Werther Santana / Estadão
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"be water"

Coluna Leandro Miranda: como se moldar à nova economia após a covid-19?

Bolsa amplia ganhos e fecha aos 78 mil pontos; dólar recua e fica em R$ 5,14

Com os resultados desta quarta, o Ibovespa já acumula três dias consecutivos de altas; moeda americana segue valorizada, mas perdeu o patamar de R$ 5,20

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2020 | 09h18
Atualizado 08 de abril de 2020 | 19h45

A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta pelo terceiro dia consecutivo. Nesta quarta-feira, 8, a B3 encerrou o pregão com ganho de 2,97%, aos 78.624,62 pontos. Os resultados positivos também atingiram o dólarA moeda americana tornou a cair e terminou o dia com queda de 1,60%, sendo negociada a R$ 5,14.

O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, iniciou as negociações desta quarta de maneira estável, mantendo o patamar de 76 mil pontos do pregão anterior. Na máxima do dia, às 16h09, a Bolsa bateu nos 79.076,03 e voltou novamente, assim como na última terça-feira, 7, a encostar perto do patamar de 80 mil pontos - algo que não acontecia desde o início da crise do novo coronavírus, causador da covid-19.

Vale lembrar que na última segunda-feira, 6, a B3 encerrou o pregão com alta de 6,52%, aos 74.072,98 pontos. O resultado positivo também se estendeu para a última terça, quando o índice avançou 3,08%, aos 76.358,09 pontos. Com os números, a Bolsa já tem ganho de 13,07% na semana e de 7,68% no mês, mas as perdas ainda são de 32,01% ao ano. No pregão de hoje, foram as notícias relacionadas ao petróleo e ao cenário eleitoral americano que animaram os investidores.

Já o dólar abriu as negociações em leve queda, após ter tido um forte recuo na última terça. O declínio da cotação da moeda americana na abertura foi de cerca de 0,1% e o valor se manteve acima de R$ 5,20, cotada a R$ 5,21. Porém, ao longo das negociações, o real passou a se depreciar e dólar tornou a subir. Na máxima do dia, ele era negociado a R$ 5,24.

A situação apenas foi controlada após o Banco Central anunciar a venda da moeda para baixar a cotação, em acordos de swap cambial - que equivale a venda de dólares no mercado futuro. Com a ação, o valor recuou e a mínima do dia, de R$ 5,15, pode ser atingida. O resultado, apesar de ainda ser elevado, já é uma boa notícia: vale lembrar que na última sexta-feira, 2, o dólar fechou cotado a R$ 5,32 e bateu um novo recorde nominal, quando não é descontada a inflação.

Contexto local

Nesta quarta, o mercado continua atento aos impactos do novo coronavírus no Brasil. Segundo novos dados do Ministério da Saúde, 133 pessoas morreram nas últimas 24 horas no País, enquanto 2.200 novos casos foram notificados. Ao todo, são 15.917 infectados e ao menos 800 vítimas fatais da doença.

Novos resultados também mostram outros sinais do desaquecimento da economia. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o vírus já provocou prejuízo de R$ 14 bilhões para o setor de turismo apenas em março. A situação é parecida com o setor de serviços, que teve queda de 1% em fevereiro, mas essa ainda não foi causada pelo coronavírus. Enquanto isso, alguns Estados já sofrem com a disparada do preço do gás de cozinha - o que vai na contramão do petróleo, que tem sofrido com dias de constante desvalorização. 

Nesse cenário, já gera grande preocupação os gastos do governo em meio à crise causada pelo vírus. Segundo cálculos da equipe econômica, o projeto paralelo de socorro a Estados e municípios do Planalto pode ter um custo adicional de R$ 180 bilhões aos cofres públicos. A 'bomba' fiscal, que será votada ainda nesta quarta pelo Congresso, pode causar impactos até a próxima década, conforme disse Marcos Lisboaeconomista e presidente do Insperdurante entrevista ao Estado.

Contexto internacional

O mercado se agitou nesta quarta após a notícia de que Bernie Sanders - candidato não muito estimado pelos investidores -, desistiu de concorrer à presidência dos Estados Unidos. Com a decisão do democrata, o caminho fica oficialmente livre para Joe Biden. Um anúncio oficial deverá ser feito nas próximas semanas, já que a atenção do país segue voltada aos mais de 400 mil infectados e 12 mil mortos pelo vírus - número 

No entanto, o resto dia foi marcado pelo temor do mercado frente aos impactos do novo coronavírus. Nesse cenário, o Reino Unido já se prepara para a chegada do pico da doença, enquanto também aguarda pela saída do primeiro ministro, Boris Johnson, da UTI. Enquanto isso, o governo britânico segue fazendo o máximo para evitar a falência do setor aéreo. Segundo decidido nesta quarta, as companhias locais vão poder adiar o pagamento de impostos por utilizar espaço aéreo europeu, em até 14 meses.

A situação também é parecida no Japão. Após o governo declarar estado de emergência por um mês na região metropolitana de Tóquio e em outras áreas populosas, a equipe econômica já trabalha em medidas para conter o desaquecimento da economia. Entre elas, está o pacote de quase US$ 1 trilhão para gastos emergenciais e também repasses para as famílias que tenham sofrido forte perda de renda devido ao vírus

Já nos demais países da Europaainda não há um consenso sobre quais medidas tomar durante a crise. A comissão criada para criar estratégias de enfrentamento aos impactos do vírus não chegou a um acordo nesta quarta, o que ajudou a aumentar ainda mais a desconfiança dos investidores.

Petróleo

Apesar das quedas do dia anterior, a commodity tornou a fechar em alta nesta quarta. Os bons resultados foram motivados pela possibilidade de que um acordo seja firmado na próxima quinta-feira, 9, entre os países da Opep+. Desde a semana passada, boatos de que Rússia e Arábia Saudita poderiam fazer um corte sincronizado na produção do petróleo, após serem motivados pelos Estados Unidos, tem circulado nos noticiários. 

O petróleo WTI para maio, referência no mercado americano, fechou em alta de 6,18%, a US$ 25,09 o barril. Já o Brent para junho, referência no mercado europeu, subiu 3,04%, a US$ 32,84 o barril.

Bolsas do exterior

A notícia da desistência de Sanders animou o mercado americano. Em resposta, as Bolsas de Nova York fecharam em alta nesta quarta, após as perdas do dia anterior. O Dow Jones fechou em alta de 3,44%, o Nasdaq subiu 2,58% e o S&P 500 teve ganho de 3,41%.

As Bolsas da Ásia terminaram o dia sem direção única. Na China continental, os mercados sofreram perdas modestas: o Xangai Composto recuou 0,19% e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,16%. Por outro lado, o índice japonês Nikkei subiu 2,13% em Tóquio. O Hang Seng teve baixa de 1,17% em Hong Kong e o sul-coreano Kospi se desvalorizou 0,90% em Seul, mas o Taiex avançou 1,41% em Taiwan. Já na Oceania, a Bolsa australiana ficou no vermelho. O S&P/ASX 200 caiu 0,86% em Sydney, depois de chegar a apresentar queda de até 2,5% e subir 1,3% em seu melhor momento. 

As bolsas da Europa também terminaram o dia com resultados opostos. Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em baixa de 0,47% assim como em Frankfurt, onde o DAX recuou 0,23%. Já na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 subiu 0,10% enquanto em Lisboa, o PSI 20 subiu 0,05%. O índice FTSE MIB da Bolsa de Milão recuou 0,18% e o índice Ibex 35, em Madri, caiu 0,72%./ SERGIO CALDAS, LUCIANA XAVIER, SILVANA ROCHA, FELIPE SIQUEIRA, GABRIEL BUENO DA COSTA E MAIARA SANTIAGO

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