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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Dólar volta a recuar e fecha a R$ 5,09, enquanto Bolsa encerra com alta de 2%

Moeda americana e B3 começam a retomar seus patamares pré-crise, impulsionadas pela abertura das economias europeias e asiáticas

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2020 | 09h10
Atualizado 03 de junho de 2020 | 22h42

A reabertura de algumas das maiores economias do mundo, somado ao início do relaxamento no País, fez com que o dólar caísse perto dos R$ 5, algo visto apenas em março. Nesta quarta-feira, 3, a moeda fechou a R$ 5,0901, uma queda de 2,28%. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3também foi favorecida e encerrou com alta de 2,15%, aos 93.002,14 pontos. 

De forma geral, a aposta é na retomada após a reabertura, sobretudo na Europa e Ásia neste momento. Nos Estados Unidos, o fechamento de vagas no setor privado totalizou 2,76 milhões em maio, abaixo da expectativa de 8 milhões, apoiando o otimismo e deixando momentaneamente de lado as tensões EUA-China e o aumento dos protestos no país americano.

Já a produção industrial no Brasil confirmou a queda mais acentuada da série histórica do IBGE, ao recuar 18,8%, e embora tenha vindo acima da mediana das estimativas, ajuda a reforçar a perspectiva de corte da Selic.

Com o cenário apontando para a reabertura também no País, o investidor ficou mais disposto a correr riscos, beneficiando o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro. Na máxima do dia, ele subia aos 93.710,05 pontos - o que não se via desde 6 de março. Na mínima do dia, a Bolsa caía aos 91 mil pontos, o que significa que o índice ganhou mais de 2,6 mil pontos apenas no pregão de hoje.

Com os resultados, a B3 acumula ganho de 6,41% na semana, mas ainda cede 19,58% na semana. Entre as empresas que mais subiram no pregão, está a IRB, com 25%, Gol, com 16,41%, Cyrela, com 14,78% e Azul, com 10,15%.

Câmbio

Na mínima, o dólar à vista caía 3,68%, a R$ 5,0171 - seu menor valor para uma cotação desde 26 de março e maior queda diária em dois anos. Apenas nas duas últimas sessões, a moeda já tem queda de 5,5%, mas no ano, ainda acumula valorização de 27%. O dólar para julho também caiu 2,75% e fechou a R$ 5,0715.

Pelo segundo dia, o real foi a moeda emergente com o melhor desempenho, na comparação com outras 34 moedas emergentes. Mas o dólar também recua frente a outras divisas, como euro e libra, segundo o índice DYX.

O Banco Central informou que a venda à vista de dólares ao mercado financeiro no mês de maio somou US$ 520 milhões. Durante o período, o BC atuou no mercado de câmbio para manter a disponibilidade de recursos, em meio à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Contexto local

Fica no radar do mercado, a declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que as transmissões de comunitárias do novo coronavírus ainda "continuam muito intensas" em países como Brasil e Peru. A informação vai de encontro ao recente aumento de mortes e casos no País.

No cenário político, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o socorro financeiro a Estados e municípios deve ser pago até o próximo dia 9. Quanto à extensão do programa de ajuda aos entes, Maia disse que é preciso aguardar. O líder da Casa também afirmou nesta última hora que surpreendeu aos deputados o veto à liberação de uso de fundo de R$ 8,6 bilhões para a covid-19.

Contexto internacional

A fala da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, animou o mercado nesta quarta. Ela afirmou que os bancos centrais de países emergentes têm quantidades consideráveis de reservas para ajudar durante a crise. Kristalina também afirmou que é preciso aliviar a dívida de países pobres e que 73 nações estariam elegíveis ao alívio de dívida do G20.

Na Europa, onde estão algumas das maiores economias do mundo, o dia foi de indicadores positivos. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla inglês) de serviços do Reino Unido, superou expectativa e subiu para 29 em maio. O PMI da Alemanha também avançou a 32,3, enquanto o da zona do euro saltou para 31,9. Em resposta, o Stoxx 600 encerrou em alta de 2,54%.

Petróleo

A commodity conseguiu fechar em alta no final, impulsionada pela diminuição dos estoques de petróleo nos Estados Unidos. No entanto, a sessão foi altamente volátil nesta quarta, frente a possibilidade da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) adiar a reunião marcada para a próxima quinta-feira, 4, na qual iria abordar a possibilidade de novos cortes na produção de barris. 

Na sessão de hoje, o WTI, referência no mercado americano, fechou com alta de 1,30%, a US$ 37,29 o barril. O Brent para agosto, referência no mercado europeu, subiu 0,56%, a US$ 39,79 o barril.

Bolsas do exterior

O dia foi positivo para a Ásia. O japonês Nikkei subiu 1,29% em Tóquio, enquanto o Kospi saltou 2,87% em Seul. Hang Seng avançou 1,37% em Hong Kong e o Taiex registrou ganho de 1,73% em Taiwan. Na China continentalXangai CompostoShenzhen Composto subiram 0,07% e 0,04%, respectivamente. Na Oceania, o S&P/ASX 200 avançou 1,83% em Sydney.

As Bolsas do velho continente também tiveram ganhos nesta quarta. Em Londres, o ganho foi de 2,61% e em Frankfurt, de 3,88%. A Bolsa de Paris subiu 3,36% e a de Milão, 3,54%. Madri Lisboa subiram 2,95% e 1,74%, respectivamente.

Resultado similar foi visto nas Bolsas de Nova York. O Dow Jones fechou em alta de 2,05%, o S&P 500 avançou 1,36% e o Nasdaq subiu 0,78%, a 9.682,91 pontos./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, MARCELA GUIMARÃES E MAIARA SANTIAGO

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