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E-Investidor: qual o melhor investimento para 2020?

Nova crise do petróleo leva dólar a R$ 5,40; Bolsa encerra aos 80 mil pontos

Na máxima nominal, quando não se desconta a inflação, moeda era cotada a R$ 5,41; B3 teve dia de ganhos e chegou a bater nos 81 mil pontos

Renato Jakitas e Luis Eduardo Leal, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2020 | 09h04
Atualizado 22 de abril de 2020 | 19h40

O dólar bateu mais um recorde nesta quarta-feira, 21, quando fechou em alta de 1,90%, cotado a R$ 5,40, neste que foi o sétimo pregão consecutivo de valorização da moeda americana perante o real. O movimento de apreciação também alcançou o euro, que bateu novo recorde nominal, negociado a R$ 5,85.

Já na Bolsa, o balanço do dia foi positivo para as ações das empresas brasileiras. O Ibovespa, a exemplo dos principais índices pelo mundo, operou no azul desde a abertura. Partiu de 78.9 mil pontos, o patamar do fechamento de segunda-feira, antes do feriado de Páscoa, para alcançar o melhor momento em 81,2 mil pontos e fechar o dia com 80,6 mil pontos, em alta de 2,17%.

No mês, o Ibovespa acumula ganho de 10,50% e, na semana, de 2,15%, cedendo 30,23% no ano. Ontem, atingiu o maior nível de fechamento - e o primeiro acima de 80 mil pontos - desde o dia 13 de março, quando havia encerrado aos 82.677,91 pontos.

Na avaliação de Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença, “o afrouxamento da quarentena” levou o mercado a antever uma “retomada de alguns setores da economia”. Isso tem favorecido principalmente as ações de varejistas, que vão se valorizando nos últimos dias. Nesta quarta, o governador de São Paulo, João Doria, confirmou que o Estado adotará um plano de reabertura gradual da economia a partir do dia 11 de maio. 

Petróleo

O real é agora a segunda moeda que mais se desvalorizou no mundo em 2020. Está atrás apenas da divisa sul-africana, o rand, que despencou 35,72%, enquanto a moeda brasileira perdeu 34,82% de seu valor, segundo ranking compilado pela Wagner Investimentos. 

A baixa desta quarta-feira foi um reflexo principalmente da queda dos preços do petróleo, que estão pressionados desde o início da crise do novo coronavírus. As produções caíram e os carros quase não circulam, ou seja, há um menor consumo de combustível. Como consequência, os estoques se acumulam e os preços derreteram, já que o ativo se desvaloriza.

Vale lembra que na última segunda-feira os contratos de óleo WTI para maio, que são produzidos e negociados na bolsa de Nova York, foram negociados a US$ 37,63 negativo - uma queda superior a 300%. De uma forma geral, os contratos continuaram em queda na terça-feira, 21. Ontem, a alta do dólar foi um reflexo desse movimento, que ficou acumulado em função do feriado de Tiradentes, em que os mercados permaneceram fechados no País.

Para além do petróleo, tido como um problema pontual, o economista José Faria Júnior, sócio da consultoria Wagner Investimentos, diz que a moeda brasileira tem vivido uma espécie de tempestade perfeita, responsável pela forte desvalorização dos últimos meses. 

“Temos sofrido, basicamente, três problemas: queda nos preços das commodities, o índice atingiu o menor patamar desde 1972, aumento da dívida pública, tivemos a perspectiva de nosso rating rebaixado, e corte da (taxa de juros) Selic, que deve ir para pelo menos 2,5% neste ano”, afirma.

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