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Após saída de Teich, Bolsa cai e fecha aos 77 mil pontos; dólar sobe e fica a R$ 5,83

Ministro da saúde ainda não tinha completado nem um mês no cargo; indicadores econômicos negativos do País também pesaram no mercado local

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 09h05

A saída de mais um ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro, no meio da pandemia do coronavírusbalançou o mercado brasileiro nesta sexta-feira, 15. Em resposta, o dólar, que dava sinais de alívio pela manhã, tornou a subir e fechou cotado a R$ 5,8390, uma alta de 0,34%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, perdeu o ritmo de alta e recuou 1,84%, encerrando aos 77.556,62 pontos.

Sem dar muitas explicações, Nelson Teich, agora ex-ministro da Saúde, deixou o governo antes mesmo de completar um mês no cargo. Na coletiva que concedeu para explicar os motivos da decisão, ele apenas elogiou o trabalho dos profissionais da saúde, reconheceu as responsabilidades do cargo e disse ainda que havia deixado 'um plano' para auxiliar a equipe da pasta. Nos bastidores, a informação é a de que as divergências com Bolsonaro, sobre questões relacionadas ao isolamento e uso da cloroquina contra o coronavírus, desanimaram o médico.

 

A notícia ajudou a derrubar ainda mais o Ibovespa, principal índice da ações do mercado brasileiro, que já vinha tendo um pregão ruim. Pela manhã, a B3 já começou o dia com queda de 0,06%, aos 78.962,14 pontos, perdendo o patamar dos 79 mil pontos conquistados no pregão da quinta-feira, 14. 

No entanto, foi por volta das 12h, em sintonia com a exoneração de Teich, que a Bolsa registrou as maiores perdas da sessão e caiu na mínima do dia, aos 77.426,10 pontos. Com os resultados desta sexta, a Bolsa acumula perda de 3,37% na semana e recuo de 3,66% em maio. O volume financeiro da sessão de hoje foi de R$ 25,9 bilhões

Situação parecida também aconteceu com o dólar. Pela manhã, a moeda abriu com alta de 0,85%, cotada a R$ 5,8687, porém, ela deu sinais de alívio pouco tempo após a abertura das negociações e recuou 0,89%, para a mínima do dia de R$ 5,7677 - valor abaixo dos R$ 5,8193 do fechamento anteriorContudo, já no começo da tarde o dólar tornou a subir e alcançou novamente o patamar dos R$ 5,80, oscilando entre a casa dos R$ 5,83 e R$ 5,84.

E com as idas e vindas do câmbio, o real é a moeda emergente que mais perde nos últimos 30 dias. Desde o começo de 2020, o dólar já tem uma apreciação de 45% frente a moeda brasileira (no mês, o ganho é de 7,36% e na semana encerrada, de 1,70%). Para se ter uma ideia, até abril, a moeda americana avançou apenas 29% no México, 17% na Turquia e 32% na África do Sul.

Cenário local

Além das idas e vindas no Ministério da Saúde, também pesou nesta sexta, a informação de que o desemprego aumentou em 12 Estados no primeiro trimestre de 2020. Nesse período, o País tinha cerca de 3,1 milhões de pessoas em busca de um emprego. De todos, São Paulo foi o Estado mais afetado, com 515 mil postos fechados nesse período. O resultado, no entanto, não pode ser associado ao coronavírus, já que a quarentena começou na metade do mês de março.

Porém, já é um impacto do vírus, a queda de 5,90% na 'prévia' do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para março, na comparação com fevereiro. O número foi divulgado no Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central e já traz preocupação ao investidor

Ainda nesse cenário, a União já precisou desembolsar R$ 963,62 milhões para honrar dívidas garantidas de Estados e municípios em abril deste ano. Enquanto isso, o Tesouro Nacional já arcou com R$ 2,878 bilhões em garantias em 2020.

Contexto internacional

O índice também foi de indicadores negativos para a economia mundial. Nos Estados Unidos, o índice de produção industrial recuou 11,2% em abril, na maior queda da história do país. Segundo o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o setor foi duramente impactado pela pandemia do coronavírus, que fechou fábricas por todo o território americano.

Já na Alemanha, o Produto Interno Bruto (PIB) do país encolheu 2,2% no primeiro trimestre, segundo dados preliminares com ajustes sazonais publicados nesta sexta. O resultado é o pior para a economia alemã desde 2009, mas ainda é um pouco melhor que o recuo de 2,5% previstos por analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Os resultados da zona do euro também vieram negativos, com o PIB da região caindo 3,8% no primeiro trimestre de 2020, com contração anual de 3,2%. Além de recorde, a contração é também a mais intensa para a região desde que começaram os registros, em 1995.

Porém, nem todos os resultados foram negativos. A produção industrial da China teve expansão anual de 3,9% em abril, revertendo um declínio de 1,1% em março e superando a expectativa de analistas, que previam alta de 1%, à medida que Pequim reverteu boa parte das medidas de isolamento adotadas para conter a disseminação do vírus.

Petróleo

A commodity continua sendo beneficiada nesta sexta, pela reabertura gradual de algumas das maiores economias do mundo. Além disso, também influencia o petróleo os cortes prometidos pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) que, promete um corte de cerca de 24,5 milhões de barris por dia no segundo semestre do ano.

Nesse cenário, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta de 5,88% a US$ 29,52 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, avançou 4,40% a US$ 32,50 o barril. 

Bolsas do exterior

Os resultados foram majoritariamente positivos na Ásia. O índice japonês Nikkei subiu 0,62% em Tóquio, enquanto o sul-coreano Kospi teve leve ganho de 0,12% em Seul e o Taiex avançou 0,32%. Na China continental, o Shenzhen Composto se valorizou 0,16%, mas o Xangai Composto encerrou o pregão com baixa de 0,07%. Também ficou no vermelho o Hang Seng, que recuou 0,14% em Hong Kong. Na Oceania, o S&P/ASX 200 avançou 1,43% em Sydney.

Apesar dos resultados negativos, as Bolsas da Europa fecharam em alta, frente as possibilidades de abertura das economias da região. Com isso, o índice pan-europeu Stoxx 600 avançou de 0,47% e na Bolsa de Londres, o FTSE 100 subiu 1,01%. Em  Frankfurt, o DAX ganhou 1,24% e na Bolsa de Paris, o CAC 40 avançou 0,11%. Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,09% e em Lisboa, o índice PSI-20 registrou ganho de 0,94%. Apenas Madri registrou queda, com o IBEX-35 caindo a 1,08%.

Apesar do indicador negativo, as Bolsas de Nova York terminaram o dia em alta. O índice Dow Jones subiu 0,25%, o Nasdaq subiu 0,79% e o S&P 500 teve ganho de 0,39%, para 2.863,70 pontos. Deu novo ânimo ao mercado americano, a declaração de Donald Trump, que mostrou otimismo sobre a fabricação de uma vacina para o coronavírus até o fim do ano./GABRIEL BUENO DA COSTA, SÉRGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO

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