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Bolsa fecha com leve alta de quase a 2%; dólar termina o dia em R$ 5,18

Com resultado, B3 conseguiu evitar novas perdas, após queda significativa da última sexta; após fechar em R$ 4,99 na quinta, moeda americana tem nova disparada

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2020 | 09h03
Atualizado 30 de março de 2020 | 20h15

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou as negociações desta segunda-feira, 30, em alta de 1,65%, aos 74.639,48 pontos. O resultado trouxe um novo alívio aos investidores, após a queda do pregão anterior. Já o dólar manteve o ritmo de valorização e terminou o dia cotado a R$ 5,18, uma alta de 1,53%.

O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, começou o dia operando em alta, na casa dos 73 mil pontos. Na máxima do dia, por volta das 10h14, a B3 bateu nos 75.44,95 pontos. Com o valor, a Bolsa conseguiu evitar novas perdas - na última sexta-feira, 27, o índice teve uma queda superior aos 5%, fechando nos 73.428,78 pontos.

E as indas e vindas da Bolsa brasileira deixaram o investidor estrangeiro mais cauteloso. Ao todo, R$ 740,013 milhões em capital estrangeiro foram retirados da B3 somente no pregão da última quinta-feira. No ano, os estrangeiros já retiraram R$ 61,402 bilhões da Bolsa.

Já o dólar abriu as negociações desta segunda com alta de 0,35% em relação ao fechamento da última sexta. A moeda começou o dia cotada a R$ 5,12. Somente neste ano, ela já tem uma valorização superior a 30%. O resultado foi uma decepção para quem acreditava em um possível alívio: na última quinta-feira, 26, o dólar fechou em R$ 4,99, desde então, a moeda já voltou para o patamar dos R$ 5.

Para se ter uma ideia, no primeiro pregão de 2020, o dólar era cotado próximo dos R$ 4. Nesta segunda, segundo levantamento do Estadão/Broadcast, já era possível encontrar a moeda sendo negociada a R$ 5,30 nas casas de câmbio.Todo este cenário de valorização se dá em meio à pandemia do novo coronavírus, causador da covid-19. Mercados financeiros de todo o mundo têm se desvalorizado, principalmente neste mês de março, em decorrência das incertezas de quais serão os impactos totais do avanço do vírus nas economias globais. 

Contexto local

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro parece isolado no contexto mundial em sua atitude de ignorar a gravidade da situação. No último domingo, 29, ele saiu às ruas de Brasília e cumprimentou pessoas, na contramão da recomendação de isolamento do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o que mantém o sinal de alerta em meio à rápida disseminação do vírus pelo País. Segundo dados desta segunda, 159 pessoas já morreram e outras 4.579 estão infectadas com a doença em solo brasileiro.

Outras questões também ajudaram a movimentar o mercado nesta manhã. Entre elas, está o fato de que pela primeira vez na história, o Boletim Focus, do Banco Central, previu uma retração do PIB para este ano de 0,48%. Além disso, o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, também trabalha com um rombo superior a R$ 350 bilhões das contas públicas. A projeção não parece tão distante, já que apenas em fevereiro, o governo teve um déficit de R$ 25,8 bilhões - e isso sem considerar os atuais gastos com o novo coronavírus.

Contexto internacional

Para esta segunda, a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de estender o período de isolamento social por mais 30 dias, até o fim de abril, impôs cautela aos mercados globais. O Reino Unido, por sua vez, considera a hipótese do bloqueio durar seis meses. Nos dois países, seus líderes inicialmente desprezaram o real risco da pandemia e agora mudaram a postura.

No entanto, ainda há esperança nos mercados mundiais. As reações foram extremamente positivas na Europa e nos Estados Unidos, após a Johnson & Johnson anunciar que tem feito progressos em uma vacina contra o coronavírus e que o produto pode estar pronto para uso no início de 2021. A gigante informou inclusive que os testes em humanos começarão até setembro.

Porém, nem todo o mercado segue contagiado com este otimismo. Nesta segunda, o petróleo fechou em sua maior baixa, motivado novamente pela disputa entre Arábia Saudita e Rússia. O WTI para maio, que é referência no mercado americano, fechou em queda de 6,60%, a US$ 20,09 o barril. Já o Brent para junho, que é referência no mercado europeu, recuou 5,47%, a US$ 26,42. Ao longo do dia, o barril chegou a ser cotado abaixo de US$ 20. Este é o nível mais baixo para a commodity desde 2002.

Bolsas do exterior

O anúncio de uma possível vacina contra o vírus levou as Bolsas de Nova York a fecharem em alta nesta segunda. O índice Dow Jones avançou 3,19%, enquanto o S&P 500 teve ganho de 3,35%. Já o Nasdaq, por sua vez, subiu 3,62%. Apenas neste pregão, os papéis da Johnson & Johnson fecharam com ganho de 8%.

Na Europa, o dia também foi de ganhos. A Bolsa de Londres subiu 0,97%, enquanto em Frankfurt, a alta foi de 1,90%. Em Paris, a alta foi de de 0,62% e em Milão, os ganhos foram de 0,30%. Já a Bolsa de Lisboa avançou 1,02%. A única exceção, no entanto, foi a Bolsa de Madri, por lá, o índice fechou em queda de 1,74% - uma resposta do mercado ao avanço alarmante do novo coronavírus no território.

No entanto, no mercado asiático, o dia foi de perdas. A maior queda foi no Japão, com -1,57%, seguida de Hong Kong, com -1,32 e Chinacom -0,90%. Taiwan Coreia do Sul tiveram recuos menos expressivos, com -0,72% e -0,04, respectivamente. Na parte oriental do mundo, apenas a Austrália, na Oceania, teve alta, com crescimento expressivo de 6,56%. ./LUÍSA LAVAL, FELIPE SIQUEIRA, MARCELA GUIMARÃES, SÉRGIO CALDAS E MAIARA SANTIAGO

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