Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

R$ 1,57 bi

E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

Bolsa amplia ganhos e fecha com alta superior a 3%; dólar cai e fica em R$ 5,22

B3 chegou a ficar perto do patamar dos 80 mil pontos, algo que não acontecia desde o início da crise do coronavírus; moeda americana deu sinais de alívio, após cair 1,25%

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 09h06
Atualizado 07 de abril de 2020 | 21h06

A Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou o bom humor do mercado internacional e ampliou os ganhos. Nesta terça-feira, 7, a B3 encerrou o pregão com alta de 3,08% aos 76.358,09 pontos. Já o dólar deu sinais de alívio e fechou em queda de 1,25%, cotado a R$ 5,22.

Com o resultado, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, registrou sua segunda alta consecutiva. Pela manhã, a Bolsa abriu as negociações já com ganho superior aos 7%, o que marcou seu retorno ao patamar dos 79 mil pontos. Na máxima do dia, às 10h24, a B3 estava nos 79.833,61 pontos. O resultado aumentou ainda mais o ânimo dos investidores, que já respiraram aliviados quando o pregão da última segunda-feira, 6, foi encerrado aos 74.072,98 pontos.

Se o ritmo for mantido, já na próxima quarta-feira, 8, ela pode retornar ao patamar dos 80 mil pontos, que não é atingido desde o dia 17 de março, em meio à crise provocada pelo avanço do novo coronavíruscausador da covid-19. Vale lembrar que no final de março, ela ficou a apenas 5% de perder os 60 mil pontos.

Já o dólar seguiu em ritmo de queda desde a parte da manhã. As negociações desta terça foram abertas com baixa de quase 2%, a R$ 5,18. Porém, apesar do valor ainda elevado, apenas a notícia de que a moeda americana não bateu novos recordes, já deve agradar o mercado. Na última sexta-feira, 3, os investidores ficaram alarmados quando a moeda alcançou sua cotação máxima nominal, quando não se desconta a inflação, e bateu em R$ 5,32.

Para se ter uma ideia, a moeda americana já possui, mesmo com a queda no início do pregão, valorização próxima a 30% em 2020. Em 2 de janeiro, quando houve a primeira abertura do ano, a cotação estava em R$ 4,01. Já no fechamento da última segunda, o dólar era negociado a R$ 5,29A mudança brusca aconteceu em apenas três meses.

Contexto local

No final das contas, Jair Bolsonaro não conseguiu usar sua caneta e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que fica. Ele também pediu "paz" para continuar o trabalho de combate ao novo coronavírus. Os militares do governo teriam convencido Bolsonaro pela permanência de Mandetta. Mas outros ministros do governo e os presidentes do Senado, da Câmara e do STF também agiram nos bastidores para impedir sua demissão, segundo apurou o Estadão/Broadcast.

O mercado também segue atento ao pagamento do auxílio emergencial a informais, intermitentes e MEIs. Nesta terça, novas regras relacionadas a ajuda foram liberados pelo governo. De Brasília também partiu a decisão de que famílias de baixa renda receberão uma ajuda de custo com a conta de luz.

No entanto, apesar das medidas, o ambiente ainda é cercado de receio. Segundo dados da Confederação Nacional de Comércio, o setor de varejo já perdeu R$ 53,3 bilhões por causa do coronavírus. Antes do impacto da pandemia, as vendas no setor haviam crescido 1,2% em fevereiro, na comparação com janeiro de 2020. 

A desaceleração também já atinge outros setores. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de veículos caiu 21,1% em março, no pior resultado para o mês em 16 anos. Nesse cenário, Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América Latina, disse que a área precisa de uma intervenção no sistema financeiro para liberação de crédito, ou a cadeia automotiva pode não resistir

Contexto internacional

Os investidores europeus respiraram aliviados nesta terça, com a notícia de que talvez o continente esteja se preparando para deixar de ser o epicentro do novo coronavírus. Segundos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos nos países da Europa seguem altos, mas com ritmo de crescimento lento.

Situação parecida também acontece na China, que nas últimas 24 horas não registrou mortes pela doença. Vale lembrar que a primeira vítima fatal do país foi registrada no dia 11 de janeiro deste ano. Como resultado, as Bolsas de ambos os continentes tiveram seu segundo dia de altas consecutivas no pregão de hoje.

No entanto, a situação ainda continua tensa nos Estados Unidos, que parecem ser o novo centro da epidemia. O país tem 374.329 casos e 12.064 mortes - e Nova York, apesar de não ter registrado aumento no número de casos, continua sendo o Estado mais afetado. Nesse cenário, rumores apontam que o governo americano pode estar se preparando para um novo pacote econômico. Segundo o secretário do Tesouro Steven Mnuchin, cerca de US$ 250 bilhões podem ser liberados nas próximas semanas para ajudar os pequenos negócios no enfrentamento ao vírus.

Petróleo

A commodity, que vinha de duas altas consecutivas, fechou em queda nesta terça, após a Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, anunciar que a demanda por petróleo pode cair 5,2%, a 95,5 milhões de barris por dia (bpd) em 2020. Caso a previsão se confirme, essa será a primeira queda do ativo desde 1990. 

Como resultado, o WTI para maio, referência no mercado americano, fechou em baixa de 9,40%, a US$ 23,63 o barril. Já o Brent para junho, referência no mercado europeu, fechou com queda de 3,57%, a US$ 31,87 o barril.

Bolsas do exterior

Apesar de ter começado o pregão com ganhos, as Bolsas de Nova York fecharam com queda nesta terça. O Dow Jones encerrou o dia em baixa de 0,12%, o S&P 500 caiu 0,165 e o Nasdaq cedeu 0,335%. Os resultados negativos foram influenciados pelos novos números do coronavírus no país.

O dia foi positivo na Ásia. Os mercados da China continental, que na segunda não operaram devido a um feriado nacional, tiveram ganhos expressivos: o Xangai Composto subiu 2,05% e o Shenzhen Composto avançou 3,18%. Já o índice acionário japonês Nikkei teve alta de 2,01% em Tóquio, enquanto o sul-coreano Kospi subiu 1,77% em Seul. O Hang Seng avançou 2,12% em Hong Kong e o Taiex se valorizou 1,81% em Taiwan. Indo na contramão, a Bolsa australiana terminou o dia em baixa, com o S&P/ASX 200 registrando queda de 0,69% em Sydney

E o bom humor do mercado asiático influenciou também a Europa. A Bolsa de Londres fechou em alta de 2,19%, enquanto Paris avançou 2,12%. Já a Bolsa de Frankfurt liderou as altas, com ganhos de 2,79%. Milão, Madri e Lisboa fecharam com ganhos de 2,19%, 2,30% e 1,27%, respectivamente./ LUCIANA XAVIER, SILVANA ROCHA, SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.