Fabio Motta/Estadão
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E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

Bolsa tem dia de recuperação e fecha com alta superior a 6%; dólar fica em R$ 5,29

B3 chegou a encostar no patamar dos 75 mil pontos, após os resultados negativos da última sexta-feira, 3; moeda americana não bateu recordes de alta, mas continua próxima de R$ 5,30

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 09h03
Atualizado 07 de abril de 2020 | 19h37

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, recuperou as perdas dos últimos pregões nesta segunda-feira, 6, ao fechar com ganhos de 6,52% aos 74.072,98 pontos. No entanto, o bom humor não se estendeu ao dólar - a moeda encerrou com queda de 0,65%, sendo negociada a R$ 5,29

O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, abriu as negociações do dia em forte alta, superior a 5%. Os ganhos foram se intensificando ao longo do pregão e a B3 ultrapassou o patamar dos 70 mil pontos. Na máxima do dia, às 14h18, a Bolsa estava nos 75.196,26 pontos.

O resultado, obviamente, trouxe alívio aos investidores. Vale lembrar que na última sexta-feira, 3, a B3 encerrou com queda de 3,76%, aos 69.537,56 pontosO número trouxe preocupação ao mercado, já que na última vez que a Bolsa caiu ao patamar dos 60 mil pontos, ela ficou a apenas 5% de ter uma queda ainda maior e bater na casa dos 59 mil pontos.

Já o dólar, que abriu em queda de 0,78%, cotado a RS 5,28, ampliou as perdas ao longo das negociações e voltou a bater na casa dos R$ 5,25. No entanto, já no final do tarde desta segunda, o valor da moeda tornou a subir. Na mínima do dia, o dólar era negociado a R$ 5,22.

O valor, no entanto, não é uma surpresa aos investidores. Na última sexta, a moeda bateu novo recorde nominal - quando não se desconta a inflação -, ao terminar o dia sendo negociada a R$ 5,32. A escala da moeda teve início com o agravamento da crise do novo coronavírus, causador da covid-19. A doença, que abalou mesmo os mercados mais sólidos da Europa, Ásia e Estados Unidos, está sob o olhar do investidor brasileiro. Segundo dados do Ministério da Saúde para esta segunda, o País tem até o momento 553 mortes e 12.056 infectados. No mundo, há um total de 1.340.000 casos e mais de 74 mil mortes, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Contexto nacional

Apesar do resultado positivo do pregão desta segunda, o mercado segue tenso, em meio à espera do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para o mês de março, que é o responsável por observar a inflação. A expectativa vem após o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciar no último sábado, 4, que a Selic, taxa básica de juros da economia, pode seguir estável, em vez de cair como esperam os investidores.

Também no último sábado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, falou sobre o "empoçamento" dos R$ 1,2 trilhão nos bancos, que foi destinado pelo governo federal a fim de manter a liquidez do sistema. Ele ainda prometeu novos meios, como o uso de maquininhas de pagamento, para conseguir fazer com que o dinheiro chegue diretamente a famílias e empresas. Nesse cenário, o Conselho Monetário Nacional (CMN)  anunciou uma linha de crédito de R$ 6 bilhões para micro e pequenas empresas.

O dia também teve notícias negativas. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)o País teve em março a pior produção de veículos para o mês em 16 anos. Enquanto isso, o mercado financeiro já trabalha com uma retração de 1,18% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2020. Informações preocupantes também vieram da vizinha Argentina, que postergou para 2021 o pagamento de até US$ 10 bilhões da dívida pública

Contexto internacional

A melhora no mercado local é reflexo direto do alívio nos índices internacionais, que têm um dia de respiro em meio à diminuição na aceleração de novos casos na Europa. No domingo, 5, o número de mortos ou infectados pelo novo coronavírus caiu em países europeus, como ItáliaEspanhaAlemanhaFrança e Reino Unido. O Irã também viu uma redução no número de casos.

Também no domingo, o presidente americano, Donald Trump, alertou que os Estados Unidos devem enfrentar o pico da pandemia de coronavírus "nos próximos dias". Nesse cenário, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, já anunciou que pretende comprar empréstimos de pequenas e médias empresas do governo. Boatos também dão conta de que o país trabalha com um novo pacote de US$ 1,5 trilhão.  Ao todo, o País têm mais de 10 mil mortes - a maior parte delas no Estado de Nova York, que há dois dias seguidos não registrou aumento no número de casos.

Os resultados da economia alemã também animaram os investidores do país. Segundo dados do governo, as encomendas à indústria da Alemanha caíram 1,4% - apesar de negativo, o resultado é melhor que a queda de 3% prevista pelos analistas do The Wall Street Journal. Ajudou a animar o mercado local a notícia de que a chanceler Angela Merkel vai oferecer um programa ilimitado de empréstimos a pequenas e médias empresas. Os valores variam de 500 mil euros a 800 mil euros, a depender do porte da empresa.

Porém, na tarde desta segunda, a atenção dos investidores segue voltada para a saúde do primeiro ministro do Reino UnidoBoris JohnsonDiagnosticado com coronavírus, ele foi internado logo pela manhã para a realização de exames. No entanto, seu quadro de saúde teria piorado e ele precisou ser internado na UTI. Aos 55 anos, o líder britânico testou positivo para a doença no última dia 26 de março.

Petróleo

Após os resultados positivos da última sexta-feira, 3, a commodity voltou a cair nesta segunda. O barril do WTI para maio, referência no mercado americano, fechou em baixa de 7,97%, a US$ 26,08. Já o Brent para junho, referência no mercado europeu, 3,11%, a US$ 33,05 o barril. 

Além das notícias relacionadas ao novo coronavírus, o petróleo perdeu força após a Opep+ anunciar que vai adiar para a próxima quinta-feira, 9, a reunião que decidirá como serão feitos os cortes na produção. O acordo é apoiado pelos Estados Unidose deve aliviar a disputa entre Rússia e Arábia Saudita.

Bolsas do exterior

As Bolsas de Nova York fecharam em alta nesta segunda. O índice Dow Jones subiu 7,73%, o S&P 500 avançou 7,03% e o Nasdaq teve ganhos de 7,33%. 

As Bolsas da Ásia também tiveram um dia de ganhos. O índice japonês Nikkei saltou 4,24% em Tóquio, o Kospi subiu 3,85% em Seul, o Hang Seng se valorizou 2,21% em Hong Kong e o Taiex registrou alta de 1,61%, ao retornar de dois dias de feriados em Taiwan. Na China continental, os mercados de Xangai e Shenzhen não operaram nesta segunda devido a um feriado nacional. Na Oceania, a Bolsa australiana fechou no maior nível em quase três semanas, também ajudada por ações de petrolíferas, que reagiram em alta a um salto de mais de 30% nas cotações do petróleo na última semana. O S&P/ASX 200 avançou 4,33% em Sydney.

Na Europa o dia também foi positivo. A Bolsa de Paris fechou com alta de 4,61%, enquanto Madri teve ganhos de 3,99%. Já Milão, Londres e Lisboa tiveram ganhos de 4%, 3,08% e 1,16%, respectivamente. Da região, a Bolsa de Frankfurt foi quem teve os resultados mais altos do dia: ela avançou 5,77%, embalada pelos programas de proteção anunciados por Angela Merkel./ SILVANA ROCHA, SILVANA XAVIER, SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO.

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