa ao recuar de 14,7 para 15 na passagem de junho para julho e o PIB da Coreia do Sul, que encolheu 2,9% no segundo trimestre. No entanto, apesar do clima misto, alguns ganhos foram registrados, principalmente após a divulgação de balanços de grandes empresas como Daimler, Unilever e Publicis.

Como era esperado, os índices da Ásia ficaram sem sentido único, após as relações entre as duas maiores potências do mundo chegar a um novo impasse. Os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto recuaram 0,24% e 0,02% cada, enquanto o sul-coreano Kospi caiu 0,56% e o Taiex registrou queda de 0,48% em Taiwan. Já o Hang Seng avançou 0,82% em Hong KongNa Oceania, a bolsa australiana ficou no azul e teve alta de 0,32%.

Na Europa, os resultados favoráveis dos balanços comerciais ajudaram a conter o clima misto, levando o Stoxx 600 a fechar com leve alta de 0,06%. Londres também evitou maiores perdas e encerrou com alta de 0,07%, mas Frankfurt teve baixa marginal de 0,01% e Paris caiu 0,07%. As Bolsas de MilãoMadri também cederam 0,70% e 0,07% cada, enquanto Lisboa avançou 0,64%.

Em Nova York, o dia foi de perdas generalizadas, não apenas por conta da queda das ações de tecnologia, mas também devido ao impasse nas negociações de um novo pacote de estímulos. Por lá, Dow Jones recuou 1,31%, S&P 500 caiu 1,23% e o Nasdaq registrou baixa de 2,29%. 

Petróleo

A primeira alta em quatro meses dos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos pesaram sob a commodity, que conta com a retomada da economia para restabelecer a demanda que existia pelo petróleo na época pré-pandemia. Além disso, os investidores monitoram de perto o aumento de casos da covid-19 no país americano e a mais recente escalada das tensões entre EUA-China.

Com isso, o WTI para setembro, referência no mercado americano, fechou em queda de 1,98%, a US$ 41,07 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, encerrou com perda de 2,21%, a US$ 43,31 o barril./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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