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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Bolsa perde fôlego, mas ainda fecha em alta com exterior; dólar cai e fica a R$ 5,15

Declaração de Donald Trump de que Estados Unidos vai manter acordo com a China favoreceu o mercado, que também reagiu à divulgação da ata do Copom

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 09h24
Atualizado 23 de junho de 2020 | 18h26

A notícia de que os Estados Unidos vão honrar o acordo comercial estabelecido com a China fez a Bolsa de Valores de São, a B3, fechar em alta de 0,67% nesta terça-feira, 23, aos 95,975,169 pontos. O bom humor do mercado também se estendeu ao câmbio, que viu o dólar fechar com queda de 2,26%, cotado a R$ 5,1517, após a divulgação da ata da última reunião do Copom.

Nesta terça, Donald Trump foi ao Twitter, para garantir que a 'fase 1' acordo já estabelecido com o país asiático permanece "intacto". A fala do presidente deu alívio aos mercados internacionais, mas durou por tempo limitado. No fim de tarde, ele voltou a criticar a China e disse que o coronavírus era um 'presente' dos asiáticos.

A declaração ajudou a segurar os ganhos de Nova York e São Paulo e fez o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, perder a estabilidade dos 97 mil pontos e oscilar para o negativo. Na máxima do dia, nesta terça, a Bolsa subia aos 97.485,59 pontos. Na mínima, caía aos 95.343,52 pontos.

Com os resultados da sessão de hoje, a B3 cede apenas 0,62% na semana, mas ainda sobe 9,81% no mês. No ano, o recuo é de 17,01%. Entre os ganhos do Ibovespa, está a alta das ações da Petrobrás, com 3,34%, Vale, com 1,07% e Usiminas, com 10,34%.

No cenário local, o mercado também refletiu positivamente a fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que o desafio de instituição agora é colocar as medidas de incentivo aos pequenos e microempresários anunciadas para rodar, “já pensando nas próximas”. Porém, ficou ainda no radar a queda de 33% da arrecadação de impostos e contribuições em maio, em um total de R4 77,415 bilhões. Este é o menor valor desde 2007, segundo a série história da Receita Federal.

Câmbio

Ainda favoreceu a moeda americana, a declaração de Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, de que um novo pacote de estímulos de apoio às empresas do governo americano poderá ser apresentado em julho. Além disso, o mercado de câmbio também ecoa a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que diz que o espaço para um novo corte da Selic "é incerto e pequeno". No encontro realizado na semana passada, a taxa básica de juros da economia foi cortada para 2,25%, no menor patamar da história. 

Na mínima do dia, nesta terça, a moeda caiu para a casa dos R$ 5,13 - com os resultados de hoje, ela já acumula queda de 3,5% em junho e depreciação de 7,7% em um período de 30 dias. Com isso, o real foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar, em uma cesta com outras 34 moedas emergentes.

Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é negociado próximo de R$ 5,40. Já o dólar futuro para julho fechou com queda de 1,91%, cotado a R$ 5,1540.

Petróleo

Nem mesmo a continuidade do acordo comercial EUA-China ajudou a commodity a segurar os ganhos vistos no pregão anterior, quando fechou acima de US$ 40 pela primeira vez desde março. No mercado de petróleo nesta terça, pesou o aumento de casos do coronavírus nas Américas, que pode reduzir a demanda, e a falta de um posicionamento mais duro da  Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+)  sobre os cortes nos barris.

Nesse cenário, o petróleo WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou em queda de 0,88%, US$ 40,37. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, recuou 1,04%, a US$ 42,63 o barril.

Cenário internacional

O coronavírus ganhou novamente o destaque no cenário mundial, mas desta vez, por um motivo positivo. Nesta terça, o principal infectologista americano, Anthony Faucci, disse que está "otimista" com uma vacina para o vírus e que ela pode estar pronta para uso ainda em meados de janeiro de 2021.

Também animou o mercado, a divulgação prévia dos indicadores de atividade (PMIs) na Europa. O PMI composto da zona do euro subiu de 31,9 em maio para 47,5 em junho, enquanto no Reino Unido, o mesmo indicador avançou de 30 em maio para 47,6 neste mês. Já na Alemanha, o PMI composto saiu de 32,3 em maio para 45,8 em junho. Com o resultado positivo, o  Stoxx 600 fechou com ganho de 1,30%.

Bolsas do exterior

O tom positivo dominou os mercados da Ásia, após os EUA reafirmarem que vão manter o acordo com a China. O japonês Nikkei subiu 0,50%, o Hang Seng se valorizou 1,62% em Hong Kong e o sul-coreano Kospi avançou 0,21%. Enquanto isso, o chineses Xangai Composto Shenzhen Composto subiram 0,18% e 0,56% cada. Já o Taiex registrou ganho de 0,34% em Taiwan e na Oceania, a Bolsa australiana teve modesta valorização de 0,17% em Sydney.

As Bolsas também tiveram ganhos consistentes na Europa, com os indicadores positivos. Londres subiu 1,21% e Frankfurt avançou 2,13%. ParisMilão Madri tiveram ganhos de 1,39%, 1,86% e 1,26%, respectivamente. Em Lisboa, a alta foi mais modesta, de 0,80%.

O mesmo cenário se deu em Nova York, que aguarda pelo novo pacote de estímulos do Tesouro. O Dow Jones teve alta de 0,50%, o S&P 500 subiu 0,43% e o Nasdaq ganhou 0,74%. Na parte da manhã, os índices subiam mais de 1%, porém, com o novo ataque de Trump aos chineses, os ganhos recuaram já no final da tarde./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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