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E-Investidor: qual o melhor investimento para 2020?

Bolsa amplia perdas e fecha em queda, aos 78 mil pontos; dólar fica em R$ 5,52

Com cenário político incerto e influenciada pelas desavenças entre EUA e China, B3 perdeu os 80 mil pontos nesta segunda e moeda já tem valorização de 35% em 2020

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2020 | 09h06
Atualizado 04 de maio de 2020 | 18h09

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em queda de 2,02% nesta segunda-feira, 4, aos 78.876,22 pontos, após perder o patamar dos 80 mil pontos que havia sido conquistado na semana passada. Já o dólarque começou sendo negociado a R$ 5,60, recuou ao longo do dia e fechou com queda de 1,51%, a R$ 5,52. Hoje, foram as incertezas perante os cenários políticos nacionais e internacionais que ajudaram a derrubar o mercado brasileiro.

O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, começou o dia com queda de 3,50%, aos  77.295 pontos. No entanto, a Bolsa não conseguiu avançar e somou consecutivas perdas - ao longo do dia, o índice oscilou entre os 77 mil e os 78 mil pontos. Na mínima do dia, às 14h18, a B3 cedia aos 77.633,87 pontos. 

O resultado decepciona quem acompanhava a alta da moeda, que na quinta-feira, 30, último dia útil de abril, fechou em queda, mas ainda manteve o patamar dos 80 mil pontos. Vale lembrar que na última quarta-feira, 29, a B3 apresentava um escalada no índice, após fechar aos 83.170,80 pontos.

Já o dólar começou o mês de maio com alta superior a 3%, cotado a R$ 5,61. O valor, no entanto, não se manteve por muito tempo e a moeda recuou para R$ 5,54 ainda na parte da manhã desta segunda. Para se ter uma ideia, o dólar já possui valorização de 35,66% em 2020. No ínicio ano, ele era negociado próximo de R$ 4.

Nesta segunda, ajudaram a influenciar negativamente o mercado brasileiro, os incertos cenários políticos internos e externos. No Brasil, os investidores observam cautelosos os desdobramentos da última manifestação antidemocrática realizada em Brasília, na qual esteve presente Jair Bolsonaro. No exterior, foram os embates entre Estados Unidos Chinarelacionados a pandemia do novo coronavírusque ganharam a atenção do mercado.

Além disso, também pesou sobre os investidores, o balanço da Gol, que registrou prejuízo R$ 2,2 trilhões no primeiro trimestre de 2020. Apesar da notícia, a companhia informou que ainda tem caixa até o final do ano. Em resposta, as ações da companhia fecharam com perda de 10,08% na Bolsa. Nesta segunda, também registrou queda de 12,87% as ações da companhia Azul.

Cenário local 

No domingo, 3, da rampa do Palácio do Planalto, Bolsonaro acompanhou o ato contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso. A manifestação, que aconteceu um dia após o depoimento do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro à Polícia Federal, veio acompanhada de um discurso do presidente de que as Forças Armadas estão “ao lado do povo” e que a Constituição “será cumprida a qualquer preço.

No radar também fica a escalada da violência entre os apoiadores de Bolsonaro. Também no domingo, dois profissionais do Estado - o fotógrafo Dida Sampaio e o motorista Marcos Pereira - foram agredidos fisicamente durante a manifestaçãoEnquanto que na sexta-feira, 1, manifestantes pró-Bolsonaro agrediram enfermeiras em Brasília. 

E em meio ao crescente ruído político, Bolsonaro também nomeou o delegado Rolando Alexandre de Souzacomo o novo líder da PF. Ele era o braço direito de Alexandre Ramagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

No entanto, além das idas e vindas do governo, ganha o foco do mercado o projeto de socorro aos Estados e municípios do governo, que foi aprovado pelo Senado no último sábado, 2. Agora, a medida segue para a análise da Câmara. Porém, a expectativa pela ajuda é grande, já que segundo novos dados do Ministério da Saúde, o País teve 263 mortes e 4.075 novos casos em 24 horas - ao todo, são 7.288 vítimas e 105.222 infectados.

Cenário internacional

Em meio a uma nova rodada de tensões entre Estados Unidos China, o presidente americano, Donald Trump, deu um novo discurso no último domingo, 3, em que diz acreditar que o país asiático 'causou' a pandemia do novo coronavírus. "A China cometeu um erro, tentou esconder e demorou a avisar sobre a covid-19", disse. Ele também afirmou que poderá aplicar novas tarifas aos chineses, como forma de retaliação.

Além da fala de Trump, também aumentou o cenário de instabilidade a fala do Secretário de Estado americano, Mike Pompeo. Segundo ele, há "enormes evidências" de que o surto começou em um laboratório na cidade chinesa Wuhan. Porém, alimentando uma tese que circula na Casa Branca há meses, Pompeo não apresentou provas que sustentassem a acusação. 

Também pesou no mercado internacional, as declarações do megainvestidor Warren Buffet. O líder da Berkshire Hathway disse que a companhia já vendeu todas as suas ações nas empresas de empresas aéreas, entre as quais estão United Airlines, American Airlines e Delta Airlines. A declaração aumentou os temores de uma árdua recuperação do setor.

Petróleo

Nesta segunda, a commodity foi impactada pela tensão entre Estados Unidos China, que levou o petróleo a amargar perdas ao longo do dia. No entanto, segundo analistas, apesar da diminuição da demanda, o ativo já está sendo beneficiado por um recuo recente na oferta dos barris, e também pelos planos de reabertura em importantes economias da Europa.

Nesse cenário, o WTI para junho, referência no mercado americano, fechou em alta de 3,08%, a US$ 20,39 o barril. Já o Brent para julho, referência no mercado europeu, registrou ganho de 2,87%, a US$ 27,20 o barril.

Bolsas do exterior

Apesar das falas de Trump, as Bolsas de Nova York fecharam em alta nesta segunda. O Dow Jones avançou 0,11%, o S&P 500 subiu 0,42% e o Nasdaq teve alta de 1,23%. Ajudaram a manter o índice as ações do setor de tecnologia, entre os quais se destacam a Apple, com alta de 1,41%, enquanto os papéis da Microsoft subiram 2,45%.

Já as Bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta segunda. No entanto, os principais mercados da região - do Japão e da China continental -, não operaram nesta segunda devido a feriados locais. O índice Hang Seng liderou as perdas na Ásia, com um tombo de 4,18% em Hong Kong, enquanto o sul-coreano Kospi caiu 2,68% em Seul, e o Taiex recuou 2,47% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana destoou do tom negativo na Ásia, graças em parte ao forte desempenho do setor de tecnologia, com o S&P/ASX 200 avançando 1,41% em Sydney.

O movimento também foi sentido na Europa. O índice Stoxx 600 encerrou com queda de 3,41% e em Londres, o índice FTSE 100 recuou 0,16%, enquanto isso, o CAC 40 caiu 4,24% na Bolsa de Paris. Em Frankfurt, o DAX contraiu 3,64%, já em Milão, o índice FTSE MIB retraiu 3,70%. Em Madri, o Ibex 35 recuou 3,60% e em Lisboa, o PSI 20 caiu 2,28%./SERGIO CALDAS,, ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA, FELIPE SIQUEIRA e MAIARA SANTIAGO

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