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E-Investidor: qual o melhor investimento para 2020?

Após quedas, Bolsa volta a fechar em alta, aos 78 mil pontos; dólar fica em R$ 5,23

B3 foi influenciada nesta sexta pela alta generalizada dos mercados internacionais e quase encerrou aos 79 mil pontos; na máxima do dia, moeda americana bateu em R$ 5,27

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 09h10
Atualizado 17 de abril de 2020 | 19h10

A Bolsa de Valores de São Paulo abriu em alta nesta sexta-feira, 17, e se manteve estável, após uma semana de sucessivas perdas. Como resultado, a B3 encerrou o pregão em alta de 1,51%, aos 78.990,29 pontos. Já o dólar teve um leve recuo de 0,38% e fechou cotado a R$ 5,23 - resultado que traz alívio após as altas do dia.

Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, acompanha nesta sexta a alta generalizada dos mercados da Europa e da Ásia. Momentos após a abertura, às 10h30, a B3 subia aos 79.892,42 pontos - resultado que também marcou a máxima do dia. No entanto, no final da manhã, a Bolsa começou a perder o ritmo de alta e teve uma leve queda às 15h16, batendo na mínima do dia, aos 77.742,89 pontos. Contudo, os ganhos foram retomados no final da tarde e o índice voltou aos 78 mil pontos.

De modo geral, a semana foi mista para a B3, que fechou com ganho tímido de 1,68%. Na segunda-feira, 13, ela fechou em alta de 1,49%, aos 78.835,82 pontos - resultado que se manteve na terça-feira, 14, ao fechar com ganho de 1,37%, aos 79.918,36 pontos. No entanto, já na quarta-feira, 15, o índice cedeu e fechou em queda de 1,36%, aos 78.831,46 pontos. O que aconteceu também na quinta-feira, 16, com a B3 fechando em baixa de 1,29%, aos 77.881,85 pontos. Nas primeiras semanas de abril, a Bolsa teve ganho de 8,18%.

Já o dólar abriu o dia em queda de quase 1%, perdendo o patamar de R$ 5,25, valor do fechamento da última quinta. Na mínima do dia, a moeda americana era cotada a R$ 5,20. Porém, ao final da manhã, o dólar retomou o movimento de valorização e chegou a bater em R$ 5,27, na máxima do dia - valor que começou a dar sinais de alívio apenas no final da tarde.

No balanço, a semana foi de altas para a moeda americana, que somou apreciação de 2,90%. Na segunda, ela fechou cotada a R$ 5,18, na terça, a R$ 5,19, na quarta, a R$ 5,24 e na quinta, a R$ 5,25. Com os resultados - e considerando a máxima desta sexta -, o dólar volta novamente a se aproximar do seu recorde nominal (quando não se desconta a inflação), de R$ 5,32

Para se ter uma ideia, apenas em 2020, a moeda americana já possui uma valorização próxima de 30%. Em janeiro, no primeiro pregão do ano, a cotação do câmbio estava em R$ 4. 

Contexto local

Pesou sob o investidor brasileiro nesta sexta, as idas e vindas entre os poderes Executivo e Legislativo. O mercado ainda continua incomodado, com as trocas de farpas entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que se intensificou após a demissão do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Como consequência, o Senado já tirou da pauta a MP do Verde e Amarelo, que deve ficar parada até perder a validade.

No entanto, a aprovação de importantes medidas segue dando força ao mercado. Nesta sexta, o Senado passou uma nova proposta para a PEC do Orçamento de Guerra, que facilita os gastos no enfrentamento ao novo coronavírus. Ainda nesse cenário, o Supremo Tribunal Federal já tem a maioria necessária para garantir a validade dos acordos individuais entre patrão e empregado, em relação a redução de jornada e também corte de salário.

Também tranquilizam, as notícias de que o Tesouro pode aportar de R$ 10 bi a R$ 20 bi em um fundo do BNDES, para facilitar o acesso das empresas ao crédito - e evitar um possível empoçamento. Aliás, o órgão segue sob a atenção do investidor, que fica mais calmo após o secretário do Tesouro NacionalMansueto Almeidavoltar atrás e informar que há recursos o suficiente para financiar a dívida pública. Informação necessária, em meio aos gastos no enfrentamento da pandemia.

E o novo coronavírus continua sendo motivo de atenção. Segundo novos dados, o Brasil tem 33.682 infectados e 2.141 vítimas fatais. Nas últimas 24 horas, foram 217 óbitos e 3.257 novos casos. No mundo, já são mais de 2,2 milhões de infectados e 150 mil mortos.

Contexto internacional

Nesta sexta, o mercado mundial segue reagindo positivamente a notícia de que AlemanhaItália e Espanha, já se preparam para sair do isolamento social. No entanto, o cenário ainda é de incerteza, já que França e Reino Unido seguem com medidas drásticas para garantir o distanciamento físico e diminuir a disseminação da doença.

No entanto, o ânimo dos investidores se intensificou com a notícia de que uma empresa dos Estados Unidospode ter desenvolvido um medicamento eficaz no combate ao novo coronavírus. A informação também agradou diretamente o presidente Donald Trump, que apresentou a governadores na noite da última quinta, um plano de reabertura do país. Contudo, a medida não deve acontecer imediatamente, já que os EUA bateram um novo recorde, ao registrar 4,5 mil mortes causadas pela doença - ao todo, já são mais de 33 mil vítimas fatais.

De certa forma, também deu tranquilidade, a notícia de que o PIB da China despencou 6,8% no primeiro trimestre, na primeira queda desde pelo menos 1992O resultado, porém, foi melhor do que o previsto pelos economistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam uma queda de 7,5%. 

Petróleo

A commodity segue pressionada pela diminuição da demanda no mundo e pelo rápido aumento dos estoques nos Estados Unidos. Nesse cenário, as medidas anunciadas pela  Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+)não parecem ter surtido o efeito desejado e o petróleo segue em ritmo de queda nesta sexta.

Em resposta, o WTI para maio, referência no mercado americano, caiu 8,1% em Nova York, e fechou sendo negociado a US$ 18,27 o barril - este é o menor valor para o ativo desde janeiro de 2002, quando houve a guerra entre Estados Unidos e Iraque, e também uma greve geral do setor na Venezuela. Na semana, a queda foi de 21,2% - agora, a maior dificuldade dos investidores, será conseguir que alguém compre os papéis, que estão para expirar.

E os resultados já atingem o WTI para junho, que fechou em queda de 1,96%, a US$ 25,53 o barril. Enquanto isso, o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, avançou 0,93% a US$ 28,08 o barril, embora tenha tido recuo semanal de 10,80%.

Bolsas do exterior

Em resposta ao cenário otimista dos EUA, as Bolsas de Nova York fecharam em alta. O índice Dow Jones avançou 2,99%, o Nasdaq subiu 1,38% e o S&P 500 teve ganho de 2,68%. Na semana, o Dow Jones subiu 2,21%, o Nasdaq avançou 6,09% e o S&P 500, 3,04%.

Na China continental, os ganhos foram moderados: o índice Xangai Composto subiu 0,66% e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,34%. Em outras partes da Ásia, a valorização foi mais robusta. O japonês Nikkei saltou 3,15% em Tóquio; o sul-coreano Kospi garantiu alta semelhante, de 3,09% no pregão em Seul; o Hang Seng avançou 1,56% em Hong Kong e o Taiex subiu 2,14% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa da Austrália, principal mercado local, também ficou no azul, embora tenha reduzido pela metade os ganhos que exibiu em seu melhor momento na sessão. Como resultado, o S&P/ASX 200 avançou 1,31% em Sydney.

Em resposta ao noticiário internacional, as Bolsas da Europa fecharam em alta nesta sexta. Em Londres, o índice FTSE 100 avançou 2,82%, assim como em Frankfurt, com o índice DAX subindo a 3,15%. Em Milão, o índice FTSE MIB também teve ganho de 1,71%. Na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 subiu 0,08%, já em Madri, o IBEX 35 avançou 1,66%. Já o índice europeu Stoxx 600 encerrou a sessão em alta de 2,63%./ LUCIANA XAVIER, SILVANA ROCHA, SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA, GABRIEL BUENO DA COSTA E MAIARA SANTIAGO.

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