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E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

Com vídeo de Moro, dólar fecha em novo recorde, a R$ 5,86; Bolsa encerra aos 77 mil pontos

A investigação em torno das acusações sobre interferências de Bolsonaro na PF continua impactando o mercado, que viu a moeda bater em R$ 5,88 na máxima do dia e a B3 perder os 79 mil pontos

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2020 | 09h06
Atualizado 12 de maio de 2020 | 21h25

O dólar teve mais um dia de escalada nesta terça-feira, 12, impactado pelo conturbado cenário político nacional entre Jair Bolsonaro e  Sérgio Moro e pelos resultados negativos vindos do exterior. Como resultado, a moeda fechou com novo recorde nominal, quando não é considerada a inflação, a R$ 5,86, uma alta de 0,82%. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3também foi pressionada e fechou na mínima do dia, com queda de 1,51%, aos 77.871,95 pontos.

A moeda americana começou o dia com queda de 0,36%, a R$ 5,80 - valor não muito diferente do dia anterior, quando fechou cotado a R$ 5,82. Ainda pela manhã, impactado pela desvalorização das Bolsas do exterior, o dólar tornou a cair e chegou a ser cotado a R$ 5,74, na mínima do dia. 

Foi no final da tarde que a moeda tornou a subir e viveu uma nova escalada. Às 15h36, o dólar era negociado a R$ 5,88, uma alta de 1,06%. O valor não apenas foi a máxima do dia, como também marca um novo recorde nominal para uma cotação. Nesse cenário de valorização, o dólar já tem uma apreciação de 46% em 2020, frente ao real. Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento do Estadão/Broadcast, os valores do dólar turismo variam entre R$ 5,91 e R$ 6,03. 

Já a B3 começou o dia com alta de 0,82%, aos 79.767,02 pontos - no fechamento anterior, a queda foi de 1,49%, aos 79.064,60 pontos. Ao longo da manhã, acompanhando um breve momento da alta das Bolsas de Nova York, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro subiu 1,51%, aos  80.261,46 pontos.

No entanto, o movimento de alta não durou muito tempo e com os resultados negativos do exterior, a Bolsa brasileira tornou a cair. No final da tarde, às 15h, o índice recuava 0,33%, aos 78.803,87 pontos. Com os números negativos desta segunda, a B3 já acumula perda de 2,98% na semana, de 3,27% no mês e de 32,66% no ano. Ajudaram a derrubar o índice, a queda das ações Petrobrás ON, com 0,84%, Vale ON, com 0,57% e Santander, com 5,18%. O giro da sessão ficou em R$ 22,8 bilhões.

Pesou sobre o mercado nesta segunda, a divulgação, para um número seleto de investigadores, do vídeo da reunião ministerial entre Jair Bolsonaro e o ex-ministro Sérgio Moro, na qual ele cobra por intervenções dentro da Polícia Federal. Segundo os investigadores, o vídeo "é devastador para Bolsonaro" e "confirma integralmente" as declarações do ex-juiz contra o presidente.

Contexto local 

Os negócios do dia foram impactados pela piora da atividade interna, que foi confirmada pela queda recorde no setor de serviços. Com o fechamento obrigatório de estabelecimentos de serviços não essenciais, o volume de serviços prestados caiu 6,9% em março ante fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça.

Além de serviços, outro setor que continua acumulando perdas com o coronavírus é o turismo, que já perdeu R$ 62,56 bilhões desde o início da pandemia, segundo calculou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)O levantamento considera um período de quase dois meses: de 15 de março, poucos dias após a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretar oficialmente estado de pandemia, até o último dia 10 de maio.

Os agentes do mercado olharam também para a ata do Copom. No documento, o Banco Central reitera a intenção de promover novo corte da Selic (a taxa básica de juros) em junho, de até 0,75 ponto porcentual. Na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,75 ponto porcentual, de 3,75% para 3% ao ano - menor nível histórico. Já o Ministério da Economia prevê uma queda forte do PIB no primeiro semestre, com recuperação apenas no 1º trimestre.

Ainda em relação ao vírus, a Câmara aprovou nesta terça, uma medida provisória que vai liberar o saldo remanescente do Fundo de Reservas Monetárias (FRM), de cerca de R$ 8,6 bilhões, para a compra de materiais voltados para o combate ao vírus. Já a Economia confirmou que o auxílio emergencial de R$ 600 não será mantido depois da pandemia.

Contexto internacional

A possibilidade de uma segunda onda de casos continua impactando o mercado nesta terça. Além de países como ChinaCoreia do Sul relatarem um ressurgimento de novos infectados, a Alemanha também viu triplicar o número de pacientes em 24 horas, com um total de 933. A situação acontece em meio a um processo gradual de reabertura da economia, em andamento não apenas nos países já citados, como também nos Estados Unidos, Itália e Espanha.

Já na China, em abril, o índice de preços ao produtor do gigante asiático sofreu queda anual de 3,1%, a maior em quatro anos e bem mais intensa do que previam analistas. Já a taxa anual de inflação ao consumidor chinês desacelerou de 4,3% em março para 3,3% em abril. Além disso, também pesou na economia local a informação de que os EUA se prepara para impor novas sanções a Pequim.

Ainda nos Estados Unidos, o déficit orçamentário do país em abril chegou a US$ 737,8 bilhões e elevou o saldo negativo no ano fiscal de 2020 para US$ 1,481 trilhão, informou o Departamento do Tesouro hoje. Também nos EUA, foi registrada uma queda de 0,8% do índice de inflação ao consumidor em abril ante março, maior que a baixa de 0,7% esperada.

Petróleo

Os contratos da commodity ganharam mais impulso com o relatório do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos projetando queda na demanda global, mas também na produção do próprio país, e com expectativa mais alta para os preços do petróleo.

Em resposta, o WTI para julho, referência no mercado americano, fecharam com alta de 4,98%, a US$ 26,33 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, subiu 1,18%, a US$ 29,98 o barril.

Bolsas do exterior

Com as notícias negativas, as Bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta terça. O índice japonês Nikkei caiu 0,12% em Tóquio, enquanto o chinês Xangai Composto recuou 0,11% e o menos abrangente Shenzhen Composto subiu 0,33%. O Hang Seng cedeu 1,45% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi se desvalorizou 0,68% em Seul e o Taiex registrou queda de 1,21% em TaiwanNa Oceania, a bolsa australiana seguiu o viés negativo da Ásia e ficou no vermelho, com o S&P/ASX 200 caindo 1,07% em Sydney.

Já as Bolsas da Europa fecharam sem sentido único. O índice Stoxx 600 encerrou em alta de 0,26% e em Londres, o índice FTSE 100 avançou 0,93%. Em Paris, o CAC 40 caiu 0,39% e na Bolsa Frankfurt, o DAX contraiu 0,05%. Em Milão, o FTSE MIB ganhou 1,02%, em Madri, o Ibex 35 subiu 1,36% e em Lisboa, o PSI 20 recuou 1,37%.

Resultados negativos também foram sentidos nas Bolsas de Nova York. O índice Dow Jones fechou em queda de 1,89%, o Nasdaq recuou 2,06% e o S&P 500 caiu 2,05%. Pesou no mercado local, a queda das ações da Boeing, de 2,86%, da Caterpillar, de 3,32%, do Citigroup, de 3,90% e do Bank of America, de 3,14% e do Goldman Sachs, de 3,25%. /SÉRGIO CALDASFELIPE SIQUEIRA, LUÍSA LAVAL, MARCELA GUIMARÃES, ANDRÉ MARINHO E MAIARA SANTIAGO

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