Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Bovespa tem sétima alta consecutiva e acumula ganho de 7% no período

Em terceira queda seguida, dólar encerrou o dia a R$ 3,25, mesmo com nova intervenção do BC

Paula Dias, Silvana Rocha, Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2016 | 09h56
Atualizado 14 Julho 2016 | 19h07

A Bovespa computou a sétima alta consecutiva, ultrapassou os 55 mil pontos e fechou no maior nível desde 19 de maio de 2015, 55.480,86 pontos (+1,62%), embalada pela continuidade do apetite por ativos de risco no exterior e fatores internos. Nesse ciclo, os ganhos acumulam 7%. Lá fora, as Bolsas europeias e em Nova York fecharam com ganhos em meio à subida do petróleo, a divulgação de balanços positivos do setor financeiro nos Estados Unidos e sobretudo de expectativas de novos estímulos do Banco da Inglaterra (BoE) na próxima reunião, em agosto. Hoje, o BoE decidiu manter a taxa de juros inalterada neste mês, em 0,50%, o que contrariou as previsões de queda. Para analistas, a instituição também sinalizou que o ritmo da alta será gradual.

Do lado interno, ajudaram a sustentar a Bolsa a recomendação do Brasil e de ações do setor financeiro por bancos estrangeiros assim como a vitória do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a Presidência da Câmara. A eleição de  Maia, mesmo não sendo a primeira opção de Michel Temer, foi recebida com otimismo, uma vez que o deputado pertence a uma legenda da base do governo e, portanto, é um aliado do presidente em exercício. Com isso, a expectativa é de que o governo terá maior facilidade em ver aprovadas as medidas fiscais que deve enviar à Casa. A definição do sucessor de Eduardo Cunha contribuiu para impulsionar ações importantes na Bolsa e fortalecer o real.

O grande catalisador da alta do Ibovespa foi o grupo de ações do setor financeiro, com ganhos bem superiores ao do índice. Para se ter ideia, o IFinanceiro, índice que congrega apenas papéis de empresas financeiras, de previdência e seguros, terminou o dia em alta de 3,14%, quase o dobro do Ibovespa.

As altas no setor foram incrementadas por um relatório do banco Credit Suisse elevando a recomendação para ações de Bradesco, Itaú Unibanco e Itaúsa, levando em conta a melhora de perspectiva no cenário político-econômico. Ao final do pregão, Itaú Unibanco PN teve alta de 4,12%, Bradesco PN avançou 4,12% e Itaúsa ON subiu 3,58%. Apesar de não ter tido a recomendação elevada pelo banco suíço, Banco do Brasil ON correu por fora e fechou com alta de 5,32%, pegando carona com o cenário político favorável.

A alta do Ibovespa teria sido maior não fosse a queda das ações da Vale, contrariando o desempenho positivo de suas pares no exterior. Os papéis terminaram o dia em baixa de 2,64% (ON) e de 2,47% (PNA). Além da queda de 1,2% do minério de ferro no mercado à vista chinês e da piora na perspectiva para os preços da commodity, as ações reagiram negativamente ao noticiário envolvendo a Samarco, empresa da qual é sócia.

Ontem, o Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais abriu procedimento investigatório criminal contra o atual presidente da Samarco, Roberto Lúcio Nunes de Carvalho, para apurar o não cumprimento de forma integral de ações emergenciais determinadas pelo Ibama por causa do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015. O MPF cobra R$ 155 bilhões da Samarco pelos prejuízos causados pelo acidente e a primeira audiência no processo foi marcada na última terça-feira para 13 de setembro.

O volume de negócios totalizou R$ 8,85 bilhões, bem acima da média diária de julho, de R$ 6,22 bilhões. Esse crescimento no montante, segundo operadores, reflete o fluxo internacional claramente positivo na Bolsa nos últimos dias. Até a última terça-feira, os estrangeiros ingressaram com R$ 679,350 milhões na Bovespa. Em julho, o saldo acumulado está positivo em R$ 2,404 bilhões. No acumulado de 2016, a Bolsa contabiliza ingresso de R$ 15,045 bilhões em recursos externos.

Em sete dias de alta, o Ibovespa contabiliza ganho de 7,02%. No acumulado de julho, o índice tem valorização de 7,68%. No ano, a alta é de 27,99% em reais e de 55,50% em dólares. Para Spyer, da Mirae, a manutenção das ordens de compra depende essencialmente dos recursos externos. Ele acredita que o Ibovespa tenha fôlego uma alta de até 10%, mas pode esbarrar em diversas das incertezas que ainda pairam no cenário.

"Desde o Brexit que há um grande fluxo de 'smart money' ingressando no Brasil. Esses investidores estão atentos a diversas variáveis, como Donald Trump, por exemplo. É um dos riscos no cenário", afirma.

DÓLAR. Em baixa o dia todo, o dólar acumulou a terceira queda consecutiva ante o real no segmento vista, mesmo com uma nova intervenção do Banco Central no mercado. Em meio a um movimento de realização de lucros, a divisa norte-americana chegou a cair 1,60% pela manhã, aos R$ 3,2170, menor valor intraday desde 1º de julho, quando foram retomados os leilões de swap cambial reverso. No entanto, as perdas passaram a ser reduzidas ao longo do dia até a máxima intraday de R$ 3,2582 (-0,34%) durante à tarde, em resposta à busca por proteção diante das preocupações de que o crescimento da China poderá ficar abaixo do esperado.

As recompras de moeda foram atraídas pela baixa cotação do dólar internamente e pela redução das quedas no exterior, afirmou o superintendente regional da SLW Corretora, João Correa. A corrida por proteção, na avaliação do profissional, foi estimulada por especulações de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China, que será divulgado hoje à noite, pode vir abaixo do esperado (+6,6%).

No balcão, o dólar fechou hoje aos R$ 3,2594, em queda de 0,30%, com giro total de US$ 1,264 bilhão, de acordo com a clearing da BM&F Bovespa. No período de três dias, a baixa acumulada é de 1,46%. Já no mercado futuro, o contrato de dólar para agosto recuava 0,23%, aos R$ 3,2745, às 17h20, quando o volume de negócios somava US$ 11,590 bilhões.

Por toda a sessão, prevaleceu um clima de negócios positivo, decorrente da sinalização do Banco da Inglaterra (BoE) de que poderá reduzir juros em agosto, apesar de ter frustrado expectativas ao manter hoje a taxa em 0,50%. Os participantes do mercado esperam que o cenário de liquidez internacional se traduza em entrada de recursos em países emergentes, como Brasil, que tem sido visto de maneira mais positiva por instituições financeiras.

 

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