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Dólar bate novo recorde e fecha a R$ 5,32; Bolsa encerra com queda superior a 3%

Moeda americana tem nova escalada após ser influenciada pelos efeitos do coronavírus nas economias mundiais; B3 voltou a cair aos 69 mil pontos

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2020 | 09h03
Atualizado 06 de abril de 2020 | 16h35

O dólar voltou a bater recordes nesta sexta-feira, 03. Pela primeira vez, a moeda americana fechou cotada a R$ 5,3270, uma alta de 1,15%. O mau humor também atingiu a Bolsa de Valores de São Paulo. B3 encerrou o pregão com queda de 3,76%, aos 69.537,56 pontos.

Com o valor, a moeda americana bateu um novo recorde nominal - quando não é considerada a inflação. No entanto, a escalada do dólar não é exatamente uma novidade: desde o início da semana, ele tem se valorizado. Na segunda-feira, 30, ela fechou negociada a R$ 5,18na terça-feira, 31, a R$ 5,19; na quarta-feira, 1, a R$ 5,26 e na quinta-feira, 2, novamente a R$ 5,26 - após atingir a cotação máxima de R$ 5,28.

Porém, o patamar de R$ 5,30 foi atingido pela primeira vez nesta sexta - vale lembrar que na quinta-feira, 26, o mercado ainda acreditava em um alívio da moeda, após ela fechar negociada a R$ 4,99, o que evidentemente não aconteceu. Nesta semana, o dólar acumulou alta de 4,38%. No ano, a valorização da moeda já ultrapassa os 33%. 

Já o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, abriu as negociações do dia em queda de 0,1%, se mantendo na casa dos 72 mil pontos, mas, logo em seguida, ampliou as perdas e passou a cair mais de 4%, voltando aos 68 mil pontos. Na mínima do dia, às 13h20, a B3 caía aos 67.868,76 pontos. Com o resultado, o Ibovespa terminou a semana com queda de 5,30%.

As expectativas eram positivas em torno da Bolsa. Na última segunda, ela encerrou com alta de 1,65%, aos 74.639,48 pontos. Na terça, 31, a B3 teve fechou com queda de 2,17%, aos 73.019,76 pontos e na quarta, 1, ela fechou novamente em baixa de 2,81%, aos 70.966,70 pontos. Porém, já na última quinta, a B3 tornou a subir 1,81% e avançou aos 72.253,46 pontos. Contudo, as indas e vindas não assustam os investidores. Em março, 2,27 milhões de pessoas físicas entraram na Bolsa, um recorde histórico.

A moeda americana e a Bolsa brasileira seguem o "sobe e desce" em meio à pandemia do novo coronavírus, causador da covid-19. E as consequências causadas pelo vírus é o que mais preocupam os investidores. Nesta sexta, os resultados desanimadores da economias da Europa e dos Estados Unidos, colocaram um peso extra ao já fragilizado mercado brasileiro. Além disso, também pesam as notícias locais: de acordo com dados da última quinta, o Brasil já tem 359 mortes e 9.056 infectados. 

Cenário local

No Brasil, o coronavírus divide as atenções com o presidente Jair Bolsonaro, que segue em negação sobre a real dimensão da crise atual. No foco local fica a votação, na Câmara, da PEC do Orçamento de Guerra, que permite a separação do orçamento e dos gastos realizados para o combate à covid-19 do orçamento geral da União. Segundo Rodrigo Maia, a expectativa é que a votação seja concluída ainda nesta sexta.

Além das preocupações externas, os conflitos internos gerados por Bolsonaro também causaram receios no mercado local. Após ter pedido união entre os poderes na última terça, Bolsonaro voltou a atacar governadores e a pedir pelo fim do isolamento social. Ele mirou também no ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, dizendo que ambos estão se "bicando" há algum tempo e que nenhum ministro é "indemissível" - mas que não pretende demiti-lo "no meio da guerra".

De qualquer forma, medidas de enfrentamento ao vírus continuam sendo tomadas em Brasília. Nesta sexta, O Senado aprovou o texto-base de um projeto de lei que suspende até 30 de outubro, uma série de prazos contratuais - o aluguel residencial ficou de fora. Já o governo publicou no Diário Oficial da União (DOU) , uma medida provisória que libera R$ 16 bilhões para Estados e municípios, além de outros R$ 9,4 bilhões para a Saúde.

Mercados internacionais

Informações preocupantes sobre o novo coronavírus foram divulgadas nas economias mundiais nesta sexta. Nos Estados Unidos, que já soma mais de 245 mil infectados e mais de 6 mil mortos, foi divulgado o payroll (relatório de empregos) referente ao mês de março. Segundo os dados divulgados, o país fechou 701 mil postos de trabalho - a expectativa dos analistas é que fossem fechados apenas 100 mil. Com isso, a taxa de desemprego no país subiu para 4,4%, ante os 3,5% de fevereiro, que até então, era considerada a menor da história americana.

Já na Europa, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria e serviços da zona do euro caiu de 51,6 em fevereiro à mínima histórica de 29,7 em março. A queda surpreendente se deu em países como a Alemanha, a maior economia do continente, e também no Reino Unido.

No tanto, os países do continente europeu já se preparam para lidar com um possível desaquecimento da economia. Na noite da última quinta, a União Europeia anunciou que já trabalha em um pacote de 100 bilhões de euros para combater o desemprego causado pela pandemia. Porém, a medida ainda não atendeu as expectativas dos líderes do bloco. O governo da Itália, um dos países do continente mais afetados pelo novo coronavírus, disse que o plano é "insuficiente" e que é "necessário ir além".

Vale lembrar que o novo coronavírus no mundo já supera 1 milhão de casos, segundo dados da última quinta. O vírus também já deixou mais de 50 mil mortos.

Petróleo

A semana terminou com ganhos para a commodity. Nesta sexta, o mercado se animou com a possibilidade de um possível acordo entre Rússia e Arábia Sauditaapoiado pelos Estados Unidos. Ao que tudo indica, os três produtores podem fazer um corte coordenado na produção do petróleo, o que ajudaria a valorizar os preços dos barris. Segundo as agências de notícias, já nesta tarde, o presidente Donald Trump se reuniu com empresas líderes do setor para acertar os detalhes do plano.

Em resposta, o Brent para junho, referência no mercado europeu, subiu 13,92%, a US$ 34,11 o barril. Na semana, os ganhos foram superiores a 20%. Já o WTI para maio, referência no mercado americano, avançou 11,92%, a US$ 29,34 por barril. Com o resultado, a commodity terminou a semana com valorização de quase 30%. Os números ajudaram a apagar o fiasco da última segunda, quando o barril chegou a ser cotado abaixo de US$ 20.

Bolsas do exterior

Como já era esperado, as Bolsas de Nova York fecharam em baixa nesta sexta. O Dow Jones recuou 1,69%, o Nasdaq caiu 1,53% e o S&P 500 teve perdas de 1,51%. Na comparação semanal, as quedas do Dow Jones, do Nasdaq e do S&P 500 foram de 2,70%, 1,72% e 2,08% cada.

Na Ásia, as bolsas fecharam esta sexta sem direção única. ChinaTaiwan e Hong Kong tiveram perdas de 0,60%, 0,46% e 0,19%, respectivamente. O Japão e a Coreia do Sul tiveram ganhos de 0,01% e 0,03%. No entanto, com o resultado, elas apenas mantiveram os ganhos do pregão da última quinta. Já na Oceania, o recuo foi maior, com a Bolsa da Austrália caindo 1,58%.

Situação parecida se deu nas Bolsas da Europa. Em Frankfurt, Paris e Milão, as perdas foram de 0,47%, 1,57 e 2,67%, respectivamente. Londres e Lisboa também tiveram quedas de 1,18% e 0,52%. Apenas Madri foi na contramão das expectativas, e fechou com alta de 0,11%./ SILVANA ROCHA, LUCIANA XAVIER, SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA, GABRIEL BUENO DA COSTA E MAIARA SANTIAGO.

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