Reuters
Reuters

-15%

E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Com exterior negativo, Bolsa encerra aos 80 mil pontos; dólar fecha a R$ 5,75

Mercado reflete a informação de que possível vacina contra o coronavírus pode não ser tão eficaz; antecipação de feriados também pesou na B3

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2020 | 09h04
Atualizado 19 de maio de 2020 | 19h28

Após os investidores terem comemorado a possível vacina contra o coronavírus, a informação de que a descoberta pode não ser tão eficaz, desestabilizou os mercados nesta terça-feira, 19. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, cedeu 0,56%, aos 80.742,35 pontos. A incerteza também se refletiu no dólar, que fechou com alta de 0,63%, a R$ 5,7564.

A possível descoberta de um antídoto, feita pela empresa de biotecnologia e também farmacêutica Moderna Therapeutics na última segunda-feira, 18, caiu por terra nesta terça, após o site americano Stat News, especializado em saúde, apontar que uma série de especialistas contestam os resultados promissores apresentados pelo laboratório.

Além disso, também pesou no mercado o adiantamento dos feriados de Corpus Christi (11 de junho) e da Consciência Negra (21 de novembro) em São Paulopelo prefeito Bruno Covas. O mercado melhorou apenas quando soube que as instituições financeiras e a B3 vão funcionar normalmente. Ainda fica no radar a possibilidade do adiantamento do feriado da Revolução Constitucionalista (9 de julho) para a próxima segunda-feira, 25, pelo governador João Doria (PSDB).

Com isso, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, teve um dia de idas e vindas, após abrir em alta, aos 81.196,69 pontos. A demora em torno das definições do funcionamento do mercado e a instabilidade das Bolsas de Nova York, fizeram o índice ceder aos 80.647,02 na mínima do dia e oscilar entre os 80 mil pontos e 81 mil pontos.

Ná máxima do dia, por volta das 13h a B3 conseguiu subir rapidamente aos 82.174,55 pontos. Com os resultados de hoje, o Ibovespa tem ganho de 4,11% na semana e de 0,29% no mês, mas ainda cede 30,18% no ano. Entre as maiores perdas da Bolsa nesta terça, estão Gol, com 6,28%, Azul, com 5,14%Itaú Unibanco PN, com 4,32%.

Câmbio

Assim como a Bolsa, o dólar também foi pressionado pelos acontecimentos do dia. Na máxima da sessão, a moeda era negociada a R$ 5,7644. Nesta terça, ela ainda abriu a R$ 5,6942, uma queda de 0,46% em comparação ao fechamento anterior de R$ 5,7206, o menor valor desde o dia 29 de abril.

Somente neste ano, a valorização da moeda americana já é superior a 42%, sendo que o recorde nominal, quando não se desconta a inflação, é de R$ 5,9718. Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é vendido perto de R$ 6. Já o dólar para junho fechou com alta de 0,65%, a R$ 5,7630.

Cenário local

Nesta terça, uma pesquisa feita pelo Bank of America, com investidores da América Latinamostrou um aumento no pessimismo com o Brasil nas últimas semanas. Para 56% dos entrevistados, o maior risco para o País é uma piora fiscal descontrolada. No câmbio, a maioria dos gestores espera que a moeda americana termine o ano acima de R$ 5. 

Já no começo da tarde, o Goldman Sachs voltou a cortar sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2020 e espera contração de 7,4% este ano. Os crescentes riscos políticos e fiscais contribuem para agravar a recessão no País causada pela pandemia do coronavírus, alertou o relatório do banco americano. Para 2021, a estimativa de crescimento do PIB é de 4%. 

Cenário internacional

Na Europa, pesou no mercado a declaração do dirigente do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, de que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro poderá ter contração de até 12% este ano, a depender da evolução do coronavírus e também da extensão das quarentenas.

Já nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, alertou que a retomada total da economia vai depender necessariamente do desenvolvimento de uma vacina. "A reabertura da economia está em andamento e vamos ver como ela ocorre", comentou, sem dar muita certeza aos investidores.

Petróleo

Apesar dos temores do mercado, o petróleo terminou em alta nesta terça, após um aumento na demanda e a diminuição da oferta devido a cortes na produção. A valorização vem em sintonia com a reabertura gradual da economia em países como Itália, Espanha e também no estado de Nova York.

Em resposta, o barril do WTI para junho, referência no mercado americano, fechou com alta de 2,1%, a US$ 32,50 no último dia de negociação. Já o Brent para entrega em julho, referência no mercado europeu, recuou 0,5%, a US$ 34,65 o barril, apesar do cenário favorável para a commodity.

Bolsas do exterior 

A Ásia, sem saber dos contras, ainda sentiu nesta terça a descoberta da possível vacina contra o vírus. O Nikkei subiu 1,49% em Tóquio, enquanto os chineses Xangai Composto Shenzhen Composto avançaram 0,81% e 1,26%, respectivamente. O Hang Seng se valorizou 1,89% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi avançou 2,25% em Seul e o Taiex subiu 1,12% em TaiwanNa Oceaniao S&P/ASX 200 avançou 1,81% em Sydney.

Já o temor frente aos impactos do coronavírus na economia deixou o mercado europeu sem rumo. A Bolsa de Londres caiu 0,77% e a de Paris recuou 0,89%. Milão Madri tiveram perdas de 2,11% e 2,51%, respectivamente. Já Lisboa e  Frankfurt foram na contramão, com ganhos de 0,15%  e 0,02%.

Situação parecida aconteceu nas Bolsas de Nova York. O Dow Jones fechou em queda de 1,59%, o Nasdaq recuou 0,54% e o S&P 500 cedeu 1,05%. Entre as maiores quedas, estão as ações da Moderna, com perda de 10,41%. Também cederam as ações da Boeing e Caterpillar, com 3,69% e 2,56%, respectivamente./GABRIEL BUENO DA COSTA, IANDER PORCELLA, ANDRÉ MARINHO E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.