JF Diorio/ Estadão
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Covid-19

Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

Após dia de perdas, Bolsa fecha em queda, aos 78 mil pontos; dólar fica em R$ 5,24

Com o resultado, B3 quebrou uma sequência de duas altas seguidas; na máxima desta quarta, moeda americana era negociada a R$ 5,26

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2020 | 09h12
Atualizado 15 de abril de 2020 | 18h41

Após uma manhã de perdas, a Bolsa de Valores de São Paulo, B3fechou em queda nesta quarta-feira, 15, aos 78.831,46 pontos, uma perda de 1,36%. O dólar também teve uma nova escalada nas negociações e fechou cotado a R$ 5,24, uma alta de 0,99%.

Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, abriu esta quarta em forte queda, baixando para os 77 mil pontos. Na mínima do dia, às 10h12, ele já cedia aos 77.513,58 pontos. O resultado seguiu até o início da tarde, quando a Bolsa começou a retomar o ritmo de alta dos dias anteriores. Às 14h15, ela recuava apenas 0,06%, aos 79.868,96 pontos. No entanto, o movimento não foi o bastante e ela tornou a fechar em queda.

 

Com os números de hoje, a B3 não conseguiu manter o patamar dos 79 mil pontos alcançados na última terça-feira, 14. O resultado não apenas frustra o movimento de alta do pregão anterior, quando a Bolsa bateu no patamar dos 81 mil pontos (algo inédito desde o início da crise do novo coronavírus - causador da covid-19), como também a sequência de duas altas seguidas, que foram acompanhadas nos fechamentos desta semana.

Porém, a B3 não foi a única a decepcionar. A moeda americana também viveu nova escalada nesta quarta. Pela manhã, o dólar já abriu em alta de 0,71%, sendo negociado a R$ 5,22. A oscilação seguiu ao longo do dia, com a moeda subindo a R$ 5,23, R$ 5,24 e R$ 5,25. Na máxima do dia, ela era cotada a R$ 5,26.

Novamente, os resultados frustram o mercado, que vinha acompanhando a queda no valor da moeda. Na última terça ela fechou cotada a R$ 5,19, após atingir a mínima de R$ 5,15, enquanto que na segunda-feira, 13, ela fechou negociada a R$ 5,18, após bater na mínima de R$ 5,12. No ano, o dólar já soma valorização de 30%, enquanto que na comparação com abril de 2019, esse número salta para 35%.

Cenário local

Voltaram a impactar os investidores, as notícias relacionadas ao vírus. Segundo dados atualizados do Ministério da Saúde, o coronavírus já fez 1.736 vítimas fatais e deixou 28.320 mil infectados no Brasil. Nas últimas 24 horas, foram 204 mortes e 3.058 pacientes confirmados - um recorde no número de novos casos.

Também nesta quarta, o Tesouro Nacional reconheceu pela primeira vez a dificuldade para financiar a dívida pública. A declaração se refere principalmente ao plano de socorro a Estados e municípios do governo federal, que atualmente já gira em torno dos R$ 93 bilhõesO tema, que tem gerado enorme impasse entre Ministério da Economia e Câmara dos Deputados, já havia sido abordado na última terça pelo secretário do Tesouro, Mansueto Almeida. Na ocasião, ele estimou um rombo de R$ 600 bilhões nas contas públicas, motivado pelas medidas contra o coronavírus. 

No entanto, em meio ao debate em torno do aumento de gastos, ainda existe uma pressão para que o País se dedique mais no combate ao vírus. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI)o Brasil gastou cerca de 2,9% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em medidas contra a covid-19 - valor que está abaixo da média de 3,5% dos países do G-20.

Ainda nesse cenário, o FMI deu um novo banho de água fria no mercado, ao anunciar que a previsão é que a dívida bruta brasileira pule do atual patamar de 89,5% do PIB estimado em 2019, para 98,2% do PIB neste ano. Em outubro, a previsão era de que a dívida bruta do País chegasse a 93,9% do PIB em 2020, e só passasse a cair a partir de 2023. 

Cenário internacional

No exterior, novamente as informações do FMI ajudaram a derrubar os mercados internacionais - e também o brasileiro. Segundo a diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, o crescimento na Ásia deve ser zero neste ano, um desempenho pior do que o registrado na Grande Recessão.

Nesse cenário, a América Latina e o Caribe também devem registrar uma profunda recessão provocada pela pandemia da covid-19, que deve levar a região a uma queda de 5,2% do PIB neste ano. A recuperação parcial pode vir em 2021, quando haverá expansão de 3,4%, aponta o FMI.

Já o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, lamentou em entrevista coletiva o fato de que na noite da última terça o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha anunciado a suspensão de financiamento à entidade. "Os EUA têm sido um amigo duradouro e generoso para a OMS e esperamos que continue a ser", afirmou a autoridade. A decisão veio em momento delicado, pois novos dados apontam que o coronavírus já deixou mais de 2 milhões infectados e fez 128.071 vítimas fatais em todo o mundo.

Dos Estados Unidos vieram outras notícias que ajudaram a desestabilizar as Bolsas a nível mundial. Entre elas, estão os resultados preocupantes dos balanços do Bank of America (BofA) e do Goldman Sachs, dois dos maiores bancos do país. Também preocupou a informação de que as vendas varejistas dos EUA caíram 8,7% em março ante fevereiro - o pior resultado mensal da história. Já o índice de atividade industrial Empire State despencou 78,2 em abril, enquanto a produção industrial norte-americana caiu 5,4% em março em relação a fevereiro.

Petróleo

A commodity teve um novo dia de quedas nesta quarta e encerrou pela primeira vez, em mais de 18 anos, abaixo de US$ 20. Os resultados vieram após a Agência Internacional de Energia (AIE) projetar uma queda de 9,3 milhões de barris por dia (bpd), na demanda deste ano. Já nos Estados Unidos, os investidores acompanham com cautela o estoque de 19,248 milhões de barris do petróleo no país, um nível considerado como recorde.

Como consequência, o WTI para maio, referência no mercado americano, fechou em queda 1,19%, a US$ 19,87, no valor mais baixo desde fevereiro de 2002. Já o Brent para junho, referência no mercado europeu, recuou 6,45%, a US$ 27,69 o barril. A alta no valor impactou diretamente o preço do dólar e também ajudou a derrubar as Bolsas mundiais.

Bolsas do exterior

As Bolsas de Nova York sentiram o impacto das notícias negativas em torno do novo coronavírus nos EUA e no mundo. Em resposta, o índice Dow Jones fechou em baixa de 1,86%, o Nasdaq recuou 1,44% e o S&P 500 caiu 2,20%. 

As Bolsas asiáticas fecharam sem sentido único nesta quarta. Na China continental, o índice Xangai Composto recuou 0,57% e o menos abrangente Shenzhen Composto, caiu 0,53%. Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei teve queda de 1,72% em Tóquio e o Hang Seng se desvalorizou 1,19% em Hong Kong, mas o Taiex subiu 1,11% em Taiwan. Na Coreia do Sul, não houve negócios hoje devido a eleições legislativas locais. Já na Oceania, a bolsa australiana encerrou o pregão no vermelho, com o S&P/ASX 200 recuando a 0,4% em Sydney.

Já as Bolsas da Europa fecharam em queda generalizada. Em Londres, o FTSE 100 caiu 3,34%, enquanto em Paris, o CAC 40 teve baixa de 3,76%. Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX registrou queda de 3,90% e o FTSE Mib recuou 4,78% em Milão. Já o Ibex 35 cedeu 3,79% em Madri e o PSI 20 recuou 2,20% em Lisboa./LUÍS EDUARDO LEAL, SÉRGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA, ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA E MAIARA SANTIAGO

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