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Dólar tem maior alta porcentual desde delação de Joesley

Bolsas do mundo inteiro operaram em queda, por conta das incertezas em relação ao novo coronavírus, causador da covid-19; Ibovespa fechou em queda de 13,92%

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 09h04
Atualizado 16 de março de 2020 | 22h05

Os mercados voltaram a experimentar mais um dia de pânico, aprofundando a aversão ao risco no período da tarde, na medida em que cada vez mais países anunciaram o fechamento de suas fronteiras, aumentando a sensação de que tudo que foi anunciado até agora, tanto por bancos centrais como por governos, é pouco para compensar o baque na economia. Nesta segunda-feira, França, Estados Unidos e Canadá, por exemplo, anunciaram novas medidas de restrição à circulação de pessoas. Nesse ambiente, as bolsas, aqui e em Nova York, experimentaram novos circuit breakers e o dólar teve não só o recorde de fechamento, como a maior alta porcentual desde o pregão conhecido por Joesley Day - quando a delação de Joesley Batista levou a moeda americana a subir 8,07%.

O dólar saltou 4,90% nesta segunda, pela primeira vez acima de R$ 5 no fechamento, a R$ 5,0523. No ano, a moeda sobe 26%, sendo que, apenas neste mês, a metade disso: 13%.  Na Bolsa, desta vez, o circuit breaker - mecanismo que suspende a compra e venda de ações na Bolsa - foi acionado depois de queda de 12,53%, logo no início do pregão. Foi a quinta vez em duas semanas que os negócios ficaram parados. Depois da interrupção, o ritmo de perdas chegou a ser reduzido, mas voltou a registrar quedas mais relevantes durante a tarde. O índice fechou em queda de 13,92%, aos 71.168,05 pontos.

Além disso, no mercado de juros futuros, as apostas são de 100% de chances de o Copom cortar a Selic em 0,5 ponto porcentual no encontro desta semana. Tudo isso ocorre depois de os bancos centrais ao redor do globo anunciarem ações coordenadas, com o Federal Reserve, por exemplo, cortando o juro para zero. Agora, os mercados cobram medidas fiscais para aliviar os impactos da provável recessão global.

Banco Central

Apesar de o dólar ter chegado à máxima nominal histórica durante as negociações, em R$ 5,0690, esse foi o primeiro dia útil desde 3 de março em que o Banco Central não realizou nenhuma intervenção no mercado de câmbio. Nas duas primeiras semanas de março, a autoridade monetária injetou US$ 15,245 bilhões em recursos novos no mercado do câmbio. Foram US$ 7,245 bilhões em leilões de dólares à vista, US$ 6 bilhões em novas operações de swap cambial, e ainda US$ 2 bilhões em leilões de linha com recompra.

​Circuit Breaker

Na Bolsa brasileira, quando as negociações atingem queda de 10%, o primeiro "cricuit breaker" é acionado por 30 minutos. Após o retorno do mercado, caso seja atingido 15% de recuo, uma pausa é realizada novamente, mas, desta vez, de uma hora. Passado esse período, se a queda ultrapassar 20%, uma nova parada é acionada. Neste caso, o tempo não é pré-determinado, e a própria B3 informa por quanto tempo as negociações ficarão suspensas. 

Apenas na semana passada, o sistema foi acionado por quatro vezes. Uma na segunda-feira, 9, um vez na quarta-feira, 11, e duas na quinta-feira, 12. Terça-feira, 10, e sexta-feira, 13, foram dias de recuperação nos mercados mundiais. As Bolsas ao redor do mundo têm sofrido com essa volatilidade, em um efeito sobe e desce nos últimos dias. 

Mercados internacionais 

As bolsas de Nova York pioraram à tarde, fechando com quedas expressivas um dia depois da ação extraordinária de corte de juros e outras medidas do Federal Reserve (Fed), em coordenação com outros bancos centrais. Analistas consideravam que a política monetária não será suficiente para enfrentar o choque do coronavírus, com investidores esperando medidas na frente fiscal.

Nos EUA e na Europa, há relatos de movimentações nesse sentido, mas nenhum anúncio confirmado. Continuavam, porém, a chegar notícias de restrições ao movimento, como na França de Emmanuel Macron e nos EUA de Donald Trump, o que provocará impacto mesmo com a manutenção da circulação de produtos, como enfatizado mais cedo pela União Europeia.

Nesse quadro, as bolsas de Nova York caíram mais de 12%, enquanto os juros dos Treasuries recuaram. No câmbio, o dólar recuou ante outras moedas principais, com o Fed em foco, mas subiu ante divisas de países emergentes e commodities em geral, entre elas o peso chileno, mais pressionado após o BC do Chile fazer um corte extraordinário de 75 pontos-base, a 1,00%, e anunciar outras medidas.

O petróleo, por sua vez, teve quedas superiores a 9%, com dúvidas sobre a demanda e após a Arábia Saudita reforçar a produção, com o Departamento de Energia (DoE) americano alertando em nota para o risco de aumento nos estoques e queda nos preços do óleo./ LUCIANA XAVIER, SILVANA ROCHA, ANDRE MARINHO, EDUARDO GAYER, FELIPE SIQUEIRA, EDUARDO RODRIGUES e TALITA NASCIMENTO

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