José Patrício/ Estadão
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Covid-19

Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

Dólar fecha em novo recorde nominal, a R$ 5,26; Bolsa encerra com queda de 2,81%

Ao longo do dia, moeda chegou a bater em R$ 5,27 - maior valor para uma cotação diária; após altas, B3 voltou a cair e encostou novamente nos 69 mil pontos

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2020 | 09h09
Atualizado 01 de abril de 2020 | 19h12

O dólar voltou a disparar nesta quarta-feira, 01, e fechou o dia com um novo recorde nominal, quando não se considera a inflação. A moeda terminou sendo negociada a R$ 5,26, uma alta de 1,27%. O mau humor também atingiu a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que encerrou o pregão com queda de 2,81%, aos 70.966,70 pontos.

Desde a parte da manhã, a moeda americana não deu sinais de alívio. O dólar já abriu as negociações desta quarta em forte alta, de 1%, cotado a R$ 5,24. Pouco tempo depois, ele bateu novo recorde nominal para uma cotação diária, ao encostar em R$ 5,27. O real tem sido depreciado desde o início da crise do novo coronavírus, frente às moedas de maior força.

A situação foi parecida com a Bolsa brasileira. Nesta quarta, a B3 já abriu as negociações do dia em forte queda, superior a 4% - o que a fez perder temporariamente o patamar dos 70 mil pontos e voltar para a casa dos 69 mil pontos. Na mínima do dia, o Ibovespa, o principal índice do mercado brasileiro, bateu nos 69.549,52 pontos. No entanto, o movimento de queda não é de hoje: na última terça-feira, 30, o pregão também foi encerrado com uma queda superior a 2%.

Para se ter uma ideia, neste mês de março de 2020, em meio ao caos econômico que o mundo se encontra por conta da pandemia do novo coronavírus, causador da covid-19, tanto dólar (moeda dos Estados Unidos) e euro (moeda da União Europeia) ultrapassaram, pela primeira vez, desde o início do Plano Real, em 1994, o patamar de R$ 5. Ambas as moedas têm valorização superior a 25% neste ano. No caso do dólar, 29%, e, para o euro, 26%.   

Cenário local

Com os resultados negativos do dia, o mercado brasileiro já começa a trabalhar com a possibilidade de um novo corte de 50 pontos-base da Selic, taxa básica de juros, em maio diante da fragilidade da economia. A produção industrial de fevereiro, que sai nesta quarta, deve mostrar queda mesmo antes dos impactos do coronavírus.

Já nesta quarta, pesou sobre o mercado, as indiretas trocadas entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Na noite da última terça, os três trocaram farpas em torno da demora do governo, em aprovar o auxílio de R$ 600 a trabalhadores informais, MEIs e intermitentes. Apesar de Jair Bolsonaro ter prometido a aprovação para esta quarta, ainda não houve a sanção do projeto

Também hoje, a Câmara aprovou a PEC do 'orçamento de guerra', que cria uma espécie de orçamento separado para que o governo possa lidar com os gastos emergenciais relacionados ao novo coronavírus. Entre outras medidas, o governo também anunciou que vai destinar cerca de R$ 51 bilhões para complementar o salário de quem tiver a jornada reduzida.

No entanto, a economia do País começa a dar os primeiros sinais de desaceleramento. A Petrobrás já informou um corte na sua produção diária de barris e que também vai atrasar o pagamento dos salários de membros da gerência. O governo também já discute nos bastidores um auxílio de até R$ 17 bilhões às distribuidoras de energia, mas ainda não há consenso na equipe econômica. Porém, nem todos os resultados são negativos. Mesmo em meio novo coronavírus, o País ainda teve superávit de US$ 4,7 bilhões em março, uma alta de 9,7% em comparação ao mesmo período do ano passado. 

Cenário internacional

Os mercados do mundo inteiro reagiram negativamente nesta quarta ao discurso do presidente dos Estados UnidosDonald Trumpprojetar que haverá, ao menos, 100 mil mortes no país por conta do novo coronavírus, causador da covid-19. No mundo, são mais de 42 mil mortes e o 860 mil infectados.  

Na Europa, as notícias também foram negativas. De acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), as atividades industriais da zona do euro tiveram um recuo de 44,5, abaixo da preliminar de 44,8 e da marca de 49,2 em fevereiro. A leitura foi a mais baixa desde meados de 2012, em meio à crise da dívida da zona do euro, e bem abaixo da marca de 50, que separa crescimento de contração.

Nesse cenário de indefinições, o petróleo voltou novamente a fechar em queda. O WTI para maio, referência no mercado americano, terminou a sessão com perdas de 0,83%, a US$ 20,31 o barril. Já o Brent para junho, referência no mercado europeu, recuou 6,11%, a US$ 24,74 o barril. Vale lembrar que a commodity encerrou março com o pior trimestre da história, ao ser negociada abaixo de US$ 20 o barril.

Bolsas do exterior

Na Ásia, as bolsas somaram perdas. A maior queda foi vista no Japão, que recuou 4,50%, seguida da Coreia do Sul, com perdas de 3,94%, e Hong Kong, com queda de 2,19%. China Taiwan tiveram quedas menos expressivas, de 0,57% e 0,46%, respectivamente. O único país no oriente do mundo a ter alta foi a Austrália, na Oceania, com aceleração de 3,52%.

A mesma situação se deu nas Bolsas da Europa. Londres teve recuo de 3,83%, enquanto em Frankfurt, uma das principais Bolsas do velho continente, as perdas foram de 3,94%. Paris, Milão e Madri tiveram quedas de 4,30%, 2,79% e 3,04%, respectivamente. Já na Bolsa de Lisboa, as negociações se encerraram com desvalorização de 1,89%.

Acompanhando os temores do mercado, frente ao novo coronavírus, as Bolsas de Nova York também fecharam com queda nesta quarta.  O índice Dow Jones fechou em queda de 4,44%, o S&P 500 recuou 4,41% e o Nasdaq teve perdas de 4,41%./ LUCIANA XAVIER, SILVANA ROCHA, SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO, com informações da Reuters

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