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Bolsa fecha na máxima do dia, aos 95 mil pontos; dólar cai e fica R$ 5,42

Mercado local teve dia positivo com a melhora em NY e pelo resultado do desemprego menor que o esperado; nova previsão de queda do PIB e possível corte da Selic também ficam no radar

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2020 | 09h07
Atualizado 01 de julho de 2020 | 12h45

Em sintonia com os pares de Nova YorkBolsa de Valores de São Paulo, a B3fechou nesta segunda-feira, 29, na máxima do dia, com alta de 2,03% aos 95.735,35 pontos. O dólar também teve leve recuou e encerrou com desvalorização de 0,62%, cotado a R$ 5,4264. Na sessão de hoje, um anúncio de compras de novos títulos feito pelo Fedanimou os investidores, que também ficaram aliviados com o resultado do desemprego menor que o esperado.

No Brasil, o dia foi de indicadores econômicos. De acordo com dados do Caged, divulgados pelo Ministério da Economiaa pandemia do coronavírus levou ao fechamento de 1,487 milhão de vagas com carteira assinada entre março e maio. No mês de maio, o saldo líquido entre a abertura e o fechamento de vagas foi negativo em 331.901 empregos -, apesar de alto, o número vem melhor que o fechamento de 900 mil estimados pelos analistas.

Segundo o relatório Focus, do Banco Central, o mercado ainda espera um novo corte da Selic para o próximo mês, de apenas 0,25 ponto percentual. Com a redução, a taxa sairia dos atuais 2,25% ao ano - menor valor da história -, para 2,00% ao ano. O mesmo relatório também aponta para uma retração de 6,54% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2020. O crescimento viria apenas em 2021, com expansão de 3,5% da economia.

Já nos Estados Unidoso avanço dos principais índices de ações americanos, coincidiu com o anúncio do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano)de que comprará novos títulos de dívida corporativa no mercado primárioAinda por lá, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, afirmou que, apesar da alta recente no número de casos de coronavírus, o governo americano está "encorajado" pela queda na quantidade de mortes.

O resultado, que fortaleceu os índices americanos, também refletiu positivamente por aqui e impulsionou o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, a subir aos 95 mil pontos, após abrir no patamar dos 94 mil pontos. Com os resultados de hoje, a B3 acumula alta de 9,53% no mês, mas ainda cede 17,22% no ano.

Entre as altas desta segunda, estão Petrobrás PN, com 3,93%, Santander, com 2,51% e Banco do Brasil ON, com 5,09%. Também ganharam Via Varejo ON, com 7,63% e Embraer, com 7,54%.

Câmbio

Nesta segunda, o recuo do dólarque ainda está no patamar de R$ 5,40, permitiu ao real se valorizar, em um dia marcado pela desvalorização de vários emergentes perante a divisa americana, segundo uma cesta com 34 moedas emergentes. No entanto, o dólar já se prepara para fechar o mês em alta, com valorização de 1,64%. No semestre, o ganho é de 41,30%.

Segundo operadores de mesa de câmbio, a perda de fôlego da moeda americana se deu nesta segunda pela espera da definição do referencial Ptax de junho, trimestre e semestre, usado em balanços e contratos comerciais, que será conhecido na próxima terça-feira, 30. Além disso, o mercado de câmbio também acompanha o movimento ajustes e trocas nos portfólios de ações de investidores estrangeiros, como acontece em todo final de mês.

Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é negociado próximo de R$ 5,70. Já o dólar para julho fechou com queda de 1,39%, a R$ 5,4090.

Contexto internacional

Nos principais mercados do exterior, o coronavírus voltou a chamar a atenção dos investidores e limitou os ganhos das Bolsas. No último final de semana, o número de infectados pela covid-19 saltou para o recorde de 10 milhões, enquanto o número de mortes bateu na marca dos 500 mil.

Já na Ásia, os últimos dados do vírus aumentou o temor e fez despencar os índices locais. Nem mesmo o anúncio do grupo farmacêutico China National Biotec Group, de que uma vacina contra o vírus está em desenvolvimento e já imunizou mais de 1.100 pessoas, ajudou o mercado local. Por lá, eles também deixaram de lado o aumento do lucro das grandes empresas da China, que cresceu 6% em maio, frente a queda de 4,3% de abril. 

Bolsas do exterior

Ganhos consistentes foram sentidos nas Bolsas de Nova York, que se fortaleceram ainda mais na reta final do pregão em sintonia com o anúncio do Fed. Dow Jones teve alta de 2,23%, o S&P 500 avançou 1,47% e o Nasdaq teve ganho de 1,20%.

As Bolsas da Europa, que também se beneficiaram pelo movimento de alta de NY, fecharam o dia em alta, com Stoxx 600 registrando ganho de 0,44%. Londres e Paris avançaram 1,08% e 0,73% cada, enquanto Frankfurt subiu 1,18%. Nas demais praças, MilãoMadri Lisboa tiveram altas de 1,69%, 1,39% e 0,77%, respectivamente.

Indo na contramão de americanos e europeus, os índices da Ásia fecharam em baixa. O japonês Nikkei liderou as perdas, com queda de 2,30%, enquanto o sul-coreano Kospi caiu 1,93% e o Hang Seng recuou 1,01% em Hong Kong. Já os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto fecharam com baixas de 0,61% e 0,44% cada. Enquanto isso, o Taiex caiu 1,01% em Taiwan e a Bolsa australiana teve recuo de 1,51%. 

Petróleo

Os contratos da commodity vinham em queda na madruga, após os novos números do coronavírus no mundo apontarem para uma segunda onda da doença em importantes consumidores de petróleo, como China e Estados Unidos. No entanto, já pelo meio da sessão, a notícia de que os chineses estão avançando na produção de uma vacina, deu impulso ao ativo, que passou a subir.

Com isso, o WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou com alta de 3,14%, a US$ 39,70 o barril. Já o Brent para setembro, referência no mercado americano, subiu 2,25%, a US$ 41,85 o barril./MAIARA SANTIAGO, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E LUÍS EDUARDO LEAL

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