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Bolsa encerra com alta de 2%, acompanhando o exterior; dólar cai e fecha a R$ 5,27

Ganhos do mercado acionário de Nova York favoreceram a B3, mesmo com o noticiário sobre o conflito entre Estados Unidos e China

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2020 | 09h13
Atualizado 27 de maio de 2020 | 18h32

O bom humor do mercado acionário de Nova York favoreceu o mercado brasileiro nesta quarta-feira, 27, e a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou no maior patamar desde 10 de março, com alta de 2,90%, aos 87.946,2% pontos. No câmbio, o dólar ampliou o movimento de queda dos últimos dias e encerrou a sessão com baixa de 1,47%, a R$ 5,2790 - algo que não acontecia desde 17 de abril.

As Bolsas de Nova York firmaram alta, apesar do noticiário sobre o conflito entre Estados Unidos e China. Nos bastidores, o governo americano estaria considerando suspender a tarifa preferencial para exportações de Hong Kong ao país, em resposta à lei de segurança nacional que a China quer impor no território autônomo.

E com o mercado Nova York batendo recordes, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, conseguiu recuperar o patamar dos 87 mil e fechar na máxima do dia. O pregão desta quarta compensou o resultado fraco do dia anterior, quando a Bolsa fechou com baixa marginal de 0,23%, aos 85.468,91 pontos​. Com os números de hoje, a B3 tem ganho de 7,03% na semana e de 9,24% em maio, mas ainda cede 23,95% ao ano.

Já com a recuperação de 10,25% de abril, a Bolsa deixou para trás um trimestre traumático, no qual acumulou perda de 36,8%. Subiram no pregão, as ações da Usiminas, com 16,33%, CVC, com 12,96% e Vale, com 2,93%. 

Câmbio

Na cotação mínima, o dólar recuava a R$ 5,2718, algo que não acontecia desde o mês passado. Assim como no dia anterior, quando a moeda fechou cotada a R$ 5,3578a recuperação do apetite por risco no exterior, motivada em boa parte pelos processos de reabertura gradual vindos de algumas das maiores economias do mundo, tem ajudado os investidores a deixar um pouco de lado a tensão entre EUA-China.

Já o real foi a moeda que mais se valorizou entre os emergentes, em meio ao afrouxamento das medidas de isolamento. Fica a expectativa sobre como o mercado vai reagir nos próximos dias após o governado de São Paulo, João Doria, anunciar um plano de reabertura para o Estado, apesar do crescente número de casos do coronavírus na região.

Com os resultados de hoje, a moeda americana já cede 2,94% em maio. O dólar futuro para junho também fechou em baixa de 1,50%, cotado a R$ 5,2760.

Cenário local

Do noticiário de Brasília, um dos destaques é que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou indícios de que um grupo de empresários financia veladamente a disseminação de fake news e conteúdo de ódio. Na decisão que autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão nesta quarta, ele definiu como "associação criminosa" o grupo conhecido como "gabinete do ódio", formado por assessores que tem forte influência sobre o presidente Jair Bolsonaro e suas redes sociais.

Alguns alvos dessa operação são o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL), o empresário catarinense Luciano Hang, dono da rede de lojas de departamento Havan, e o blogueiro Allan dos Santos, do site bolsonarista Terça Livre.

Para além das questões políticas, o cenário do emprego no País ainda preocupa. Entre março a abril, já foram fechadas 1,1 milhão de postos de trabalho em todo o Brasil. Os dados são  Cadastro Geral de Empregos e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta pelo Ministério da Economia. Apenas em abril, foram 860.503 vagas, pior resultado da série história, que começou em 1992 e a maior demissão já registrada para o mês em 29 anos.

Cenário internacional

De positivo, o mercado avalia a notícia de que o Japão prepara um novo estímulo econômico de 117 trilhões de ienes (US$ 1,1 trilhão). Se for confirmado, será o segundo pacote fiscal em um mês, para apoiar empresas e famílias em meio à recessão gerada pela pandemia de coronavírus.

Assim como o país asiático, a Comissão Europeia divulgou um plano de 750 bilhões de euros destinado à recuperação econômica do bloco. Chamado de 'Próxima Geração', ele incluirá 500 bilhões de euros em repasses diretos e 250 bilhões de euros em empréstimos. O pacote ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento europeu, mas o ânimo em torno da medida já fez o índice Stoxx 600 encerrar com ganho de 0,24%.

De negativo, o conteúdo do Livro Bege, do Federal Reserve (Fed, o BC americano), não foi muito animador. As várias análises mostram que o nível de emprego continua a recuar, gastos dos consumidores declinam, vendas de moradias despencaram e, além disso, apontam que há um pessimismo geral sobre o ritmo de recuperação da economia americana.

Petróleo

A commodity teve um dia negativo nesta quarta, influenciada pelas tensões EUA-China e por um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), que estima uma retração de um terço no investimento global em petróleo e gás em 2020. Nem mesmo o acordo entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, para aumentar as restrições à produção dos barris, ajudou o mercado.

Em meio a dúvidas sobre a recuperação da demanda da commodity, o WTI para julho, referência no mercado americano, caiu 4,48%, a US$ 32,81 o barril. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, recuou 3,51%, a US$ 35,45 o barril.

Bolsas do exterior

Apesar do bom humor americano, as tensões EUA-China pesaram na Ásia. Na China continental, o Xangai Composto recuou 0,34% e o menos abrangente Shenzhen Composto, caiu 0,86%. Já o Hang Seng cedeu 0,36% em Hong Kong. O japonês Nikkei subiu 0,70% em Tóquio, enquanto o sul-coreano Kospi teve alta marginal de 0,07% em Seul e o Taiex exibiu leve ganho de 0,16% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana ficou praticamente estável e o S&P/ASX 200 registrou ligeira baixa de 0,09% em Sydney.

O novo pacote de medidas favoreceu as Bolsas da Europa. O FTSE 100 subiu 1,26% na Bolsa de Londres e em Frankfurt, o DAX teve ganho de 1,33%. O FTSE MIB avançou 0,28% em Milão enquanto em Paris, o CAC 40 teve alta de 1,33%. Em Madri, o Ibex 35 subiu 2,44% e em Lisboa, o PSI 20 subiu 0,12%.

Ganhos também foram registrados nas Bolsas de Nova York, apesar das quedas na abertura da sessão. O Dow Jones subiu 2,21%, o S&P 500 avançou 1,48% e o Nasdaq registrou alta de 0,77%. As ações do Twitter caíram 2,76%, após Trump ameaçar regular ou fechar plataformas de mídia social./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA, MARCELA GUIMARÃES E MAIARA SANTIAGO

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