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Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

Bolsas têm dia de pânico pelo mundo com maiores quedas em mais de 30 anos

B3 fecha em queda de 14,76%, a pior desde 1998, e dólar termina no maior recorde histórico, cotado em R$ 4,7891

Renée Pereira, Gabriel Bueno da Costa e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 09h08
Atualizado 12 de março de 2020 | 21h38

O mercado financeiro viveu nesta quinta, 12, mais um dia de caos global por causa da pandemia do coronavírus. Num cenário de incertezas em relação ao impacto na economia mundial, a decisão do presidente americano, Donald Trump, de suspender voos entre Europa e os EUA deu mais munição para o pânico dos investidores, que levou as bolsas a paralisar temporariamente suas operações ao longo do dia e a registrarem perdas históricas, no caso de Nova York em mais de 30 anos .

No Brasil, a B3 teve de acionar duas vezes o circuit breaker – mecanismo que suspende os negócios por um tempo – durante o período da manhã e fez uma interrupção a tarde, quando a bolsa caia 19%. O Ibovespa só começou a ter ligeira reação depois que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decidiu agir para tentar minimizar os efeitos do coronavírus na economia, injetando US$ 1,5 trilhão no mercado.

A Bolsa brasileira fechou em queda de 14,78%, com 72.582 pontos – na maior queda desde setembro de 1998. O dólar, que chegou a bater os R$ 5 no início desa manhã, subiu 1,41%, cotado a R$ 4,79. Por aqui, ajudou no mau humor dos investidores a derrota do governo na aprovação da Benefício de Prestação Continuada (BPC), que deve representar um gasto adicional de R$ 20 bilhões aos cofres do governo.

“Mas boa parte da reação do mercado brasileiro continua sendo provocada pelas notícias vindas do exterior”, diz o economista da Tendências Consultoria Integrada, Silvio Campos Neto. Segundo ele, começa a pesar nas previsões dos investidores a possibilidade de uma quebradeira entre as empresas, sobretudo entre as companhias aéreas e do setor de serviços.

Com tantas preocupações no radar, as bolsas mundiais sofreram nova devastação, a exemplo da B3. Em Wall Street, os principais índices tiveram tombos históricos e também acionaram o circuit breaker. O Dow Jones despencou 9,99% – o pior desempenho desde 1987; o Standard & Poor’s 500, 9,51%; e o Nasdaq, 9,43%.

Além das medidas do Fed, o Banco Central Europeu (BCE) também anunciou um programa de suporte à economia. Mas as notícias de que os casos de coronavírus aumentaram na Alemanha e na França e elevaram os temores de recessão. A bolsa de Milão fechou em queda de 16,92%; de Madrid, 14,06%; de Frankfurt, 12,24%; e de Londres, 10,87%. 

“Esse pânico extremo está relacionado ao fato de ninguém saber bem qual será o impacto na economia. A possibilidade de termos um ano perdido está no radar dos investidores”, disse Campos Neto. O Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, um termômetro do risco país, disparou nos últimos dias, batendo em 370 pontos nesta tarde. Na quarta, estava em 225 pontos. No final de fevereiro, o CDS era negociado a 95 pontos. 

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