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Carolina Bartunek no E-Investidor: 5 tendências prejudiciais para quem investe em ações

Após discurso de Trump, Bolsa encerra em alta; dólar cai e fecha a R$ 5,33

Falta de 'novidade' nas restrições dos Estados Unidos contra a China ajudou a acalmar o mercado, que observa de perto o recuo de 1,5% no PIB do primeiro trimestre

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2020 | 09h18
Atualizado 29 de maio de 2020 | 22h04

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, virou no final e encerrou o pregão desta sexta-feira, 29, com alta marginal de 0,52%, aos 87.402,59 pontos. Após o aumento das tensões entre Estados Unidos e China ficar durante toda a sessão no radar do investidor, o mercado ficou aliviado ao ver que os americanos apenas mantiveram as sanções já impostas anteriormente. O dólar também foi beneficiado e diminuiu o ritmo de alta, fechando com queda de 0,82%, cotado a R$ 5,3389.

O clima pesado entre as duas maiores potências do mundo já vem se arrastando há semanas, mas nesta sexta Donald Trump pôs um 'fim' à situação, ao basicamente falar que vai manter as restrições aos cidadãos chineses, como as suspensões dos vistos de cidadãos do país que podem ser um risco aos Estados Unidos, e colocar um fim ao tratamento especial dos EUA a Hong Kong. Ele também disse que vai pedir uma avaliação das práticas de empresas chinesas que estão em solo americano.

Com a notícia, o Ibovespaprincipal índice de ações do mercado brasileiro, basicamente zerou as perdas e atingiu a máxima do dia, aos 87.327,46 pontos. Com a alta, a Bolsa conseguiu recuperar o patamar dos 87 mil pontos vistos nos pregões do começo da semana, mas que foi perdido no fechamento da última quinta-feira, 28, quando a B3 recuou aos 86 mil pontos.

No Brasil, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto afirmou, em evento virtual, que "é possível que efeitos do isolamento persistam até metade do ano que vem" e que a previsão é de queda de 5% ou mais do PIB em 2020 - o IBGE divulgou que a atividade econômica recuou 1,5% no primeiro trimestre já sob efeito da pandemia do novo coronavírus.

Com os resultados desta sexta, a B3 acumula ganho de 6,36% na semana e de 8,57% em maio - este é o melhor resultado da B3 para o mês desde 2009. No ano, o Ibovespa agora cai apenas 24,42%, após ter registrado perda de 36,68% no primeiro trimestre de 2020.

Nos destaques positivos do pregão desta sexta, está a alta de Vale ON, com 5,81%, devido ao avanço dos preços do minério na China. Petrobrás ON e PN também subiram no final e fecharam com positivo de 1,36% e 2,88%, sustentada pelos ganhos do petróleo no mercado internacional.

Câmbio

No câmbio, o dólar se firmou em alta durante boa parte da sessão e chegou a atingir a máxima de R$ 5,4629. Apenas no final da tarde, com a decisão de Trump sobre a China, que a moeda americana caiu frente ao real - que ao final deste mês, ainda é a moeda emergente com o pior desempenho em relação ao dólar, numa cesta de 34 moedas.

Com a queda desta sexta, o dólar anulou a alta do pregão anterior, quando fechou cotado a R$ 5,3832 e terminou o mês com queda de 1,82%, pela primeira vez em 2020. A moeda também completou sua segunda semana seguida de desvalorização. No ano, porém, o dólar ainda acumula uma valorização de 33%. 

Cenário local

As questões políticas ainda continuam no radar do mercado, mesmo em meio às preocupações com o PIB e as contas do setor público do País, que fecharam com um déficit de R$ 94,3 bilhões em abril. A atenção agora se volta ao inquérito de possível intervenção de Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Nesta sexta, o órgão pediu ao Supremo Tribunal Federal mais 30 dias para apurar as acusações do ex-ministro Sergio Moro. O relator do inquérito, o ministro Celso de Mello, pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR), para se manifestar sobre a ampliação do prazo.

Além disso, os desdobramentos da reunião ministerial do dia 22 de abril ainda ecoam no mercado. Hoje, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, prestou depoimento à PF sobre a fala "botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF", dita na gravação. No depoimento, que faz parte do já polêmico inquérito das 'fake news', o ministro teria permanecido em silêncio, conforme apurou o Estadão.

Neste conturbado cenário, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu calma entre os poderes e trégua neste momento de crise, senão "o barco naufraga." Ele ainda disse que "depende de nós mesmos" determinar como será a reação da economia no pós-coronavírus.

Cenário internacional

A expectativa em torno das declarações de Trump dominou os mercados internacionais, deixando de lado até mesmo importantes indicadores econômicos, como no caso da Europa. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu apenas 0,1% na comparação anual de maio, desacelerando de 0,3% observado em abril. Mas foi a tensão entre as duas maiores potências que fez o Stoxx 600 encerrar com queda de 1,44%.

O Brexit também pesou no velho continente. Na última quinta, o negociador chefe do Reino Unido para o tema, David Frost, disse que o país está longe de chegar a um acordo comercial com a União Europeia e que é preciso começar a planejar um cenário de saída do bloco sem o pacto.

Já em Pequim, mesmo com a espera das restrições dos americanos aos chineses, o clima foi favorável. A expectativa é que o governo local adote medidas de estímulo adicionais para aliviar o impacto da pandemia de coronavírus no país, onde a doença teve origem.

Petróleo

Apesar dos conflitos EUA-China, a commodity fechou em alta nesta sexta, após a informação de que a atividade nos poços e plataformas dos Estados Unidos já caiu 15%. O clima também é favorecido pela retomada da economia chinesa, uma das maiores consumidoras de petróleo.

Hoje, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta de 5,28%, a US$ 35,49 o barril, com elevação de 6,73%% na comparação semanal. O Brent para agosto, referência no mercado europeu, subiu 5,02%, a US$ 37,84 o barril, e teve alta de 7,71% na comparação semanal.

Bolsas do exterior

A expectativa em torno das restrições dos EUA deixaram a Ásia sem sinal único. O japonês Nikkei teve queda de 0,18% em Tóquio, enquanto o Hang Seng recuou 0,74% em Hong Kong e o Taiex registrou perda marginal de 0,02% em Taiwan. Os ganhos tomaram espaço na China continental e o Xangai Composto subiu 0,22%. O menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,95%. A Bolsa sul-coreana também ficou no azul, com ganho de 0,05% do Kospi. Já na Oceania, o S&P/ASX 200 caiu 1,63% em Sydney.

Como também fecharam antes do discurso de Trump, as Bolsas da Europa tiveram quedas generalizadas. A maior delas foi em Londres, onde a Bolsa caiu 2,29%. Em Paris, o recuo foi de 1,59% e em Milão, de 0,84%. FrankfurtMadriLisboa tiveram quedas de 1,59%, 1,77% e 1,14%, respectivamente.

Já as Bolsas de Nova York, no centro do conflito, fecharam quase totalmente no positivo após a coletiva de Trump. O Dow Jones fechou em baixa de 0,07%, o Nasdaq avançou 1,29% e o S&P 500 teve ganho de 0,48%./ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL, ANDRÉ MARINHO, MARCELA GUIMARÃES E MAIARA SANTIAGO

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