JF Diorio/ Estadão
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Após manhã de recuperação, Bolsa fecha em queda de quase 2%; dólar fica acima de R$ 5

O Ibovespa, principal índice brasileiro, chegou a bater na casa dos 2,5% pela manhã, aos 70 mil pontos; na mínima do dia, moeda americana estava cotada a R$ 4,98

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2020 | 09h05
Atualizado 20 de março de 2020 | 20h52

A Bolsa de Valores de São Paulo, B3, fechou em queda de 1,85%, aos 67.069,36 pontos, nesta sexta-feira, 20. Pela manhã, o Ibovespa chegou a abrir com uma alta superior na 2,5%, recuperando o patamar de 70 mil pontos até o ínicio da tarde. Já o dólar, que também deu sinais de alívio ao longo do dia, terminou o dia cotado a R$ 5,0267.

A situação na Bolsa começou a piorar após o mercado americano se firmar queda, devido ao discurso de Donald Trump sobre impor mais restrições para combater o novo coronavírus. Em resposta, o índice brasileiro perdeu o ritmo e não conseguiu retornar nem ao patamar dos 68 mil pontos, alcançado na última quinta-feira, 19. Em uma de suas maiores baixas no dia, a B3 a chegou a perder mais de 2,17%, ficando na casa dos 66 mil pontos. 

Já o dólar abriu as negociações desta sexta em queda de 1,86%, batendo em R$ 5 - o número é uma resposta a melhora do mercado europeu e asiático. Às 12h47, o dólar perdeu, de maneira muito pontual, o patamar de R$ 4,99, até atingir a mínima do dia às 14h23, quando a moeda era cotada a R$ 4,98.  Nas casas de câmbio, de acordo com o levantamento do Estadão/Broadcast, a moeda americana era negociada entre R$ 5,19 e R$ 5,27. Isso é um bom recuo, já que, na última quinta-feira, 19, ela chegou a ser cotada acima de R$ 5,40. 

O analista de câmbio da Ourominas, Elson Gusmão, avalia que o novo leilão do BC com os títulos soberanos ajuda na queda do dólar, mas acredita que o mercado vai querer testar o limite do que o BC considera dólar alto. "Me parece que o BC acordou, estando mais atuante no câmbio", observa.

Contexto local

O anúncio de revisão do PIB do Brasil para 2020 contribuiu para o mau humor dos investidores. Na tarde desta sexta, o Ministério da Economia baixou a expectativa de 2,1% para 0,02%, o que indica que o País deve se manter próximo ao PIB de 1,1% de 2019. As previsões negativas ainda seguiram pela tarde, com a equipe de Paulo Guedes traçando um cenário de recessão para a economia brasileira neste primeiro semestre.

O mercado também não recebeu positivamente a notícia que o Brasil vai entrar em estado de calamidade pública. O pedido, feito por Jair Bolsonaro, foi aprovado no começo da tarde desta sexta, 19, pelo Senado e já foi publicado no Diário Oficial da União. Com o decreto, o governo não precisa mais cumprir a meta de um déficit de R$ 124,1 bilhões - e o rombo no orçamento pode chegar perto dos R$ 200 bilhões.

Contexto mundial

Nesta manhã, as Bolsas de Ásia e Europa reagiram às perdas, com ajuda de três medidas importantes, que têm protagonismo nas recuperações dos mercados no mundo. A primeira delas é a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que suprirá dólares a bancos centrais que passam dificuldades com a escassez da moeda americana. A segunda é a do Banco Central Europeu (BCE), que anunciou um novo programa de compra de ativos no valor de 750 bilhões de euros. A terceira é decisão do Banco da Inglaterra (BoE), que voltou a cortar os juros do país. 

Até então, por mais que muita coisa estivesse sendo feita, poucas medidas estavam chegando de forma efetiva no índices de cada país. Nos últimos dias, vários bancos centrais reduziram, por exemplo, taxas de juros, como os Estados Unidos, que reduziram ao patamar da faixa entre 0,25% e 0%, o que não acontecia desde 2008, e até mesmo o Brasil, que reduziu a Selic para o mínimo histórico, 3,75%. Tudo isso deveria servir como ânimo aos empresários, que terão crédito mais barato, mas, mesmo assim, houve quedas em grande parte dos mercados nos últimos dias, inclusive no brasileiro. Segunda e quarta foram dias de queda. Apenas na terça e na quinta-feira, 18, houve recuperação das perdas. Este movimento de "sobe e desce" é visto em todos os mercados no mundo. 

Já nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump deu uma declaração que desagradou o mercado. O presidente disse que não "era fã" das empresas fazerem a recompra de suas ações - para aumentar o índice -, após o anúncio de corte de impostos feito pelo seu governo. Ele também informou que vai reforçar o controle nas fronteiras com Canadá e México, vetando viagens não essenciais, além de restringir os voos entre os dois países. O governador de Nova York, Andrew Cuomo, também restringiu ainda mais a movimentação no estado e pediu para que todos trabalhem de casa.

Mercados internacionais 

Na Ásia, onde o mercado já está fechado, as Bolsas fecharam em alta, com algumas, inclusive, crescendo de forma relevante. Claro, todas elas, mesmo crescendo bem, ainda estão longe de recuperar as perdas por conta dos efeitos da pandemia do novo coronavírus, causador da Covid-19. 

A maior alta entre os países asiáticos foi na Coreia do Sul, com a expressiva marca de 7,44%, seguida de Taiwan (6,37%) e Hong Kong (5,05%). A China teve ganhos em 1,61% e a Tailândia registrou um avanço tímido, de 0,06%, pelo terceiro dia consecutivo. No Japão , a Bolsa de Tóquio não funcionou, por conta de um feriado local. Na Oceania, a Bolsa da Austrália se recuperou de forma mais modesta, com fortes altas dos setores petrolífero e imobiliário, mas quedas em ações de empresas da áreas de saúde, avançando 0,93%. 

Na Europa, o dia terminou de forma positiva. A Bolsa de Londres fechou em alta de 1,76%, a de Frankfurt teve ganho de 3,70% e a de Paris se valorizou 5,01%. Em MilãoMadri Lisboa, os ganhos foram de 1,71%, 0,74% e 2,06%, respectivamente. Os resultados foram uma resposta às ações coordenadas dos bancos centrais europeus. Além da compra de ativos, o BCE também anunciou uma ação coordenada de swap cambial com o Fed e regras mais flexíveis de regulação para o sistema bancário local. As autoridades estimam que o pacote econômico proposto consiga provocar um alívio de capital de 120 bilhões de euros, que poderão ser usados para absorver perdas ou potencialmente financiar até 1,8 trilhão de euros em empréstimos.

No entanto, as Bolsas de Nova York não acompanharam o bom humor dos mercados europeu e asiático. O Dow Jones fechou em queda de 4,55%, a Nasdaq teve perdas de 3,79% e o S&P 500 4,34%. Na semana, os índices acumularam uma perda histórica de 17,30%, 12,64% e 14,98%, respectivamente./ SILVANA ROCHA, MARCELA GUIMARÃES, GABRIEL BUENO DA COSTA, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO.

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