Epitácio Pessoa/AE
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E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

Dólar volta a fechar a R$ 5,26; Bolsa encerra pregão com alta de quase 2%

Nesta quinta, moeda americana bateu novo recorde nominal ao ser negociada a R$ 5,28; com resultado positivo, B3 quebrou sequência de queda dos dois últimos dias

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 09h05
Atualizado 02 de abril de 2020 | 21h55

O dólar continou seu ritmo de alta e não deu sinais de alívio nesta quinta-feira, 02, ao fechar novamente a R$ 5,26 - uma valorização de 0,06%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, diminui as perdas dos últimos dois dias e encerrou o pregão com ganhos 1,81% aos 72.253,46 pontos.

O dólar abriu as negociações desta quinta-feira, 2, com leve queda de cerca de 0,3% em relação ao fechamento do dia anterior, cotado a R$ 5,24. Por volta de 14h10, a moeda bateu novo recorde nominal - quando não é descontada a inflação - e atingiu seu valor máximo do dia, ao bater em R$ 5,28.

A moeda americana teve um dia de forte apreciação frente ao real  na última quarta-feira, 1, quando atingiu a máxima de R$ 5,27 e fechou cotada a R$ 5,26. Para se ter uma ideia, em casas de câmbio, segundo levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo já chegou a ser vendido neste ano acima de R$ 5,50. No primeiro dia útil do ano, o valor para este segmento estava em R$ 4,20, aproximadamente. Vale lembrar que a escalada da moeda se intensificou com o início da crise do novo coronavírus, causador da covid-19.

Já a Bolsa deu sinais de alívio nesta quarta. Ao longo do dia, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, chegou a atingir o patamar de 73 mil pontos ao final da manhã, mas desacelerou o ritmo posteriormente. Na máxima do dia, às 11h39, a B3 bateu nos 73.693,98 pontos. Apesar de sutil, os resultados desta quarta encerraram dois dias seguidos de queda. Na última terça-feira, 30, as perdas foram de 2,17%, enquanto na quarta, foram de 2,81%.

Cenário nacional

No Brasil, o mercado aguarda o fim do impasse entre Jair Bolsonaro e o auxílio de R$ 600 que será dado a informais, MEIs e intermitentes. Após ter sancionado o projeto na noite da última quarta, o presidente informou que ainda será necessário assinar uma outra medida provisória sobre gastos extras, para que o dinheiro seja liberado

Novos sinais de alerta também se acenderam no mercado, após dados da Associação Comercial de São Paulo, revelarem que as vendas em lojas físicas caíram mais de 50% na quinzena de março. No entanto, o mercado segue atento as medidas que estão sendo anunciadas pelos órgãos do governo. Nesta quarta, por exemplo, o Banco Central anunciou uma linha de empréstimo aos bancos de até R$ 650 bilhões. 

Nesse cenário, o consenso geral parece ser de que o momento pede 'sacrifícios econômicos'. Em entrevista ao Estado, Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, disse que agora é preciso "irrigar a economia através de diversos canais, fazendo a liquidez chegar e permitindo que as cadeias econômicas continuem a funcionar".

Cenário internacional

Nos Estados Unidos, os investidores seguem cautelosos com a disseminação novo coronavírus. No entanto, o cenário no país continua preocupante - não à toa, mais de 10 milhões de americanos deram entrada no pedido de seguro-desemprego na semana passada, número que supera até mesmo os da Grande Recessão. O dado, fez crescer as expectativas dos investidores em torno do relatório de empregos de março, o payroll, que sai na próxima sexta-feira, 3.

Outra notícia também preocupou o mercado mundial: uma suspeita recaiu sobre a China, que após mostrar resultados positivos que indicam a retomada da economia do país, estaria sendo acusada pelos EUA de maquiar informações sobre novos casos de coronavírus. À Reuters, o governo local negou as informações e disse que não está escondendo a real extensão do surto.

Porém, apesar dos temores com os impactos do vírus, o mercado reagiu tímido, mas positivamente, após o presidente dos EUA, Donald Trump, se mostrar confiante de que Arábia Saudita e Rússia chegarão logo a um acordo para encerrar a "guerra de preços" de petróleo, que já chegou a derrubar o preço da commodity a um patamar inferior a US$ 20

Em resposta, a commodity encerrou com alta nesta quinta. O WTI para maio, que é referência no mercado americano, fechou em alta de 24,67%, a US$ 25,32 o barril. Já o Brent para junho, que é referência no mercado europeu, avançou 21,02%, a US$ 29,94 o barril.

Bolsas do exterior

O mercado asiático fechou em alta nesta quinta. Na China continental, o Xangai Composto subiu 1,69%, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 2,26%. Em outras partes da Ásia, o Hang Seng se valorizou 0,84% em Hong Kong e o sul-coreano Kospi teve alta de 2,34% em Seul, mas o japonês Nikkei foi na contramão e recuou 1,37% em Tóquio, pressionado por ações financeiras e de montadoras. Situação parecida ocorreu em Sydney - a bolsa australiana fechou com queda de 1,98%. Em Taiwan, não houve negócios nesta quinta devido a um feriado local.

As Bolsas da Europa também tiveram ganhos contidos. A Bolsa de Londres, fechou em alta de 0,47%, enquanto a Bolsa de Milão liderou os ganhos no continente e subiu 1,75%. Em Frankfurt, a alta foi de 0,27% e em Paris, de 0,33%. Já Lisboa avançou 0,02%. Somente Madri seguiu na contramão e fechou com queda de 0,08%.

Já as Bolsas de Nova York se beneficiaram com as altas do petróleo. O Dow Jones fechou em alta de 2,24%, o S&P 500 avançou 2,28% e o Nasdaq subiu 1,72%, a 7.487,31 pontos./ SILVANA ROCHA, LUCIANA XAVIER, SERGIO CALDAS, GABRIEL BUENO DA COSTA, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO

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