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Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Bolsa encerra em baixa, aos 79 mil pontos; dólar fecha a R$ 5,70, um novo recorde nominal

Nesta quarta, influencia o mercado a possível redução de 0,50 ponto percentual da taxa Selic pelo Copom; rebaixamento da nota do País pela Fitch também pesa ao investidor

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 09h07
Atualizado 06 de maio de 2020 | 18h50

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3não conseguiu manter os ganhos modestos do pregão anterior e encerrou o pregão com queda de 0,51% nesta quarta-feira, 6, aos 79.063,68 pontos. Já o dólar continuou o movimento de alta dos últimos dias e fechou cotado a R$ 5,70, uma alta de 1,97% - o valor é um novo recorde nominal (quando não se considera a inflação), para um fechamento. Influenciou o mercado brasileiro hoje, o possível corte da taxa Selic, atualmente a 3,75%.

O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, começou o dia com queda de 0,12%, aos 80.160 pontos. No decorrer do pregão, a Bolsa oscilou, de forma contida, entre os 78 mil pontos e 79 mil pontos - na mínima do dia, às 11h14, a B3 caía aos 78.127,82 pontos. 

Nesse cenário, o dólar já abriu em alta de 0,14%, cotado a R$ 5,60. A moeda manteve o ritmo de apreciação ao longo do dia e às 13h13, atingiu a máxima de R$ 5,69, uma alta de 1,78% - vale acrescentar que apenas em 2020, a valorização do dólar já chega perto de 42%, devido a escalada de preços que se iniciou em março com o novo coronavírus. No entanto, apesar de fechar em recorde, a moeda ainda continua abaixo do recorde nominal para uma cotação, de R$ 5,74.

Ainda nesta quarta, às moedas emergentes perderam força de forma generalizada ante o dólar - mas o real foi novamente a com pior desempenho. Em outros mercados, a divisa subiu 1,85% na Turquia, 1,51% no México e 1,19% na África do Sul.

Nesta quarta, além das idas e vindas do governo federal e também do cenário exterior, pressiona o mercado brasileiro o possível corte de 0,50 ponto percentual da Selic, a taxa básica de juros da economia, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Caso se confirme, o valor atual da taxa cairá de 3,75% para 3,25% - o que será o sétimo corte consecutivo da Selic no atual ciclo, após 16 meses de estabilidade.

Cenário local 

Pela manhã, o mercado começou o dia com a notícia de que a agência de classificação Fitch rebaixou para 'negativa', a perspectiva do crédito brasileiro para 'negativa'. A decisão foi motivada pelas instabilidades no cenário político e econômico do Brasil e pode afastar investidores estrangeiros em potencial.

Já em Brasília, os olhos continuam voltados para a Câmara dos Deputados, que analisa o projeto de lei do Senado, sobre a ajuda de R$ 12o bilhões do governo federal para os Estados, o Distrito Federal e os municípios em razão da pandemia. No entanto, impasses em torno do texto continuam gerando discórdias no Planalto. Também nesta quarta, a Casa aprovou em segundo turno a nova proposta da PEC do 'Orçamento de Guerra'.

Nesta quarta, continuou no radar do investidor, as declarações do ex-ministro Sérgio Moro, que admitiu à Polícia Federal admitiu ter concordado em trocar a superintendência do Rio no ano passado diante da pressão do presidente Jair Bolsonaro. O ex-ministro relatou ainda que tem nove provas que confirmariam as suas acusações de ‘interferências políticas’ do presidente no comando da corporação.

Contexto internacional

Algumas notícias foram positivas nas maiores economias do mundo nesta quarta. Em países como Estados Unidos, Itália, Alemanha, Espanha e Áustria, as medidas de afrouxamento do isolamento social continuam sendo colocadas em prática, o que aumenta as esperanças sobre uma possível retomada das atividades.

Porém, o dia foi de previsões negativas para a União Europeia. Analistas já projetam que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cairá 7,7% este ano, por causa do coronavírus. Nesse cenário, as vendas no varejo da zona do euro tiveram tombo de 11,2% em março e as encomendas à indústria da Alemanha despencaram 15,6% em março ante fevereiro. Já o PMI do país alemão caiu a marca histórica de 17,4%.

E em meio à tensão entre Estados Unidos e China,o banco central da potência asiática enfraqueceu hoje a taxa de paridade do yuan em relação ao dólar. Agora, passam a ser 7,0690 yuans por dólar, 0,17% mais fraca que a taxa de 7,0571 yuans por dólar da última quinta-feira, 30. A medida veio após o governo americano culpar o governo chinês pela pandemia do coronavírus. 

Também gerou preocupação, a informação de que 20,236 milhões de empregos foram cortados nos Estados Unidos em abril, apenas no setor privado no país, o que reforçou a cautela sobre o relatório de empregos (payroll) da próxima sexta-feira, 8.

Petróleo 

Após cinco sessões em alta, o preço da commodity despencou nesta quarta, com o aumento dos estoques nos Estados Unidos. No país americano, as reservas de petróleo estavam em 532,2 milhões de barris (mb) na última sexta-feira, 1, um aumento de 4,6 mb em uma semana.

Em resposta, o WTI para junho, referência no mercado americano, caiu 2,3%, a US$ 23,99 o barril. Já o Brent para julho, referência no mercado europeu, fechou a US$ 29,72 o barril.

Bolsas do exterior

O dia foi positivo para as Bolsas da Ásia. Os mercados da China continental, que não operavam há três dias úteis devido a feriado locais, voltaram com ganhos. O índice Xangai Composto subiu 0,63% e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,53%. Em outras partes do continente, o Hang Seng se valorizou 1,13% em Hong Kong, enquanto o sul-coreano Kospi subiu 1,76% em Seul e o Taiex ficou praticamente estável em Taiwan, apresentando ganho marginal apenas em pontos. Na Oceania, a Bolsa australiana contrariou o viés positivo da Ásia, e o S&P/ASX 200 caiu 0,42% em SydneyComo nos últimos dois dias, a Bolsa japonesa permaneceu fechada devido a feriados locais.

Os indicadores negativos do velho continente ajudaram a derrubar as bolsas da Europa. Nesse cenário, o índice Stoxx 600 encerrou em baixa de 0,35%. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,11% enquanto em Milão, o FTSE MIB caiu 1,31%. Em Frankfurt, o DAX fechou com baixa de 1,15% e em Madri, o Ibex 35 retraiu 1,13%. Já em Lisboa, o PSI 20 caiu 0,87%. A exceção ao movimento de perdas foi a Bolsa de Londres, onde o índice FTSE 100 avançou 0,06% após Boris Johnson anunciar que as medidas de reabertura podem começar na próxima semana.

Já as Bolsas de Nova York fecharam o dia sem sinal único. O índice Dow Jones fechou em queda de 0,91%, o Nasdaq subiu 0,51% e o S&P 500 teve baixa de 0,70%./SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA, ANDRÉ MARINHO e MAIARA SANTIAGO 

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