Reuters
Reuters

Covid-19

Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

Em dia de instabilidade, Bolsa fecha em queda, aos 79 mil pontos; dólar fica a R$ 5,82

Temores em torno do coronavírus e previsões negativas fizeram a B3 cair e perder os 80 mil pontos; moeda americana chegou perto do recorde de R$ 5,84

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2020 | 09h03
Atualizado 11 de maio de 2020 | 18h55

A instabilidade ditou o tom do mercado nesta segunda-feira, 11, que teve uma sessão de idas e vindas com a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechando em queda de 1,49%, aos 79.064,60 pontos. Nesse cenário, o dólar manteve o ritmo de apreciação e fechou com alta de 1,37%, a R$ 5,82. Impactaram os negócios hoje, os temores em torno do novo coronavírus e as previsões negativas para o futuro da economia do País.

O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, começou o dia com queda de 0,60%, aos 79.785,39 pontos. Vale lembrar que na última sexta-feira, 8, o índice chegou a fechar aos 80 mil pontos. Na mínima do dia, às 16h45, a Bolsa caía 1,58%, aos 78.993,75 pontos. Já na máxima, às 10h43, bateu em 80.731,66 pontos. Com o fechamento de hoje, a B3 acumula perda de 1,79% no mês e de 31,63% no ano. O giro financeiro da sessão ficou em R$ 21,4 bilhões.

A queda do índice só não foi maior nesta segunda, devido a alta de algumas ações. Este foi o caso da BRF, com ganho de 11,26% e da Braskem, com alta de 8,34%. Caíram na B3 o IRB, com queda de 14,82% e a CVC, com baixa de 6,14%.

Já o dólar começou o dia com alta de 0,71%, cotado a R$ 5,78. Nesse cenário, a moeda manteve o seu ritmo de valorização até ser cotada a R$ 5,80, já pelo final da manhã. Na parte da tarde, o dólar subiu mais um pouco até atingir a máxima de R$ 5,83 - valor próximo de R$ 5,84, atual recorde nominal (sem considerar a inflação) para um fechamento da moeda.

No final da tarde, o Banco Central ainda fez um leilão de US$ 500 milhões de contratos de swap cambial (venda de dólar no mercado futuro), para conter a alta da moeda, o que evitou uma valorização ainda maior. O dólar já tem uma apreciação de 45% em 2020 e de 7,4% em abril, frente ao real. Ainda fechou em alta, o dólar junho, com ganho de 1,30%, a R$ 5,82. Já o dólar turismo caiu 0,2%, a R$ 6,05.

Cenário local

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta manhã que reduziu a previsão para o PIB do Brasil em 2020 de alta de 2,50% para recuo de 4,2%. Em cenário mais pessimista, afirma a entidade, a queda do PIB poderia chegar a 7,3% este ano. Já o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, aponta que pelo menos uma instituição prevê queda de 9% na economia do País em 2020. A mediana das projeções dos analistas, no entanto, é de recuo de 4,11%.

E em meio a possibilidade de uma recessão, o governo continua buscando possíveis formas de conseguir aliviar os impactos do vírus na economia. Ainda nesta segunda, cresceu os rumores em torno de um possível pacote de socorro de até R$ 20 bilhões para as companhias aéreas e também as elétricas, algumas das mais afetadas pela pandemia.

No entanto, os temores em torno do coronavírus seguem preocupando os investidores. No último domingo, 10, novos dados do Ministério da Saúde mostraram que o País já tem mais de 11 mil mortes pela covid-19, sendo que o total de infectados já ultrapassa a casa dos 162 mil. Com o avanço da doença, os olhos dos investidores seguem atentos aos possíveis lockdowns que ainda podem ser decretados em diferentes Estados e municípios do Brasil.

Contudo, apesar das preocupações em torno do vírus, o mercado ainda continua pressionado pelo 'cabo de guerra' entre o ex-ministro Sérgio Moro e Jair Bolsonaro. Na próxima terça-feira, 12, um grupo seleto definido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, vai ter permissão para assistir ao vídeo da reunião na qual Moro foi pressionado pelo presidente a fazer alterações na Polícia Federal.

Cenário internacional

O coronavírus também afetou negativamente o mercado internacional nesta segunda. Entre os investidores, há o temor de que uma segunda onda do vírus torne a ganhar força em países onde a doença parecia estar sob controle. Como consequência, alguns especialistas já questionam se a reabertura dos mercados vem em momento apropriado.

Esse é o caso da China, por exemplo. O país asiático registrou 17 novos casos de coronavírus, sendo cinco apenas em Wuhan, local onde a pandemia se originou. Vale lembrar que há quase um mês não há mortes na região em decorrência da doença. A expectativa agora fica em torno da origem do vírus: se ele veio de fora ou se as contaminações foram locais. 

Ainda nesse cenário, também causou temor a informação de que a Coreia do Sul registrou 35 novos casos da doença. A notícia rapidamente levantou a possibilidade de que o país possa enfrentar uma segunda onda de infecções.

E em meio ao coronavírus, deu certa calma ao investidor americano, a informação de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), poderá adotar taxas de juros negativas, para estimular a economia e dar fôlego ao mercado local, que agora segue atento ao processo de reabertura dos estados. 

Petróleo

Assim como o mercado global, a commodity foi afetada nesta segunda pelo possível retorno do vírus nos países asiáticos. Com isso, ficou em segundo plano a notícia de que a Arábia Saudita orientou a Saudi Aramco a fazer um corte na produção de petróleo em 1 milhão de barris por dia em junho, além do já comprometido no acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).

Em resposta, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em queda de 4,17%, a US$ 25,08 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado americano, recuou 4,42%, a US$ 29,60 o barril.

Bolsas do exterior

As Bolsas da Ásia fecharam sentido único nesta segunda. O índice Xangai Composto teve baixa marginal de 0,02% e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,24%. Na Coreia do Sul, a Bolsa caiu 0,54%, em SeulJá outras bolsas asiáticas se valorizaram. O índice japonês Nikkei subiu 1,05% em Tóquio, enquanto o Hang Seng avançou 1,53% em Hong Kong e o Taiex apresentou ganho de 1,03% em TaiwanNa Oceaniao S&P/ASX 200 teve alta de 1,3% em Sydney.

Resultado similar foi observado nas Bolsas da Europa. O índice Stoxx 600 encerrou em queda de 0,39%, enquanto na Bolsa de Londres, o índice FTSE 100 teve leve alta de 0,06%. Em Frankfurt, o índice DAX fechou em baixa de 0,73% e em Paris, o índice CAC-40 recuou 1,31%. O índice FTSE-MIB, da Bolsa de Milão, fechou em queda de 0,33%. Em Madri, o índice IBEX-35 caiu 1,63%. Já em Lisboa, o índice PSI-20 registrou baixa de 0,67%.

E as Bolsas de Nova York também não escaparam dos resultados mistos. O Dow Jones fechou em queda de 0,45%, o S&P 500 fechou em leve alta de 0,01% e o Nasdaq subiu 0,78% - ajudou o índice, a alta das ações da Microsoft, com 1,12%, Apple com 1,57% e Alphabet, com 1,39%./SÉRGIO CALDASFELIPE SIQUEIRA, ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA e MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.