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Bolsa fecha em leve baixa com questões fiscais do País; dólar fica a R$ 5,62

Por aqui, investidor segue preocupados com o teto de gastos e atentos ao Renda Cidadã; no exterior, Nova York subiu forte com ata do Federal Reserve

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2020 | 09h15
Atualizado 07 de outubro de 2020 | 18h02

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em leve baixa de 0,09%, aos 95.526,26 pontos nesta quarta-feira, 7, com os investidores ainda atentos ao quadro fiscal do País, com o Renda Cidadã e preocupados com o teto de gastos. O cenário impediu o mercado local de acompanhar o bom humor de Nova York, que teve um dia de ganhos consistentes. Ainda hoje, o real também perdeu força e o dólar encerrou com ganho de 0,53%, a R$ 5,6250.

As idas e vindas na costura do Renda Cidadã - que deve sair apenas depois das eleições municipais - e na discussão das fontes de financiamento ao futuro programa de auxílio contribuem para que o mercado engula com uma pitada de sal o recente compromisso do governo de construí-lo dentro do teto de gastos. "Há muito vai, não vai e até que se tenha a definição do que de fato será feito, o mercado continuará a ser movido pelo rumor. Não tem jeito", diz um operador de renda variável.

 

Nesse cenário, o Ibovespa, que até então mostrava perdas moderadas, voltou a terreno positivo e renovou máximas da sessão (96.379,57), mas acabou devolvendo os ganhos perto do fim."Chegamos a ter hoje uma leve alta, nada muito consistente, em cima de uma ação ou outra de peso, como Vale, com 2,64% e Ambev, com 1,42%. O mercado ainda não está muito convencido, então os movimentos seguem bem contidos, ainda em razão de incertezas como a eleição americana e a situação fiscal no Brasil. A fala do Guedes chegou a animar um pouco, mas o que se tem é volatilidade até que surjam definições", diz Márcio Gomes, analista da Necton Investimentos.

Ainda segundo fontes ouvidas hoje pelo Estadão/Broadcast em Brasília, se não for encontrada uma fonte de financiamento para o Renda Cidadã, o programa não será executado. De acordo com as mesmas fontes, a decisão do presidente Bolsonaro é de fazer o Renda Cidadã dentro do teto constitucional.

"O mercado aguarda coesão, uma posição em direção única: ainda se percebe desgaste da equipe econômica, alguma perda de credibilidade com a pressão por gastos a partir da ala política, inclusive dentro do governo. O mercado não está comprador nesta situação atual, que favorece posições curtas, na falta de direcional - até junho, julho, estava pagando para que desse certo, mas já no início de agosto veio a luz amarela", diz Thomás Gibertoni, especialista em investimentos da Portofino Multi Family Office.

Entre as ações, destaque nesta quarta para siderurgia, em especial Usiminas, com 2,62% e Gerdau PN, com 3,23% - maior alta do Ibovespa na sessão. Logo atrás veio Gerdau Metalúrgica, em alta de 3,19% no fechamento. No lado oposto do Ibovespa, IRB teve novo dia de perda acentuada, hoje de 10,18%, seguido por CVC, com 5,76% e Cielo, com 5,13%. Com os resultados de hoje, a Bolsa acumula alta de 1,31% na semana e sobe 0,98% no mês, mas ainda cede 17,40% no ano.

A baixa na sessão de hoje veio também descolada dos ganhos do mercado acionário de Nova York, que subiu após o Federal Reserve (Fed, o BC americano) renovar na ata de reunião o compromisso em apoiar a atividade. Por lá, Dow Jones fechou com ganho de 1,91%, S&P 500 avançou 1,74% e Nasdaq teve alta de 1,88%. Nem mesmo o fato do Fed ter cobrado mais estímulos, um dia após Trump barrar as negociações até as eleições, diminuiu o ânimo dos investidores.

Câmbio

O real operou hoje descolado de outras moedas de países emergentes, em dia em que a influência do noticiário doméstico acabou ofuscando o exterior positivo. Com os investidores propensos a tomar risco no mercado internacional, o dólar caiu de forma generalizada, chegando a recuar mais de 1% no México, mas aqui o vai-e-vem sobre a situação fiscal do Brasil falou mais alto e a moeda americana acabou tendo novo dia de volatilidade, firmando alta na reta final dos negócios. Ainda hoje, o dólar para novembro fechou com alta de 0,34%, a R$ 5,6170.

O noticiário fiscal dominou as atenções das mesas de câmbio. Primeiro, o dólar foi às máximas do dia com a notícia do portal da revista Veja de que o governo estudava prorrogar o auxílio emergencial até junho de 2021. Pouco depois, o ministro da Economia, Paulo Guedes, negou esta intenção e o dólar caiu para as mínimas. Já nos negócios da tarde, a moeda chegou a zerar a queda diante a possibilidade do Renda Cidadã ser cancelado se não for descoberta uma fonte de financiamento. 

Para um ex-diretor do Banco Central, os ruídos sobre a situação fiscal do Brasil e a volatilidade acima da média no mercado só vão acabar quando o governo detalhar com clareza as fontes de financiamento do Renda Cidadã e como vai ficar o Orçamento de 2021. Sem essa clareza, diz ele, o dólar não sai do nível atual, em volta dos R$ 5,60, bem acima do que sugerem os fundamentos da economia, ao redor de R$ 5,00, calcula ele.

"Com o presidente Bolsonaro interessado em que a Renda Cidadã comece no início de 2021, as preocupações sobre a quebra do teto de gastos não vão diminuir", afirma o economista para mercados emergentes da consultoria Capital Economics, William Jackson. Na avaliação do economista, o novo programa social do governo já provocou uma "confusão" no país e a pressão para mais flexibilidade fiscal em Brasília vai persistir, estressando os investidores. Ele espera o dólar acima de R$ 5,00 ao menos até o final de 2021./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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