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Com melhora nos EUA, Bolsa fecha com alta superior a 1%; dólar fica a R$ 5,23

Possível novo pacote de US$ 1 trilhão vindo do governo dos EUA animou os investidores, mas declaração negativa vinda do presidente do Fed pressionou o câmbio

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2020 | 09h04
Atualizado 16 de junho de 2020 | 18h16

A melhora do mercado de Nova York e a alta do petróleo fez a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, subir no final da tarde desta terça-feira, 16. Após quatro quedas seguidas, o índice fechou com alta de 1,25%, aos 93.531,17 pontos. No entanto, a possibilidade de que a economia dos Estados Unidos demore mais que o esperado para se recuperar, afetou o dólar, que fechou com alta de 1,79%, cotado a R$ 5,2340.

Segundo a agência de notícia Reuters, o governo dos EUA planeja criar um novo pacote voltado ao setor de infraestrutura no valor de US$ 1 trilhão, para ajudar na retomada da economia. A informação deixou temporariamente em segundo plano o fato de Pequim ter elevado o nível de emergência devido ao risco de uma nova onda de contaminações do coronavírus.

Com a melhora, o Ibovespaprincipal índice de ações do mercado brasileiro, rompeu com um ciclo de quatro quedas consecutivas e se firmou nos 93 mil pontos. Na máxima do dia, ele tocou brevemente nos 95.215,56 pontos. Com a recuperação de hoje, a Bolsa voltou a se aproximar do nível de fechamento do dia 4 de junho, quando ficou aos 93.828,61 pontos. 

Agora, a B3 acumula ganho de 7,07% no mês, mas ainda cede 19,72% no ano. Nas duas sessões desta semana, o saldo é positivo de 0,79%. Entre os ganhos da sessão, está a alta das ações da Petrobrás ON e PN, com 4,13% e 3,24%. Também subiram Gerdau, com 7,32% e CSN, com 6,50%.

Câmbio

O possível novo pacote dos EUA ajudou o mercado, mas não apagou totalmente o efeito do discurso pessimista do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell​, sobre o câmbio. Ele não deu muitas esperanças de uma recuperação econômica rápida e disse que trabalhadores no setor de serviços terão mais dificuldades para voltar ao trabalho.

Com isso, a moeda, que cedia a R$ 5,0495 na mínima do dia, tornou a subir e novamente pressionou o real, em um novo movimento de escalada. De acordo com cálculos da Infinity Asset, entre as moedas de emergentes como México, Rússia e Turquia, o real ainda é a que acumula maior desvalorização nos últimos três dias, com recuo de 5%.

Ainda nesta terça, o dólar para julho também sentiu as incertezas vindas de Powell​ e fechou com alta de 1,69%, cotado a R$ 5,2485.

Cenário local

Por aqui,também preocupa a queda histórica das vendas no varejo (16,8% maior que a mediana, que apontava retração de 11,5%) em abril ante março, agora apontam para cima, alinhados à moeda americana. Além disso, o mercado dá como certo que o Copom vai cortar 75 pontos-base da Selic, na próxima quarta-feira, 18, e espera se o comunicado deixará a porta aberta para nova redução adicional. 

Além disso, o olhar do mercado também continua atento as trocas no Ministério da Economia. Segundo informações, após a troca de secretário no Tesouro Nacional, a ideia de Paulo Guedes é substituir alguns dos nomes da pasta para já criar uma equipe voltada ao cenário de recuperação pós-pandemia.

Petróleo

Além de um possível novo pacote trilionário dos EUA, um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) fortaleceu a commodity. O órgão apontou que a pandemia vai prejudicar fortemente a economia global e a demanda por petróleo neste ano, mas que os cortes de oferta, feitos por grandes produtores, e um avanço recorde no consumo no próximo ano, vão ajudar a reequilibrar o mercado.

O cenário positivo fez o WTI para julho, referência no mercado americano, fechar com alta de 3,39%, a US$ 38,38. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, subiu 3,12%, a US$ 40,96 o barril. Além da Petrobrás aqui no Brasil, ações de grandes petrolíferas foram beneficiadas nesta terça, com destaque para as ações da BP, com alta de 1,79%, Eni, com 4,14%, Chevron, com 3,07% e ExxonMobil, com 2,25%.

Bolsas do exterior

As Bolsas da Ásia tiveram um dia de ganhos, após o Banco Central do Japão (BoJ) ampliar o volume de um programa especial de financiamento para empresas para 110 trilhões de ienes (US$ 1,025 trilhão). Com a notícia, o índice japonês Nikkei teve alta de 4,88%, o sul-coreano Kospi saltou 5,28% e o Hang Seng subiu 2,39% em Hong Kong. Os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto ganharam 1,44% e 1,77%, respectivamente, enquanto o Taiex avançou 1,82% em Taiwan. Na Oceania, o S&P/ASX 200 avançou 3,89% em Sydney

O clima foi positivo na Europa, após o Fed ter anunciado na última segunda-feira, 15, um programa de compra e recompra de ativos. Em resposta, o Stoxx 600 fechou com ganho de 2,90%. A Bolsa de Londres subiu 2,94% e a de Frankfurt teve ganho de 3,39%. Os índices de ParisMilãoMadri avançaram 2,84%, 3,46% e 3,25%, enquanto em Lisboa, a alta foi de 2,44%.

Além de um possível novo pacote de medidas, o aumento de 17,7% das vendas do varejo em maio ante abril nos Estados Unidos, bem acima da previsão dos analistas de 7,9%, animou o mercado local. Com isso, o Dow Jones fechou com alta de 2,04%, o S&P 500 avançou 1,90% e o Nasdaq subiu 1,75%./MAIARA SANTIAGO, SIMONE CAVALCANTI E LUÍS EDUARDO LEAL

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