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Possível 2ª onda de covid-19 faz Bolsa fechar em queda; dólar fica a R$ 5,14

Países como China e EUA voltaram a somar recordes de casos no fim de semana; no Brasil, investidor observa atento saída de Mansueto do Tesouro Nacional

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2020 | 09h05
Atualizado 20 de junho de 2020 | 18h44

O estresse global em meio ao temor de uma nova onda de infecções do novo coronavírus pressionou a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, nesta segunda-feira, 15, que encerrou o pregão com queda de 0,45%, aos 92.375,52 pontos. O dólar também foi influenciado pela onda de incerteza do mercado global e fechou com alta de 1,98%, cotado a R$ 5,1422, maior nível desde o último dia 2 de junho.

Nesta segunda, as atenções se voltam para o aumento de novos casos do coronavírus na China e Estados Unidosem meio ao processo de reabertura de ambas as economias. As autoridades chinesas registraram 57 novos casos no fim de semana, sendo que 36 deles vieram de contaminações locais em Pequim. Já no último sábado, o país americano registrou um novo recorde diário de casos, com 25 mil infectados.

A esse cenário, também se soma o avanço da doença no Brasil. Segundo levantamento do consórcio de veículos da imprensa, são mais de 43 mil mortos e quase 868 mil mortos. Na agenda econômica, preocupa a saída de Mansueto Almeida do cargo de secretário do Tesouro Nacional no último domingo, 14. Em seu lugar, assume Bruno Funchaljá bem recebido pelos técnicos do governo e pelo mercado.

Com isso, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, teve mais um dia de perdas, conseguindo desacelerar o ritmo de queda apenas no final do pregão. Na mínima do dia, ela cedia aos 90.147,92 pontos - na máxima, encostou brevemente nos 93.111,62 pontos, em sintonia com a melhora nas Bolsas de Nova York.

Somando a sua quarta queda consecutiva, a B3 ainda acumula ganho de 5,69% no mês, mas cede 20,12% no ano. Entre as maiores altas de hoje, está a Cielo, com 14,01%, após o anúncio de uma parceria com o WhatsApp. Também subiram Via Varejo, com 6,69% e Gol, com 5,23%. Entre as perdas, está a IRB, que caiu 9,92% e a Eletrobrás, com baixa de 3,61%.

Câmbio

No final da tarde, dólar reduziu o ritmo de alta visto no começo do dia. A melhora pontual na moeda veio após o Federal Reserve (Fed, o BC americano),  anunciar que começará a comprar títulos corporativos, em estímulo à liquidez do mercado e ao crédito para grandes empregadores. 

Pela manhã, a moeda chegou a subir mais de 3% e ainda avançava na casa dos 2% no início da tarde. Já na mínima, a moeda era cotada a R$ 5,0892, uma alta de 0,92%. O dólar para julho também foi afetado pelo cenário incerto e fechou com alta de 2,09%, aos R$ 5,1615

No mercado internacional, o dólar recuou frente à divisas fortes, como o euro e a libra, mas ainda continuou pressionando os mercados emergentes, apesar de cair em países como México e Argentina.

Cenário local

Por aqui, o mercado continua tenso, à espera da decisão e comunicado do Copom, na quarta-feira, 17, com possível corte da Selic para 2,25% ao ano. Atualmente, a taxa está em 3% ao ano. Além disso, também ganha destaque o novo boletim Focus do Banco Central (BC), que prevê nova queda de 6,51% para o Produto Interno Bruto (PIB) do País.

No quadro político, a crise envolvendo governo e Judiciário, andamento dos inquéritos sobre fake news que tramitam no TSE e STF e protestos também apoiam cautela.

Cenário internacional

O dia foi de indicadores negativos na Ásia. Em maio, a produção industrial da China teve expansão anual de 4,4%, mas a previsão de analistas era de aumento de 5%. No mesmo período, as vendas no varejo caíram 2,8%, ante projeção de queda de 2%. 

Resultados negativos também foram vistos no velho continente. Na zona do euro, as exportações registraram um tombo de 24,5% em abril ante março, e as importações sofreram retração de 13% no período. Com isso, o índice intercontinental Stoxx 600 encerrou em baixa de 0,27%, a 353,09 pontos.

Petróleo

O anúncio de compra de títulos corporativos feito pelo Fed aliviou a tensão no mercado de petróleo, que vinha de uma sessão extremamente volátil. Nesta segunda, a commodity também vinha sendo afetada pela possível segunda onda de contaminações do coronavírus, fator que compromete a demanda pelo ativo.

Com isso, o petróleo WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta de 2,37%, a US$ 37,12 o barril. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, subiu 2,56%, a US$ 39,72 o barril.

Bolsas do exterior

O temor frente à uma possível segunda onda de casos derrubou os mercados da Ásia. O sul-coreano Kospi liderou as perdas, com um tombo de 4,76%, seguido pelo japonês Nikkei, que caiu 3,47%. Os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto recuaram 1,02% e 0,29%, respectivamente. Já o Hang Seng se desvalorizou 2,16% em Hong Kong e o Taiex registrou queda de 1,08% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana caiu 2,19% em Sydney.

Resultado parecido foi visto na Europa. A Bolsa de Londres caiu 0,66%, enquanto Frankfurt teve baixa de 0,32%. Em Paris, Madri e Lisboa, as quedas foram de 0,49%, 0,46% e 0,76%, respectivamente. A Bolsa de Milão foi a única que subiu, registrando ganho de 0,43%.

Já em Nova York, as perdas foram evitadas, após o anúncio do Fed. O Dow Jones subiu 0,62%, o S&P 500 avançou 0,83% e o Nasdaq ganhou 1,43%, a 9.726,02 pontos. No entanto, por lá, os investidores seguem temerosos com o aumento dos casos da covid-19./MAIARA SANTIAGO E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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