Epitácio Pessoa/AE
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E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

Com exterior favorável, Bolsa fecha aos 81 mil pontos; dólar fica a R$ 5,68

B3 e câmbio foram positivamente influenciados pelo acordo de cooperação entre Opep e China para tentar estabilizar mercado de petróleo; cenário político ainda preocupa

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 09h08
Atualizado 20 de maio de 2020 | 18h35

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, teve um dia positivo nesta quarta-feira, 20, e encerrou aos 81.319,45 pontos, uma alta de 0,71%. O dólar também deu uma trégua e fechou com queda de 1,17%, cotado a R$ 5,6890 - esta é a primeira vez desde 5 de maio que a moeda termina abaixo de R$ 5,70. Os resultados favoráveis do dia foram motivados pela sinalização positiva da Opep e da China para o petróleo. Porém, o conturbado cenário político brasileiro ainda traz insegurança ao investidor.

O anúncio do acordo entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a China faz parte de um esforço mundial para tentar estabilizar a indústria do petróleo, impactada por preços cada vez mais baixos. Eles também se comprometeram a discutir formas de reequilibrar a oferta e demanda da commodity.

A sinalização positiva da commodity fortaleceu o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, que já abriu em alta de 1,27%, aos 81.764,51 pontos. Na máxima do dia, fortalecida pelas altas em Nova York, a B3 subia aos 82.290,49 pontos. Com os resultados de hoje, a Bolsa acumula ganho de 4,85% na semana e 1,01% no mês. No ano, ela cede a 29,68%.

Na B3, Azul PN e Gol PN fecharam com alta de 12,31% e 8,84%, respectivamente - mais cedo, ambas chegaram a entrar em leilão por oscilação maior que a permitida. O movimento de alta foi impulsionado pela fala do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de que haverá espaço para uma redução das restrições à circulação de pessoas a partir de 1.º de junho. Ele não citou a possibilidade de estender o isolamento para além de 31 de maio.

Câmbio

O dólar começou as negociações do dia em queda de 0,58% cotado a  5,7233. Pouco tempo após a abertura, a moeda alcançou a máxima do dia, R$5,7538. Já na mínima do dia, por volta das 11h, o dólar era cotado a R$ 5,6757, uma queda de 1,40%. Com os resultados desta quarta, a moeda tem alta de 4,56% no mês e de 41,84% no ano.

Assim como a Bolsa, a baixa acompanha uma tendência internacional. No fim da tarde em Nova York, o dólar caía a 107,54 ienes, o euro subia a US$ 1,0984 e a libra tinha baixa a US$ 1,2230. Diminuiu o ritmo da moeda, a ata divulgada pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), que mostra o receio de novas ondas de contaminações do coronavírus com o processo de reabertura econômica.

O dólar para junho fechou com queda de 1,15%, a R$ 5,6965. Já o dólar turismo, segundo levantamento do Estadão/Broadcast, é negociado próximo de R$ 6 nas casas de câmbio.

Cenário local

Apesar da sinalização positiva vinda do exterior, ainda há insegurança quanto ao clima político do País. As expectativas continuam altas, em torno da divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril entre o ex-ministro Sergio Moro e Jair Bolsonaro, também pesa o depoimento do empresário Paulo Marinho à Polícia Federal. A esse cenário, se soma a recente demissão de Regina Duarte da Secretaria da Cultura, deixando uma nova cadeira a ser preenchida no governo.

Ainda causa preocupação, a recente liberação feita pelo Ministério da Saúde, para o uso da cloroquina nos casos mais leves do novo coronavírus. A medida vai contra a indicação de especialistas e da própria Organização Mundial da Saúde (OMS), que ainda não conseguiram comprovar a eficácia do medicamento contra a covid-19.

Cenário internacional

No Reino Unido, repercutiram as declarações do presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, e de dirigentes da instituição, em audiência virtual ao Parlamento britânico. Na sessão, Bailey não descartou a possibilidade de a autoridade monetária adotar juros negativos e de comprar ativos de risco. Em resposta, o índice Stoxx 600 encerrou com ganho de 0,98%.

Porém, notícias negativas ainda circularam pela zona do euro nesta quarta. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% na comparação anual de abril, desacelerando significativamente em relação ao aumento de 0,7% observado em março.

Na Ásia, a Coreia do Sul informou que pretende criar um instrumento com recursos equivalentes a mais de US$ 8 bilhões para comprar dívidas corporativas de alto risco. Já o PBoC, o Banco Central da China, optou por deixar seus juros de referência para empréstimos nos níveis atuais, em clima de cautela antes da reunião anual do legislativo chinês, que começa na sexta-feira, 22.

Petróleo

A commodity foi amplamente favorecida pelo acordo entre a Opep e a China e teve resultados positivos nas principais Bolsas do mundo. Em Londres, a petroleira BP fechou com ganho de 1,40% e em São PauloPetrobrás PN e ON fecharam respectivamente em alta de 3,32% e 3,01%. Em Nova York, Chevron e ExxonMobil avançaram 3,78% e 3,25% cada.

Nesse cenário, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta 4,79%, a US$ 33,49 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, avançou 3,17%, a US$ 35,75 o barril.

Bolsas do exterior

Sem serem beneficiadas pelo acordo, as Bolsas da Ásia fecharam sem sinal único. O japonês Nikkei subiu 0,79% em Tóquio, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,46% em Seul. Na China continental, o Xangai Composto caiu 0,51% e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,97%, a 1.805,86 pontos. O Hang Seng registrou alta marginal de 0,05% em Hong Kong e o Taiex subiu 0,44% em Taiwan. Na Oceania, o S&P/ASX 200 avançou 0,24% em Sydney.

Já na Europa, a possível estabilidade do mercado de petróleo favoreceu os índices. Em Londres, o FTSE 100 avançou 1,08% e em Paris, o CAC 40 subiu 0,87%. Na Bolsa de Frankfurt, o DAX ganhou 1,34%. O FTSE MIB de Milão, o Ibex 35 de MadriPSI 20 de Lisboa subiram 1,05%, 1,13% e 1,00%, respectivamente. 

Os resultados não foram diferentes nas Bolsas de Nova York O Dow Jones fechou em alta de 1,52%, o Nasdaq subiu 2,08% e o S&P 500 avançou 1,67%. Entre os ganhos de NY, estão Bank of America, com 3,15%, Boeing com 2,21% e Alphabet, com 2,53%. /SÉRGIO CALDAS, ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA E MAIARA SANTIAGO.

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