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Após discurso de Powell, Bolsa encerra com queda de 2% e dólar fecha a R$ 4,93

Presidente do Fed, o BC americano, jogou um balde de água fria no mercado ao trazer previsões negativas; no Brasil, previsão da OCDE de queda no PIB também desanimou

Maiara Santiago, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2020 | 09h05
Atualizado 10 de junho de 2020 | 18h09

A fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), jogou um balde de água fria no mercado nesta quarta-feira, 10, e pressionou a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3que ampliou as perdas do pregão anterior e fechou com queda de 2,13%, aos 94.685,98 pontos. O discurso também pesou no dólar, que voltou a subir e fechou com alta de 0,97%, cotado a R$ 4,9355.

Após o mercado comemorar o fato dos Estados Unidos ter criado mais de 2,5 milhões de vagas em maio, Jerome Powell, presidente do Fed, fez questão de ressaltar o fato de que muitas pessoas talvez não consigam recuperar seus empregos no final da crise. Ele também apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA para o 2º trimestre deve mostrar o recuo mais severo da história americana. Powell apenas aliviou no final, ao estimar que a economia do país deve crescer 5% em 2021.

Pouco tempo após as declarações de Powell - e influenciado pelo clima misto em Nova York -, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, caiu 2,15% e atingiu a mínima do dia, aos 94.668,81 pontos. No final do pregão, a B3 chegou a ensaiar um retorno aos 95 mil pontos, o que não aconteceu - pela manhã, ela chegou a abrir em alta, aos 97 mil pontos.

Com a queda de hoje, os ganhos da semana se reduziram para 0,05%, mas em junho, o índice ainda tem forte ganho de 8,33%. No ano, ele cede 18,12%. Entre as perdas desta quarta, estão Eletrobrás, com 5,59%, Santander, com 4,89% e Gol, com 9,64%.

Cenário local

Além do Fed, o mercado local também reflete as previsões negativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que estima uma contração de pelo menos 7,4% para o PIB do Brasil neste ano, que ainda pode registrar um tombo de 9,1%, caso haja uma segunda onda de contaminação do coronavírus, que obrigue um novo fechamento da economia.

Na agenda econômica, chamou a atenção o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial da inflação, que saiu de uma deflação de 0,31% em abril para uma queda de 0,38% em maio, o menor resultado desde agosto de 1998, quando foi de -0,51%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as quedas nos preços dos combustíveis e das passagens aéreas puxaram o resultado, mas as famílias também gastaram menos com habitação, vestuário, saúde e despesas pessoais. 

Câmbio

Após abrir em queda de 1%, na casa de R$ 4,84, o dólar subiu ao patamar de R$ 4,90, mas caiu, após o Fed decidir manter a taxa básica de juros americana entre 0% e 0,25% até 2022. Porém, pouco tempo após, a moeda rapidamente tornou a subir durante o discurso pessimista de Powell e atingiu a máxima do dia, cotada a R$ 4,9515, uma alta de 1,29%. 

Apesar da moda americana ter voltado a subir nos últimos dias, este já o terceiro pregão seguido em que ela opera abaixo do patamar de R$ 5. Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é negociado próximo de R$ 5. Já o dólar para julho também é pressionado pelo exterior e já sobe a R$ 4,9560.

Cenário internacional

Além do Brasil, a OCDE também traçou perspectivas negativas para PIB global, com uma contração de 6% em 2020. Já o vice-presidente do Banco Central Europeu, Luis de Guindos, comentou que a economia da zona do euro só deve retornar aos níveis pré-pandemia daqui a dois anos. Por lá, o Stoxx 600 encerrou em baixa de 0,38%.

Na China, os últimos da inflação ficaram abaixo do esperado. A taxa anual de inflação ao consumidor desacelerou de 3,3% em abril para 2,4% em maio, ante projeção de 2,6% de analistas. Já o ritmo de queda anual dos preços ao produtor se aprofundou de 3,1% para 3,7% no mesmo período. Neste caso, a previsão era de recuo de 3,2% em maio.

Petróleo

A commodity não se deixou influenciar pelo discurso pessimista de Powell e focou apenas nos detalhes positivos, como a perspectiva de retomada da economia dos EUA e a manutenção das taxas de juro perto de 0%. As boas notícias vindas do Fed ajudaram a apagar o impacto negativo do relatório do Departamento de Energia (DoE) americano, que apontou para um estoque de 5,72 milhões de barris - a expectativa era de apenas 1,2 milhão.

Nesta quarta, o petróleo WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta de 1,70% a US$ 39,60 o barril. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, avançou 1,34%, a US$ 41,73 o barril.

Bolsas do exterior

Na Ásia, as Bolsas fecharam sem sinal único à espera do Fed. O japonês Nikkei subiu 0,15%, o Hang Seng teve baixa marginal de 0,03% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi avançou 0,31% e o Taiex registrou ganho de 0,71% em TaiwanNa China, os índices fecharam sem sinal único, com Xangai Composto recuando 0,42% e o Shenzhen Composto subindo 0,30%. Na Oceania, o S&P/ASX avançou 0,06% em Sydney

Os mercados da Europa também caíram, com a atenção voltada para Powell. A Bolsa de Londres fechou com queda de 0,10% e a de Frankfurt recuou 0,70%. O índice de Paris teve baixa de 0,82% e o de Milão caiu 0,86%. Já Madri e Lisboa perderam 1,14% e 0,88%, respectivamente.

Com o anúncio do Fed, as Bolsas de Nova York acabaram por encerrar sem sinal único, em um clima misto. O Dow Jones caiu 1,04% e o S&P 500 recuou 0,53%. Apenas o Nasdaq encerrou com alta de 0,67%, aos 10.020,35 pontos - novo recorde para um fechamento. Fortaleceu o índice, a alta das ações da Apple, que bateu recorde ao ser a primeira empresa dos EUA a valer US$ 1,5 trilhão./LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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