Clayton de Souza/ AE
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Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Com alívio no exterior, Bolsa encerra aos 80 mil pontos e dólar fecha a R$ 5,74

Mercado brasileiro recupera as perdas nesta sexta, com redução dos atritos entre Estados Unidos e China e resultados do desemprego no país americano

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 09h06
Atualizado 08 de maio de 2020 | 18h26

Após bater dois recordes nominais (quando não se desconta a inflação) seguidos, o dólar teve um dia de alívio nesta sexta-feira, 8, e fechou com queda de 1,70$, a R$ 5,74. Nesse cenário, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, também apresenta sinais de melhora e encerrou com alta de 2,75%, aos 80.263,35 pontos. Influenciam positivamente o mercado hoje, a redução das tensões entre Estados Unidos e China e o fechamento menor que o esperado na geração de vagas do país americano.

A moeda americana começou a sexta em alta, aos R$ 5,84, mesmo valor no qual ela fechou na última quinta-feira, 7No entanto, em sintonia com o alívio das tensões no cenário exterior, o dólar recuou até atingir a mínima do dia, a R$ 5,72. Com os resultados de hoje, a moeda termina a semana com valorização de 5,5%.

Como consequência, a moeda dos EUA já tem uma valorização de 45% em 2020 e de 7,4% em abril, frente à moeda brasileira. Vale acrescentar que desvalorização do real frente à moeda americana se intensificou em março, com o início da crise do novo coronavírus no País. Também encerrou em alta o dólar para junho, com ganho de 1,63%, a R$ 5,75. Já o dólar turismo teve queda de 0,6%, a R$ 6,06.

Já o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, abriu o pregão desta sexta com alta de 0,66%, aos 79.350 pontos. Ao longo da manhã - e também da tarde, a Bolsa oscilou entre os 79 mil pontos e os 80 mil pontos, resultado bem diferente da sessão anterior, quando a B3 beirava aos 78 mil pontos. Na máxima do dia, às 16532, a B3 subia aos 80.566,88 pontos. O giro financeiro total da sessão foi de R$ 22,9 bilhões.

Com os resultados desta sexta, a Bolsa encerra a semana com um leve recuo, em uma perda de 0,30%. Ajudaram o índice, a alta das ações da Petrobrás, com 5,39%, Vale, com 6,08%, Bradescocom 8,46% e CVC, com 9,08%.

Já o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, principal indicador do risco país, é negociado em 327,11 pontos nesta sexta, ante 326,71 do fechamento de quinta-feira, de acordo com cotações da IHS Markit.

Ajudam o mercado nesta sexta, o fim de um impasse entre Estados Unidos e China, que parecem estar caminhando para apagar a declaração do governo americano de que o coronavírus se tornou uma pandemia devido a um 'erro' dos chineses. Também ajuda o mercado, a número menor que o esperado do 'payroll', relatório dos EUA que traça o desemprego no país.

Cenário local

No Brasil, a atenção do mercado continua voltada para os impactos do coronavírus. Nesta sexta, o governador do Estado de São Paulo, João Doria, optou por estender as medidas de isolamento social até o próximo dia 31 de maio - a quarentena acabaria já no próximo domingo, 10. Como justificativa, ele disse que "nenhum país do mundo conseguiu relaxar as medidas de isolamento social com a curva em alta".

Já no Rio de Janeiro, as prefeituras da capital e de Niterói decretaram um lockdown (bloqueio) parcial em áreas consideradas mais críticas, como uma forma de conter o avanço do vírus. Situação que também já é uma realidade em capitais como Fortaleza, Bélem e São Luís, por exemplo.

Ainda nesta sexta, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), apontou uma queda de 99,3% na produção de veículos em abril. O presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, afirmou que as montadoras vão se esforçar para manter os empregos nas fábricas, mas afirmou que a possibilidade de manutenção diminui se houver continuidade da crise política.

Também chamou a atenção do mercado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que recuou 0,31% em abril, na maior deflação (queda de preços) das últimas duas décadas. Ajudou a derrubar o índice, a queda de 9,31% no preço da gasolina, um dos itens mais afetados pelas medidas de isolamento social. 

Cenário internacional

O dia amanheceu com a notícia da ligação entre o vice-primeiro-ministro da China Liu He, o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro americano Steven Mnuchin, para retomar as negociações comerciais com o país asiático. Em entrevista à Fox Bussiness hoje, o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, caracterizou a reunião como "construtiva".

Também deu ânimo ao mercado, a divulgação do relatório Payroll, que mostrou que a economia americana cortou 20,5 milhões de postos de trabalho em abril, menos que a mediana de analistas consultados pelo Estadão/Broadcast, de 21 milhões. A taxa de desemprego saltou a 14,7%, maior nível desde a Grande Depressão de 1929, mas também aquém das expectativas do mercado, de 15%.

Petróleo

Além dos resultados positivos entre Estados Unidos e China, também favoreceu a alta da commodity nesta sexta a mudança abrupta da Arábia Saudita, que surpreendeu o mercado ao elevar os valores do barril de petróleo, em uma clara sinalização ao fim da guerra de preços com a Rússia.

Em resposta, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta de 5,39%, a US$ 26,17 o barril - um forte ganho de 32,3% na comparação com a semana anterior. Já o Brent para julho, referência no mercado europeu, registrou ganho de 0,87%, a US$ 30,97 o barril, com avanço semanal de 17,1%.

Bolsas do exterior

As Bolsas da Ásia tiveram um dia de ganhos. Na China continental o índice Xangai Composto subiu 0,83%, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,17%. Em outras partes do continente, o japonês Nikkei se valorizou 2,56% em Tóquio, enquanto o Hang Seng avançou 1,04% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi subiu 0,89% em Seul e o Taiex registrou ganho de 0,54% em Taiwan. Na Oceania, a bolsa da Austrália seguiu a onda positiva da Ásia, e o S&P/ASX 200 avançou 0,50% em Sydney.

O bom humor também se estendeu para as Bolsas da Europa, com o índice Stoxx 600 fechando em alta de 0,91%. Já o índice DAX avançou 1,35% na Bolsa de Frankfurt, enquanto em Paris, o CAC 40 subiu de 1,07%. Em Milão, o FTSE MIB teve ganho 1,13% e em Madri, o Ibex 35 subiu 0,78%. Em Lisboa, o PSI 20 avançou 0,42%.

As Bolsas de Nova York seguiram o movimento de ganho dos mercados internacionais. O Dow Jones fechou em alta de 1,91%, o S&P 500 subiu 1,69%e o Nasdaq avançou 1,58%. Na comparação semanal, os índices tiveram ganho de 2,56%, 3,50% e 6%, respectivamente. Ajudou o Nasdaq, a alta de 2,38% da Apple, que já anunciou a abertura de algumas lojas nos EUA, frente ao relaxamento das medidas de isolamento./SÉRGIO CALDAS, LUÍSA LAVAL, ANDRÉ MARINHO, MARCELA GUIMARÃES, GABRIEL BUENO DA COSTA E MAIARA SANTIAGO

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